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Contraponto PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 15 de Junho de 2012 00:00

A evolução tecnológica proporciona hoje mais rapidez nas comunicações, como nunca existiu até então. A globalização nos permite saber o que está acontecendo no outro lado do mundo instantaneamente. E essa velocidade concorre muitas vezes para que a superficialidade nos assuntos faça com que o que se leu de manhã, à tarde já se torne notícia velha. Sinal dos tempos.

No cenário político do nosso país, nestes tempos de petismo predominante, o que vemos são alianças entre políticos que, a princípio, não subiriam no mesmo palanque, mas, por míseros segundos na propaganda eleitoral na TV, se abraçam e se coligam. Como sabemos, os políticos encontram explicações para tudo. Como dizia o doutor Ulysses Guimarães: “política é como nuvem; você vê uma figura e ao olhar de novo, está tudo mudado”.

A cada dia, circulam nas redes sociais mensagens de cunho político, condenando ou absolvendo pessoas, partidos, governos. Há poucos dias recebi um e-mail desses, da professora Martha Pannunzio, que também é pecuarista, desancando o governo Dilma devido ao anúncio do novo benefício social instituído pela presidente, o Brasil Carinhoso. A autora da mensagem eletrônica é uma professora aposentada e pecuarista que critica o assistencialismo excessivo, a seu ver, do governo brasileiro, com argumentos válidos em alguns pontos e em outros não.

Contrapondo o ponto de vista da professora Martha, pronunciou-se publicamente o também professor Márcio Amêndola de Oliveira, professor de história na USP, apresentando seus argumentos, todos favoráveis ao governo petista e ao Lula. Quando entra a bipolarização partidária, ou a velha cantilena da luta do bem contra o mal, todos os fundamentos perdem sua substância.

Eu fico impressionado como cada lado consegue demonstrar o seu raciocínio de forma aparentemente irrefutável, defendendo os seus pontos de vista com tanta garra.O Os gregos, com a sabedoria que acumularam muitos séculos antes de enrascada do euro, inventaram uma expressão – húbris – para significar uma coisa que passa da medida, e pode ser sinônimo de presunção, arrogância, ou pura falta de comedimento que, com muita propriedade, se aplica aos dois lados da questão a que me refiro.

O conceito de contraponto, segundo os dicionários, é a disciplina que ensina a compor polifonia que, na música, é a técnica de composição onde não há uma linha melódica principal. As melodias se alternam entre si e formam harmonias com notas isoladas. Em política, significa contrapor as vantagens e desvantagens de cada posição, buscando ressaltar suas diferenças e puxando a brasa para sua sardinha. Não precisamos adentrar na política para constatar o contraponto: o ser humano, por natureza, é contraditório. Coerência é algo muito difícil de se conseguir porque os interesses pessoais variam e se alternam. Nélson Rodrigues pontifica sobre o tema: “O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz de ser imparcial”.

No caso dos dois textos pró e contra o PT, o teor inflamado das argumentações é justamente o que enfraquece o discurso, onde se misturam alhos e bugalhos tentando manipular a atenção de quem lê. Se separarmos o joio do trigo em cada caso, e relativizarmos o que cada um diz, aí sim podemos começar a exercer o senso crítico para absorver o que cada um tem de melhor. Os dois estão certos, em certa medida, mas também estão equivocados em sua abordagem exagerada dos fatos.

No campo filosófico, temos o maniqueísmo segundo o qual tudo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis e que se baseia em fundamentos opostos: o bem e o mal. E afirma que só existem duas possibilidades. Já a dialética – a busca da melhor solução – apresenta um leque de alternativas para que se procure um caminho que saia desse engessamento.

Na Justiça, o contraditório é um princípio. Sem este, não há como os juízes formarem o seu juízo. Na realidade, cabe a cada um procurar o seu melhor caminho. Para terminar uma frase do filósofo Thomas Hobbes: “Há uma luta constante, incessante entre os homens para adquirir mais poder. Tendem à discórdia por três razões principais: competição pelo lucro, a desconfiança e a glória”.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 17:56
 
Do Comerciante PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 12 de Maio de 2012 00:00

Há uma discussão interessante a respeito de qual seria a profissão mais antiga do mundo. Popularmente se diz que seria a prostituição. Mas há um engano nessa afirmação, porque profissão enseja necessariamente um pagamento em retribuição a um trabalho prestado. E no começo do mundo não havia dinheiro ou nada que se lhe equivalesse. A moeda só foi surgir na China, há 4000 anos. Com as características atuais, surgiu na Grécia no século VII a.C. Com a evolução, chegamos ao papel-moeda.

Primitivamente as comunidades eram formadas por pessoas que se aglutinavam em função de interesses comuns. A subsistência, inicialmente era provida por caça. Assim se pode considerar o ofício de caçador como uma das mais antigas. Mas mesmo assim, no começo não havia remuneração o que, novamente, invalida essa tese.

Outros consideram a agricultura como a atividade mais antiga. O que não se discute é que no começo o ser humano tinha de cuidar da alimentação da sua comunidade. E o que havia em excesso ou era produzido acima das necessidades do grupo, passaram a ser trocadas, iniciando-se aí a troca de mercadorias que foi denominada de escambo. No começo a troca era feita sem a preocupação da equivalência em valor. A criança, por exemplo, troca com um colega um brinquedo caro por outro de menor valor, mas que quer muito, sem considerar o seu preço.

Quando entra em cena a moeda, a situação começa a mudar significativamente. Com ela, a atividade passou a ser operação triangular, início do comércio. O comércio é a mola propulsora do progresso, desde que o mundo é mundo. Assim foi em todas as épocas, desde as mais remotas. O que nos leva a considerar como a profissão mais antiga a do comerciante e cuja atividade sempre contribuiu para um desenvolvimento geral.

No dia 16 de julho – data de nascimento de José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu – comemora-se em todo o Brasil o Dia do Comerciante, instituído pela lei nº 2048, de 26/12/53.  Trata-se de uma das datas mais importantes do nosso calendário, pois o comércio é vital para a economia de uma nação. Afinal, é por meio do comércio que são escoadas todas as produções, desde os produtos hortifrutigranjeiros, até os mais sofisticados equipamentos industriais.

O Visconde de Cairu foi sem dúvida alguma o político brasileiro mais influente em fins do século XVIII e parte do século XIX, influenciando diretamente D. João VI e depois D. Pedro I. Em 1809, organizou o código de comércio. Foram tantas as suas iniciativas, todas voltadas para o livre exercício das atividades comerciais e industriais em nosso país, que não caberiam neste artigo. Destaco também sua atuação no campo da educação: em 1832 lutou pela criação de uma universidade no Rio de Janeiro, que só foi concretizada 100 anos depois.

O dia do comerciante como registro histórico é o dia 16 de julho. Mas o comerciante é um profissional tão competente, que, na realidade, existem vários dias do comerciante em cada ano: dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, dia da criança, natal. Na realidade, se formos computar o que acontece mesmo, vamos chegar à conclusão que todo dia é dia do comerciante.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 17:36
 
Os grandes pioneiros PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 04 de Maio de 2012 00:00
Campo Grande sempre foi uma cidade bem aquinhoada de pessoas bem dotadas e corajosas, desde a sua fundação.
Tivemos grandes pioneiros, em todas as áreas. Vou listar os que eu conheci, desde já remitindo-me por eventuais falhas. Na pecuária: Laucídio Coelho, Etalívio Pereira Martins, Osvaldo Arantes, Geraldo Corrêa, Elisbério Barbosa, Antônio Morais dos Santos, Eduardo Machado Metello, Paulo Coelho Machado. Os mais antigos logo no começo das suas atividades adotaram o avião como meio preferencial de transporte. Isto quando o avião ainda era uma grande incógnita. Antônio Morais foi piloto por mais de cinquenta anos.
No transporte, Loureiro Pereira Queiróz, Valdevino Guimarães. No comércio Naim Dibo, Carmo Jabour, José Abrão, José e Michel Nasser, Aikel Mansour.
Na construção civil: Pedro Peluffo Arruda, Giannino Camillo, Arnaldino da Silva, Abdallah Georges Sleiman, Anees Salim Saad, Clóvis e Claúdio Orsi, Vicente e José Oliva.
Pelo que eu sei, destes, somente Laucídio Coelho teve sua vida registrada em livro pelo seu genro, recentemente falecido, Antônio Barbosa de Souza. Dele, Laucídio, conheço um episódio: quando já afastado da linha de frente dos negócios, com idade bem avançada, mas sempre muito lúcido, reuniu seus filhos e os orientou para que adquirissem uma fazenda na região da serra da Bodoquena. Os filhos reunidos começaram a argumentar sobre as vantagens e desvantagens do negócio, quando “seu” Laucídio bateu a bengala fortemente em cima da mesa dizendo: “Não mandei discutir, mandei comprar”. Com isso se encerraram as discussões e trataram de cumprir o que ele havia determinado.
Já Etalívio Pereira Martins afirmava sempre: “Quem quiser vender, tem que botar no jeito”, ou seja, com preço e condições de pagamento. Uma frase de Elisbério Barbosa: “A vida é maravilhosa quando não se tem medo dela”.
Nos transportes, o Queiróz e o Valdevino, foram dos mais corajosos. Queiróz, misto de motorista+cobrador+mecânico, iniciou com a linha, Dourados/Itaúm/Maracaju, em uma jardineira mista que era um veículo sem portas, com as laterais abertas por onde entravam e saiam os passageiros. Conduzia gente e transportava carga, tinha hora de saída, mas poucas vezes, de chegada. E assim, viagem após viagem, foi construindo aos poucos essa empresa gigante que é o Expresso Queiróz.
Valdevino com a sua empresa Baleia (balança, mas não cai), tinha as mesmas dificuldades do Queiróz, na linha Campo Grande/Cuiabá. Mas enfrentando toda uma série de embates da adversidade, conseguiu a duras penas vencer. Depois foi deputado por algumas legislaturas.
Fica assim um breve registro sobre alguns dos nossos grandes pioneiros.


Campo Grande sempre foi uma cidade bem aquinhoada de pessoas bem dotadas e corajosas, desde a sua fundação. Tivemos grandes pioneiros, em todas as áreas.

Vou listar os que eu conheci, desde já remitindo-me por eventuais falhas. Na pecuária: Laucídio Coelho, Etalívio Pereira Martins, Osvaldo Arantes, Geraldo Corrêa, Elisbério Barbosa, Antônio Morais dos Santos, Eduardo Machado Metello, Paulo Coelho Machado. Os mais antigos logo no começo das suas atividades adotaram o avião como meio preferencial de transporte. Isto quando o avião ainda era uma grande incógnita. Antônio Morais foi piloto por mais de cinquenta anos.

Destacamos no transporte, Loureiro Pereira Queiróz, Valdevino Guimarães. No comércio Naim Dibo, Carmo Jabour, José Abrão, José e Michel Nasser, Aikel Mansour.Na construção civil: Pedro Peluffo Arruda, Giannino Camillo, Arnaldino da Silva, Abdallah Georges Sleiman, Anees Salim Saad, Clóvis e Claúdio Orsi, Vicente e José Oliva.

Pelo que eu sei, destes, somente Laucídio Coelho teve sua vida registrada em livro pelo seu genro, recentemente falecido, Antônio Barbosa de Souza. Dele, Laucídio, conheço um episódio: quando já afastado da linha de frente dos negócios, com idade bem avançada, mas sempre muito lúcido, reuniu seus filhos e os orientou para que adquirissem uma fazenda na região da serra da Bodoquena. Os filhos reunidos começaram a argumentar sobre as vantagens e desvantagens do negócio, quando “seu” Laucídio bateu a bengala fortemente em cima da mesa dizendo: “Não mandei discutir, mandei comprar”. Com isso se encerraram as discussões e trataram de cumprir o que ele havia determinado.

Já Etalívio Pereira Martins afirmava sempre: “Quem quiser vender, tem que botar no jeito”, ou seja, com preço e condições de pagamento. Uma frase de Elisbério Barbosa: “A vida é maravilhosa quando não se tem medo dela”. 

Nos transportes, o Queiróz e o Valdevino, foram dos mais corajosos. Queiróz, misto de motorista+cobrador+mecânico, iniciou com a linha, Dourados/Itaúm/Maracaju, em uma jardineira mista que era um veículo sem portas, com as laterais abertas por onde entravam e saiam os passageiros. Conduzia gente e transportava carga, tinha hora de saída, mas poucas vezes, de chegada. E assim, viagem após viagem, foi construindo aos poucos essa empresa gigante que é o Expresso Queiróz.

Valdevino com a sua empresa Baleia (balança, mas não cai), tinha as mesmas dificuldades do Queiróz, na linha Campo Grande/Cuiabá. Mas enfrentando toda uma série de embates da adversidade, conseguiu a duras penas vencer. Depois foi deputado por algumas legislaturas. 
Fica assim um breve registro sobre alguns dos nossos grandes pioneiros.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:21
 
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