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Casa Hildebrando Campestrini PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 15 de Abril de 2017 22:48
CASA HILDEBRANDO CAMPESTRINI
No dia 1º de abril, com a presença da quase totalidade dos associados, foi descerrada a placa que denominou o prédio do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul com o nome de HILDEBRANDO CAMPESTRINI.
Uma justa homenagem a quem dedicou os últimos quinze anos de sua vida a registrar a história da nossa gente e do nosso estado. Na qualidade de presidente do Instituto o professor Campestrini cumpriu essa missão de uma forma apaixonada e com uma disciplina invejável.
Em emocionado discurso, seu filho Hildebrando Júnior, falou do amor de seu pai pelo Instituto que considerava sua segunda casa. “Aqui ele depositava sua vontade de criar um mundo melhor, e nesta casa, em conjunto com cada um dos senhores e senhoras, seu desejo por muitas vezes foi realizado”.
E continuou: “Nele havia um desejo latente de fortalecer no povo sul-mato-grossense o sentimento de pertencimento, desejo esse que o movia. Ele tentou levar a cada cidadão desta terra o orgulho e o conhecimento de sua história, principalmente por gratidão àqueles que lutaram bravamente por este chão e um desejo de ensinar incessante”.
Disse ainda: “Acredito que esse foi o seu legado, o legado que esta casa deve considerar ao pensar em seus próximos passos, afinal, nós, sul-mato-grossenses de todas as origens, devemos saber o quanto de sangue e suor foi derramado para que exista hoje um estado pujante, forte e cheio de esperança”.
Na ocasião, a professora Silvia Regina Roberto, a viúva, que testemunhou sua dedicação constante, disse que o Instituto, era a grande motivação e inspiração da vida dele. O professor Campestrini respirava o Instituto.
O professor Paulo Eduardo Cabral, atual presidente do Instituto, encerrando a comovente cerimônia, disse da responsabilidade de sucedê-lo na presidência e do compromisso de todos os associados de dar continuidade à sua obra.
Campestrini foi um mestre como poucos. Teve milhares de alunos. Dos que eu conheci, todos se referiam a ele com reverência. Ele não alisava. Era rígido, exigente, não tolerava mediocridade.
Um gigante, mestre dos mestres na cultura, dedicou sua vida à pesquisa, à história, ao ensino. Foi professor, em sala de aula, por mais de cinquenta anos.
Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado por D. Pedro II. O único em nosso estado. Foi ainda acadêmico da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, da qual foi presidente.
Foi também professor na Escola de Magistratura do Tribunal de Justiça, ministrando aulas para juízes. Fazia palestras por todo o Brasil, nos tribunais de Contas e de Justiça ensinando como redigir ementas, etc.
Definia-se como agnóstico. E dialético. Buscava sempre a melhor solução. Era um verdadeiro operário do saber. Trabalhava sem cessar. De domingo a domingo.
Recuperou para a cultura a obra de Hélio Serejo – jornalista e escritor sul-mato-grossense que retratou o ciclo da erva-mate, registrando o dia-a-dia dos trabalhadores nos ervais. Serejo foi tão importante que dá nome à ponte que liga o estado de São Paulo ao de Mato Grosso do Sul. O legado de Serejo resultou num conjunto de 50 livros, significativo e importante, revisto e editado pelo professor. Campestrini que assina as notas adicionadas à obra.
O professor também editou, entre tantos outros livros, Inocência, de Visconde de Taunay, uma obra tão importante que, por iniciativa dele e decisão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, tornou-se oficialmente o livro-símbolo do nosso estado, tendo sido adaptado para o cinema sob a direção de Walter Lima Jr, com Fernanda Torres no papel principal.
A realização de que mais se orgulhava o professor Campestrini era A Enciclopédia das Águas de Mato Grosso do Sul, uma obra ciclópica, um inventário literário de todos os cursos d’água de nosso estado, desde rios, córregos, corixos, etc., com 7.119 verbetes e 154 cartas hidrográficas. O livro foi editado sob sua coordenação e com a participação dos professores Ângela Antonieta Atanásio Laurino, Arnaldo Menecozzi e Francisco Mineiro Júnior. Não existe obra similar no Brasil.
Também de autoria de Campestrini o livro A História de Mato Grosso do Sul encontra-se na oitava edição. O professor editou mais de quarenta livros na série Memórias Sul-Mato-Grossenses.
O professor era também um homem voltado para as instituições filantrópicas. Foi associado da Associação Beneficente de Campo Grande, Santa Casa, da qual foi membro do conselho de administração e defensor intransigente da entidade.
Convivi com ele diuturnamente, nos últimos 14 anos. Fui convidado pelo professor para ser seu vice-presidente no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, em 2002. Disse-lhe, que eu não era professor, nem escritor, e não via como participar de uma instituição como aquela. Mas fui convencido e aceitei o desafio, que culminou sendo  uma oportunidade de aprendizado constante.
Hildebrando Campestrini foi para mim um mestre que marcou minha vida de forma indelével.
A homenagem que lhe foi prestada é um justo reconhecimento e também um legado para o nosso estado.
Heitor Freire – associado do IHGMS.

No dia 1º de abril, com a presença da quase totalidade dos associados, foi descerrada a placa que denominou o prédio do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul com o nome de HILDEBRANDO CAMPESTRINI.

Uma justa homenagem a quem dedicou os últimos quinze anos de sua vida a registrar a história da nossa gente e do nosso estado. Na qualidade de presidente do Instituto o professor Campestrini cumpriu essa missão de uma forma apaixonada e com uma disciplina invejável.

 
Luís Alexandre, um altruísta PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 10 de Abril de 2017 22:01
LUÍS ALEXANDRE, UM ALTRUÍSTA
Campo Grande é uma cidade que se caracteriza pela elevada consciência espiritual de muitos de seus moradores, que se constituíram em exemplos vivos de amor ao próximo, deixando legados que imortalizaram seus nomes.
São tantos, que, quando se pretende registrá-los, corre-se o risco de cometer injustiça pela omissão de algum nome de primeira grandeza. Mesmo assim, correndo esse risco, menciono, por exemplo, Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Eduardo Olímpio Machado, Camillo Boni, Arlindo de Andrade Gomes, Vespasiano Barbosa Martins, Hércules Maymone, João Nogueira Vieira, Maria Constança de Barros Machado, Oliva Enciso e Luís Alexandre de Oliveira.
Essas pessoas deixaram seus nomes inscritos em nossa história pelo altruísmo de seus atos. O altruísmo é o comportamento que caracteriza uma ação que proporciona ao outro a oportunidade de conseguir uma conquista que, sozinho não conseguiria. É a anulação da pessoa em benefício do outro. É o contrário do egoísmo.
Dentre as personalidades citadas acima, destaco hoje, a figura ímpar de Luís Alexandre de Oliveira, uma pessoa que bem exemplifica o altruísmo praticado no seu mais elevado grau, sendo também um exemplo marcante de superação.
Filho de uma lavadeira, Luís Alexandre, negro, ao nascer ficou cego de um olho por imperícia da enfermeira que assistia ao seu parto, que o atingiu acidentalmente na visão logo em seus primeiros momentos de vida. Desafortunadamente, ele tinha também uma acentuada deficiência visual no outro olho. Usava um óculos com lente de “fundo de garrafa” para o olho esquerdo, já que no direito nada enxergava.
Apesar da situação, Luís Alexandre soube superar essa deficiência. Para ler um texto, por exemplo, ele tinha que aproximá-lo bem rente ao olho. Com a fragilidade imposta pela condição física, tinha grande dificuldade em ler.
Luís Alexandre nasceu em Minas Gerais e aqui aportou com a mãe, Januária Maria de Oliveira, que buscava um meio de sobrevivência para educar o filho. Radicaram-se em Aquidauana e ali ela trabalhou como lavadeira. Logo depois mudaram-se para Campo Grande, onde o menino começou seus estudos em escola pública.
Em Campo Grande, Luís Alexandre começou a trabalhar na execução da rede de água da cidade, com picareta. Conseguiu fazer o curso primário no então Instituto Pestalozzi. Demonstrando desde cedo sua vocação para a educação, lecionou em sua própria casa, iniciando uma escola primária, o Instituto Rui Barbosa.
Tempos depois, Luís Alexandre foi convidado para dar aulas na Escola Visconde de Cairu, destinada aos filhos da colônia japonesa. Foi o primeiro professor brasileiro daquela instituição. Nasceu daí sua ligação com o país do sol nascente. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde se graduou em direito, voltando para Campo Grande.
Em 1937, diante da perseguição aos japoneses por causa da Segunda Guerra Mundial, Luís Alexandre assumiu a direção da Escola Visconde de Cairu, para evitar que fosse fechada pela ditadura Vargas. Foi o grande e intransigente defensor da colônia japonesa ante a feroz perseguição do regime. Depois da guerra, devolveu a direção da escola a seus verdadeiros donos.
Por essa dedicação, Luís Alexandre foi homenageado pelo governo de Okinawa e do imperador Hiroito, recebeu a comenda da Ordem do Sol Nascente.
Tempos depois, Luís Alexandre adquiriu o Colégio Osvaldo Cruz, e como seu diretor foi o mentor profissional de grandes figuras da nossa cidade. Implantou diversos cursos noturnos, permitindo, assim, acesso a uma população que trabalhava de dia e só podia estudar à noite. Eu, ainda menino, aos 11 anos, me lembro dos acalorados discursos que ele proferia semanalmente aos alunos do turno matutino, com veemência e ardor cívico jamais vistos. Foi o primeiro grande orador a que assisti pessoalmente.
Graças ao seu trabalho, Luís Alexandre amealhou um patrimônio considerável. Ao morrer, solteiro e sem herdeiros, doou todos os seus bens a instituições de benemerência. À Loja Maçônica Oriente Maracajú número 1, da qual foi obreiro por mais de 40 anos, doou uma área central bem valorizada, ao lado do Colégio Osvaldo Cruz.
O prédio do Colégio Osvaldo Cruz foi doado por ele para a Associação Beneficente de Campo Grande – Santa Casa que, em sua homenagem, implantará ali uma instituição com o seu nome, perpetuando-o justamente no ideal que norteou sua vida: a educação. Será naquele local instalada a escola de saúde dr. Luís Alexandre de Oliveira,  embrião da futura faculdade de medicina da Santa Casa.
Luís Alexandre doou a casa em que morou para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, da qual era membro. Seu escritório, localizado na avenida Calógeras, foi destinado à Federação Espírita de Mato Grosso do Sul. Também doou um terreno para a Sociedade Municipal Espírita, localizado próximo ao Colégio Osvaldo Cruz.. E seu pecúlio maçônico foi concedido ao Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos.
Sem dúvida alguma, Luís Alexandre de Oliveira foi um exemplo vivo de superação, competência, altruísmo e de filantropia a ser seguido.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Campo Grande é uma cidade que se caracteriza pela elevada consciência espiritual de muitos de seus moradores, que se constituíram em exemplos vivos de amor ao próximo, deixando legados que imortalizaram seus nomes. 

São tantos, que, quando se pretende registrá-los, corre-se o risco de cometer injustiça pela omissão de algum nome de primeira grandeza. Mesmo assim, correndo esse risco, menciono, por exemplo, Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Eduardo Olímpio Machado, Camillo Boni, Arlindo de Andrade Gomes, Vespasiano Barbosa Martins, Hércules Maymone, João Nogueira Vieira, Maria Constança de Barros Machado, Oliva Enciso e Luís Alexandre de Oliveira.

Última atualização em Ter, 11 de Abril de 2017 18:32
 
Pai Nosso PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 04 de Abril de 2017 01:55
PAI NOSSO
Dentre tantos sábios e eternos ensinamentos que Jesus nos deixou, a forma mais apropriada para orar, o Pai Nosso, é sem dúvida dos mais significativos. Ele conseguiu, com sua sabedoria natural, sintetizar em poucas palavras nessa oração um conjunto de situações que orienta a devoção dos cristãos.
E como toda orientação geral, acaba gerando ao longo do tempo, discussões as mais variadas.
Não é diferente com o Pai Nosso. Começa com a sua origem: em Mateus (6, 9-13) e Lucas  (11,2-4). Mateus coloca o Pai Nosso no Sermão da Montanha, o maior e mais importante discurso da humanidade. Lucas, no longo percurso da caminhada de Jesus rumo a Jerusalém, pois entendia que o homem deve aprender a rezar enquanto vai pelas estradas da vida, a fim de vivenciar a contínua e indispensável união com Deus.
O que, de qualquer maneira, resulta claro é que Ele ensinou a oração primeiramente a  seus apóstolos. Segundo São Lucas, Jesus ensinou esta oração a seus discípulos, privadamente, num dia em que estava rezando sozinho num lugar afastado. Ao terminar sua oração, atendendo ao pedido dos apóstolos, Jesus lhes falou: “quando vocês rezarem, digam assim”. E lhes ensinou as palavras do Pai-Nosso (11, 2-4).
Mateus e Lucas colocaram a oração onde, a seu critério, ficava melhor, segundo sua própria teologia. O emprego da primeira pessoa do plural dá um caráter comunitário à oração: "E perdoa-nos as nossas dívidas como também nós perdoamos aos nossos devedores."
A diferença entre as duas versões se dá exatamente no trecho acima. Mateus usa a versão acima. Lucas: “Perdoa os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos aqueles que nos devem”.
Já a Bíblia do Peregrino, traduz essa frase como: "Perdoa nossas ofensas como também nós perdoamos aos que nos ofendem".
O Catecismo aprovado pelo episcopado brasileiro em 1903 usava, no Pai-Nosso, a fórmula "perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores", Na realidade, a fórmula é a usada por Mateus e é a mais antiga, e possivelmente já estava em uso desde os primórdios da colonização.
Já a nova versão do Pai-Nosso, adotada no fim da década de 60, emprega, em lugar da expressão "nossas dívidas", as palavras "nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido". Baseada então na versão de Lucas.
Dando meu pitaco, penso que a redação de Lucas ficaria melhor assim: “Perdoai nossas ofensas, assim como nós perdoamos a nossos ofensores”.
Essa discussão da forma não invalida, naturalmente, a importância e o significado da oração que se constituiu na mais importante oração da cristandade.
O Pai nosso foi fundamental na separação do cristianismo nascente do judaísmo. Ao separar-se do judaísmo, o cristianismo teve que ir adquirindo uma identidade própria e a principal separação da espiritualidade judaica era a oração. O cristianismo teria que buscar sua própria oração, para não ser considerado uma seita do judaísmo. O Pai nosso passaria a ser a principal separação que diferenciaria o povo "novo" do "velho" neste ponto da história. A diferença não estava muito clara, entre os judeus e os primeiros seguidores do cristianismo.
Na oração o homem se volta para Deus, reconhecendo-o como único absoluto, e reconhecendo a si mesmo como criatura dele.
Enfim, o fundamental é que devemos todos orar conscientemente.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Dentre tantos sábios e eternos ensinamentos que Jesus nos deixou, a forma mais apropriada para orar, o Pai Nosso, é sem dúvida dos mais significativos. Ele conseguiu, com sua sabedoria natural, sintetizar em poucas palavras nessa oração um conjunto de situações que orienta a devoção dos cristãos.

E como toda orientação geral, acaba gerando ao longo do tempo, discussões as mais variadas. Não é diferente com o Pai Nosso.

 
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