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Da conciliação II PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 13 de Agosto de 2018 23:44
DA CONCILIAÇÃO – II
O ser humano ainda não entendeu a finalidade de sua criação. O seu olhar vaga, perplexo, por tudo o que acontece e que impressiona seus sentidos, sem atentar para o significado de tudo o que vê.
A longa caminhada desde o provável Jardim do Éden, passando pelo Egito antigo, pela Mesopotâmia, Índia, China, Israel, Grécia, Roma, Idade Média, Grandes Navegações, Descoberta das Américas, Iluminismo, Revolução Industrial, Marxismo, Rússia, duas Grandes Guerras com seus milhões e milhões de mortos, etc etc, não conseguiram despertar totalmente o homem.
O sacrifício de Jesus com sua mensagem redentora que perpassa os séculos, apesar de deturpada pelas igrejas ditas cristãs, permanece como luz a iluminar o caminho da humanidade, mas continua ignorada em sua essência.
O homem insiste em olhar para fora e horizontalmente. Fica observando as diferenças que o cercam. Começa com o gênero, raça, nacionalidade, depois vêm as religiões, ideologias, classes sociais e o estrato social que, naturalmente, defendem suas posições visando obter o maior número possível de adeptos.
E aí começam os conflitos em que o homem se empenha e pensa que está a defender a sua sustentabilidade quando, na verdade, se torna joguete nas mãos daqueles que o manipulam e conduzem.
Somos seres individuais vivendo em coletividade. Não podemos deixar de considerar essa realidade, a da vida em comunidade que implica, necessariamente em compromissos com a sociedade e com tudo o que nos cerca.
Com a invenção da imprensa, começou sua influência; no começo, relativamente pequena, mas com o desenvolvimento tecnológico alcançou índices cada vez maiores. A mídia com influência poderosa determina grande parte do comportamento das pessoas, mas também visando seus interesses.
Entendo que, naturalmente, cada um tem o direito de usar, gozar e dispor de sua encarnação da maneira que lhe aprouver, defendendo seus interesses e suas inclinações mas devemos sempre estar atentos para evitar que fatores externos acabem influenciando negativamente nossos comportamentos.
Esquerda e direita são componentes da mesma moeda, duas faces que não se dissociam, criando parâmetros distantes, radicais e que nada contribuem para o bem geral da sociedade.
Enquanto continuarmos nos extremos radicalizando posições e defendendo conflitos permaneceremos distantes uns dos outros. A evolução da humanidade aponta para caminhos convergentes a serem trilhados pelos que começam a entender a responsabilidade de cada um no conjunto universal e têm o compromisso de liderar movimentos que conduzam o ser humano para uma conciliação geral e irrestrita.
É hora de sair da horizontalidade e de passar para a verticalidade e na sequência olhar para dentro. É no coração de cada um que Deus colocou seu mandamento como Ele ensinou a Moisés no livro do Deuterônomio, capítulo 30, versículos 11 a 14. Isso há mais de três mil anos.
É chegado também o momento de seguir o ensinamento de Paulo na Carta aos Colossenses, capítulo 3, versículos 9 a 14: “Não mintam uns aos outros. De fato, vocês foram despojados do homem velho e de suas ações, e se revestiram do homem novo que, através do conhecimento, vai se renovando à imagem do seu Criador. E aí já não há grego nem judeu, circunciso ou incircunciso, estrangeiro ou bárbaro, escravo ou livre, mas apenas Cristo, que é tudo em todos”.
“Como escolhidos de Deus, santos e amados, vistam-se de sentimentos de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. Suportem-se uns aos outros e se perdoem mutuamente, sempre que tiverem queixa contra alguém. Cada um perdoe o outro, do mesmo modo que o Senhor perdoou vocês. E acima de tudo vistam-se com o amor, que é o laço da perfeição”.
Não é preciso acrescentar mais nada.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

O ser humano ainda não entendeu a finalidade de sua criação. O seu olhar vaga, perplexo, por tudo o que acontece e que impressiona seus sentidos, sem atentar para o significado de tudo o que vê.

A longa caminhada desde o provável Jardim do Éden, passando pelo Egito antigo, pela Mesopotâmia, Índia, China, Israel, Grécia, Roma, Idade Média, Grandes Navegações, Descoberta das Américas, Iluminismo, Revolução Industrial, Marxismo, Rússia, duas Grandes Guerras com seus milhões e milhões de mortos, etc etc, não conseguiram despertar totalmente o homem.

Última atualização em Qua, 05 de Setembro de 2018 19:56
 
Da conciliação PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qua, 01 de Agosto de 2018 11:04
DA CONCILIAÇÃO
A situação extremamente difícil porque passa nosso país nos remete à busca de alternativas para encontrar a luz no fim do túnel.
Começa a circular uma proposta que, a princípio, parece comprometida com a corrupção, mas que, analisada com seriedade e consciência, pode levar a uma transição do momento que estamos vivendo – de apuração severa da corrupção que envolveu boa parte dos políticos e dos grandes empresários brasileiros – a um encaminhamento aceitável: a ideia da conciliação.
Na realidade esse caminho não tem nada de novo. Mas o clamor nacional diante da dimensão alcançada pela corrupção, acabou despertando um profundo sentimento de condenação, natural e até necessário para conter essa onda imensa de mal-feitos.
Passada essa etapa é chegado o momento de se promover a conciliação, de se reunir a nação em torno de um propósito agregador. Para isso, naturalmente, o processo deve ser precedido pela devolução de todos os valores que foram ilegalmente subtraídos. A execração pública a que já foram expostos os corruptos e os corruptores somada à devolução do dinheiro de certa forma já perfazem a punição necessária ao crime de corrupção.
Podemos nos basear nos ensinamentos de Jesus que, perguntado uma vez por Pedro: “Mestre quantas vezes devemos perdoar nosso irmão, sete?” Jesus respondeu: “Não Pedro, mas setenta vezes sete”(Mt 18: 21,22). No episódio do apedrejamento da mulher adúltera em via pública, Jesus repreende os agressores e diz a ela: “Vá em paz e não peques mais”.
O que não está claro é se a exortação de Jesus será aceita pelos corruptores e pelos corruptos, pois parece que após o susto da repressão severa, pode haver uma fase de análise do resultado e após um período de hibernação o condenado volte às práticas antigas. O que inviabilizaria a tese da conciliação nacional.
O jornalista Pedro Bial, em sua primeira crônica no Globo esta semana escreveu: “Declaro minha franca adesão à ideia de conciliação. Sei que isso pega muito mal no Brasil de hoje, mas, por favor, não me tomem como alienígena. Durante toda a história brasileira, o espírito conciliador foi celebrado e bem-vindo. Quando, nas últimas décadas, denunciou-se, com razão, a quantas más causas de encobrimento da iniquidade e manutenção de perversões serviu o espírito de conciliação, jogou-se a ideia fora junto à água suja e ao bebê. O gesto conciliador foi gravado na concha das ostras e mandado a se roçar nas próprias, entanguido e estigmatizado.”
Ele continua: “A mais moderna neurociência me respalda, em tal apologia da cooperação. Cito Antonio Damásio, em “A Estranha Ordem das Coisas”, a discorrer sobre nosso caminho evolutivo de bactérias a mamíferos superiores: “Esse longo processo de evolução e crescimento é repleto de exemplos de cooperações poderosas, embora os relatos dessa história costumem dar grande destaque à competição. (...) O princípio é sempre o mesmo: organismos abrem mão de alguma coisa em troca de algo que outros podem lhes oferecer; a longo prazo, isso torna a vida deles mais eficiente e aumenta a probabilidade de sobrevivência. (...) as bactérias, ou células nucleadas, abrem mão é de sua independência; o que recebem em troca é acesso (...) aos produtos que são gerados por um arranjo cooperativo, compostos de nutrientes indispensáveis (...) acesso a oxigênio ou vantagens climáticas. Lembre-se disso da próxima vez que ouvir alguém dizer que os acordos internacionais de comércio são má ideia”.
O documentarista e editor da revista Piauí João Moreira Salles, publicou um texto com o título: “Anotações sobre uma pichação” no qual desenvolve argumentos analíticos, políticos e filosóficos a partir da frase “Não fui eu”, que recentemente se espalhou pelas ruas do Rio, pichada em vários muros da cidade. De autor desconhecido, a frase é curiosa e fala muito do comportamento geral que temos visto em nosso país: a falta de espírito cívico, a falta de compromisso com o que é coletivo, a falta de responsabilidade por nossos próprios atos.
Vale a pena ler. É uma excelente reflexão, um texto muito bem escrito e fundamentado.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

A situação extremamente difícil porque passa nosso país nos remete à busca de alternativas para encontrar a luz no fim do túnel.

Começa a circular uma proposta que, a princípio, parece comprometida com a corrupção, mas que, analisada com seriedade e consciência, pode levar a uma transição do momento que estamos vivendo – de apuração severa da corrupção que envolveu boa parte dos políticos e dos grandes empresários brasileiros – a um encaminhamento aceitável: a ideia da conciliação.

 
Pontos de encontro em Campo Grande PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 30 de Julho de 2018 19:08
PONTOS DE ENCONTRO EM CAMPO GRANDE
Campo Grande, esta maravilhosa cidade, cujos encantos não me canso de exaltar, sempre teve locais tradicionais de encontro de nossa gente, e que, naturalmente, com o tempo foram mudando de lugar. Nos seus primórdios uma cidade provinciana, até certo ponto tranquila, sempre foi constituída por gente solidária e amiga. Os antigos habitantes cultivavam hábitos de encontro, em locais pré-determinados que com o tempo se consagraram e fazem parte de nossa história.
Assim, nos anos 50, o ponto mais antigo de que me lembro era a Farmácia São José, que ficava na rua 14 de Julho, entre o Café Néctar dos irmãos Zahran (que logo depois se transformou numa loja de fogões a gás, quando teve início o futuro império empresarial da família) e a livraria Rui Barbosa, do Abel Freire de Aragão. Ali batia ponto diariamente o dr. Celso Azevedo – sempre de terno –, médico dos mais humanitários  que reunia seus colegas e amigos para um papo sadio. Segundo Paulo Machado, em seu livro, Pelas Ruas de Campo Grande, ali se encontravam no final do expediente os intelectuais, profissionais liberais e comerciantes.
Mais tarde esse ponto se deslocou para a loja do Gabura, que ficava um pouco mais à frente, ao lado da Exposição, a loja das irmãs Coelho, filhas do Laucídio Coelho, às quais “seu” Lúdio sempre se referia como “ as meninas”, e que permaneceram sempre solteiras.
A loja do Gabura, enquanto ali existiu (depois se mudou para o Shopping Campo Grande), reunia a juventude campo-grandense com seus expoentes discutindo política, altas fofocas e grandes projetos como a divisão do estado, a criação da universidade, etc.
O professor João Batista Campagnani Ferreira, em seu livro Bar do Nelson, Copo Sujo,           lançado em 2015, lista diversos locais que historicamente serviram como referência na nossa Campo Grande: Bar Bom Jardim, Bar Bom Gosto, Gato Que Ri, Vitorino. Restaurante do Rádio Clube, Galeto, Mangueira, Bar do Paulo, Quitanda Futurista, Ponteio, Restaurante da Dona Tita, Cabana Gaúcha, Chopp Center, La Carreta, Boi na Brasa, Restaurante Hong Kong,  Kabo’s Bar, Dom Marquito, Pizzaria Dico, Pizzaria Palácio, Peixaria Corumbaense, Padaria Espanhola,  lanchonete Topo Gigio, Bar Manda Brasa e, naturalmente, o próprio Copo Sujo.
Mas dentre todos esses, um dos poucos que passou por tantas transformações mas permanece invicto, no tempo e no espaço, é o Bar do Zé  – que já foi até anúncio na revista Piauí,  pelo fato de ser um dos raros estabelecimentos que até hoje ainda servem café feito em coador de pano – com uma longevidade digna de nota.
O Bar do Zé, cujo nome original era Bar São Jorge, foi aberto em 1953, por seu pai, Kintoro Okama, no local onde funcionava o Café Suave, dos Zahran. Quando ele faleceu, sua esposa, dona Hatsu –  carinhosamente chamada por todos de dona Maria – continuou com o bar. Ela atendia com muita alegria e era tratada com uma deferência especial por todos, que chegava às raias da reverência.
Quando o Zé assumiu a direção do bar, com o gradativo recolhimento de sua mãe devido à idade, naturalmente o lugar teve seu nome mudado para Bar do Zé, conseqüência natural diante das circunstâncias.
O local foi palco de grandes acontecimentos, como a luta para que a nossa universidade se tornasse federal, a mobilização pela divisão do estado, e as grandes discussões políticas que envolviam a todos com debates acalorados.
O Bar do Zé era a maior imobiliária a céu aberto do Brasil. Ali se discutiam e fechavam grandes vendas de imóveis urbanos e também de fazendas. Tinha ainda um ativo mercado de venda de gado. Essas atividades movimentavam constantemente o bar. O Zé, inclusive, com muito senso de oportunidade, soube participar de alguns negócios transacionados por lá.
O bar foi cenário de muitos acontecimentos, e o Zé, naturalmente, protagonizou alguns deles. O dr. Jorge Antônio Siufi – meu professor de direito penal, grande e festejado cronista de Campo Grande –, brindou-nos com o seguinte episódio: “Num determinado dia, apareceu uma pessoa que pediu um pastel; depois de olhar para o dito cujo, pediu para trocá-lo por um quibe. Comeu o quibe, limpou a boca e foi saindo. Zé interpelou o cidadão: ‘Ei, não vai pagar o quibe’?  E ele respondeu: ‘O quibe eu troquei pelo pastel’; ‘Pois pague então o pastel’. Ao que o outro retrucou: ‘Ué, o pastel eu não comi’. E foi saindo, deixando o nosso Zé com o olhar perdido no espaço”.
O bar foi também local de grandes e memoráveis peixadas, promovidas pelo saudoso Urbano Pereira que, depois de ter, por muitos anos uma das melhores barbearias da cidade, virou corretor de imóveis. Juvenal de Brito, jornalista e também corretor de imóveis, polêmico como poucos, utilizava o bar para os seus acalorados discursos sobre política, contando com uma plateia animada e participativa.
O Zé constitui-se, naturalmente, numa instituição em Campo Grande e uma referência de trabalho e dedicação. Como sempre, atrás de um grande homem, há uma grande mulher, e a Amélia – que poderia ter sido a legítima musa da famosa canção – é verdadeiramente uma mulher de verdade, e foi sempre o braço direito do marido, trabalhando diuturnamente ao lado dele com muita alegria. Atualmente o bar é dirigido pelo filho deles, Márcio, chegando, assim, à terceira geração.
Campo Grande é uma cidade que tem preservado por muito tempo, os seus locais de encontro, os quais, naturalmente, com o passar dos anos vão sendo modificados.
Dos tempos de antanho, o Armazém do Troncoso resiste até hoje como ponto de encontro, apesar de o Armazém ter sido desativado. Antônio Simão Abrão, o Troncoso, amigo de todos e com uma grande capacidade de juntar gente querida sempre reúne os amigos aos sábados para um tradicional churrasco.
Campo Grande é uma cidade abençoada, iluminada, pois é constituída por seres brilhantes: os que aqui nasceram, os que aqui chegaram e os que aqui vivem.
Dos que permanecem, Copo Sujo, de propriedade do Nelson Hokama, fica na rua Pedro Celestino, ao lado do antigo Ki Frutas, onde ele inicialmente montou um bar-quitanda com venda de verduras e frutas, com o nome original de Mercearia Gisele, em homenagem à filha caçula.
Aos poucos a atividade foi mudando naturalmente, tornando-se um bar com frequência notadamente masculina, e se transformou em mais um ponto de encontro, como vários que já existiam na cidade. O Copo Sujo resiste ao passar dos anos. Muitos mudaram de lugar, como por exemplo o Bar do Vitorino, ou deixaram de existir, como o antigo e histórico bar do Paulo, na rua Maracaju com a 13 de Junho, com seu imbatível frango à passarinho.
O Copo Sujo ainda hoje tem uma freguesia cativa e fiel que “bate o ponto” com frequência para botar o papo em dia. Tanto é que até criaram a confraria “Copo Sujo – bar do Nelsinho” com direito a carteirinha com foto e número de registro do confrade, assinada pelo presidente e vice-presidente. Além destes, uma diretoria bastante eclética completava os demais cargos, como diretor de futebol caipira, diretor gastronômico, diretor médico e diretor de fofocas.
Os princípios da confraria que constam da carteirinha são:
1. Ser desocupado (à noite).
2. Ser movido a álcool.
3. Saber beber e respeitar.
4. Ser companheiro.
5. Ser patriota.
6. Ser bom pai.
7. Ter confiança da família.
As discussões homéricas e apaixonadas sobre mulher, política e futebol duravam horas com apartes calorosos que sempre elevavam a temperatura do local, mas sem descambar para a violência. A confraria era na verdade, uma irmandade em que todos sempre se respeitavam.
Na administração do bar, Nelson conta com a ajuda solidária de seu irmão Maurício, que é quem sai de manhã cedo, a pé, para fazer as compras que abastecem o bar.
O Copo Sujo, como todo bar que se preze, se caracteriza pela informalidade, tanto no aspecto quando no mobiliário. É comum ver por ali pessoas sentadas em caixas de cerveja quando o bar está lotado.
O Copo é frequentado também por jogadores de futebol, jogadores de bozó (com campeonatos disputadíssimos), músicos, comerciantes, empresários, advogados, artistas, intelectuais, professores, enfim uma gama diversificada de gente que dá o colorido local.
Não se sabe a origem do nome, Copo Sujo, acredita-se que tenha sido um momento de inspiração de um frequentador criativo e abusado. Ali ninguém é melhor do que o outro. A energia do bar iguala todos. São frequentes as comemorações de aniversário e despedidas de solteiro.
É um ponto de encontro que se tornou tradicional e resiste à passagem do tempo.
Taí um assunto irresistível e inesgotável, colherei mais detalhes saborosos voltarei a ele em breve.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Campo Grande, esta maravilhosa cidade, cujos encantos não me canso de exaltar, sempre teve locais tradicionais de encontro de nossa gente, e que, naturalmente, com o tempo foram mudando de lugar. Nos seus primórdios uma cidade provinciana, até certo ponto tranquila, sempre foi constituída por gente solidária e amiga. Os antigos habitantes cultivavam hábitos de encontro, em locais pré-determinados que com o tempo se consagraram e fazem parte de nossa história.

Assim, nos anos 50, o ponto mais antigo de que me lembro era a Farmácia São José, que ficava na rua 14 de Julho, entre o Café Néctar dos irmãos Zahran (que logo depois se transformou numa loja de fogões a gás, quando teve início o futuro império empresarial da família) e a livraria Rui Barbosa, do Abel Freire de Aragão. Ali batia ponto diariamente o dr. Celso Azevedo – sempre de terno –, médico dos mais humanitários  que reunia seus colegas e amigos para um papo sadio. Segundo Paulo Machado, em seu livro, Pelas Ruas de Campo Grande, ali se encontravam no final do expediente os intelectuais, profissionais liberais e comerciantes.

 
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