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Réquiem por Leonardo e Breno PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qui, 27 de Setembro de 2012 00:00
RÉQUIEM POR LEONARDO E BRENO
A violência é uma realidade presente em todos os lugares do mundo, assusta a toda a humanidade. Quando se apresenta próxima a nós, causa uma reação mista de revolta, espanto, aturdimento, impotência, incompreensão. Não dá para entender o que leva alguém a cometer atos de agressividade, causando muitas vezes conseqüências irreparáveis como quando comete assassinatos para obter uma vantagem ilícita, e cuja ação de imediato, leva os assassinos à prisão. O fruto da ação ilícita não chega nem a produzir nenhum efeito “benéfico” para os autores.
Esta fase de evolução da humanidade está se caracterizando por atos extremos: de terrorismo, assaltos, assassinatos, estupros, violência. Penso que chegamos ao ponto mais baixo desta etapa. Espero que, a partir de agora ou daqui a pouco a curva ascendente da evolução recomece o seu ciclo, proporcionando a todos nós uma reflexão sobre nossos atos, para que possamos todos, conscientemente contribuir para que a paz seja restabelecida em nosso planeta. Na minha experiência só a doutrina espírita tem condições de explicar o que acontece. Seria extremamente injusto se a oportunidade da encarnação fosse única.
O que aconteceu dias atrás quando os jovens Leonardo e Breno foram covardemente assassinados deixando seus familiares, amigos e a sociedade em geral em estado de inconformismo é bem representativo disso que estou dizendo.
No caso do Leonardo, além da perda de um jovem em plena exuberância, perdemos também um poeta dotado de “admirável pendor literário” no dizer do dr. Salomão Francisco Amaral. Agradeço a ele a gentileza de ter me encaminhado a poesia Janela, de autoria do Leonardo, escrito no dia 10 de agosto último, 20 dias antes do seu brutal assassinato e que reproduzo para que os leitores possam avaliar a perda ocorrida.
JANELA
“A ponta do meu dedo/Está a descascar/E tenho medo/Que todo eu seja novo/Daqui a alguns dias//
Mas qual me é/O problema de ser novo?/Perder tudo o que tenho?/E que é tudo que tenho?//
Talvez eu seja nada.../Em minha casa/Havia uma janela no teto./Uma vidraça difícil de se limpar,/Porque era muito alta,/Mas eu sempre limpava bem.//
Até que um dia/Uma pedra irrompeu por ela/E eu me cortei um pouco/Com os cacos/
Que caíram no chão.//
Foi aí que pude/Pegar aqueles belos cacos/E examiná-los de perto,/Com cuidado/Um a um//
Estavam ensebados,/Quase todos eles,/Então não repus a vidraça,/Nem procurei quem atirara/A simples pedra. Não importava//
Dali em diante/O sol, a lua, o vento e a chuva/Entravam quando queriam/Lugar nenhum melhor/Para vasos, que flores, ali, conceberam.//
Espero que mais coisas/Me entrem pela janela/E que obriguem a mudar a sala,/Assim não me entedio/E não canso dos dias.//
Pensando bem.../Espero terminar de descascar logo/Assim não entedio de mim/Afinal só o eu e o que vivi/Me faz parte, nada mais...”///
Na lembrança distribuída deles, está reproduzida parte de outra poesia – Olhar Vivente:
“Como agradecer? Como vou brindar?/Mesmo com os pesares deste mundo/Posso sorrir frente ao valoroso ar/Penetrar o céu adocicado mais fundo.”//
Certamente Leonardo continua no seu labor poético, onde se encontra com o seu inseparável amigo Breno. Irmãos, juntos na vida, juntos na passagem, juntos na espiritualidade.
Heitor Freire – www.heitorfreire.com.br
A violência é uma realidade presente em todos os lugares do mundo, assusta a toda a humanidade. Quando se apresenta próxima a nós, causa uma reação mista de revolta, espanto, aturdimento, impotência, incompreensão. Não dá para entender o que leva alguém a cometer atos de agressividade, causando muitas vezes conseqüências irreparáveis como quando comete assassinatos para obter uma vantagem ilícita, e cuja ação de imediato, leva os assassinos à prisão. O fruto da ação ilícita não chega nem a produzir nenhum efeito “benéfico” para os autores.
Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:17
 
O moleque da rua 13 PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 08 de Outubro de 2012 19:58
O MOLEQUE DA RUA 13
Quando eu era criança, nos idos de 1940 a 1952, as brincadeiras que existiam eram muito simples e inventivas porque tudo dependia do que cada um criava, já que não havia celulares, computadores, internet e nenhuma outra dessas maravilhas que o gênio criador do ser humano foi inventando tempos afora.
Nós jogávamos bolitas (bolinhas de gude), pião, soltávamos pandorga, finca-finca, bete-ao-ombro, ficávamos o tempo todo envolvidos com o que se ia inventando.
Pois bem, na rua 13 de Maio, entre a Maracajú e a Antônio Maria Coelho, vivia o nosso protagonista de hoje: Haroldo Barcellos Braga, filho do dr. Randolpho da Silva Braga (um dos dentistas mais antigos da cidade, homem severo, disciplinador) e de dona Nilza Barcellos Braga (uma senhora distinta, de porte aristocrático). O Haroldo era o que se pode classificar como um guri muito ativo, criativo, inteligente, ousado, atrevido. Várias foram as peripécias que ele criou e viveu.
Pois, certa vez, os pais de Haroldo viajaram para uma estação de águas em Araxá (antigamente era muito comum os casais viajarem para as cidades de águas minerais, Caxambu, Araxá, São Lourenço e outras da mesma região, para um período de descanso ou tratamento de saúde). O dr. Randolpho tinha um “Fordinho”. Como conhecia muito bem o próprio filho, deixou o carro estacionado na garagem de casa, que era bem estreita, e levou a chave na viagem. O Haroldo, que nunca tinha dirigido até então, tinha feito uma cópia da chave, tirou o carro da garagem e ficou passeando todo pimpão com o carro do pai, que, quando voltou, deu-lhe uma surra homérica.
Procurando botar o menino na linha, internou o filho no colégio Dom Bosco. Certo dia, e sabe-se lá por que motivo, Haroldo tomou de um padre um cascudo mais forte do que o habitual e respondeu-lhe com um “F.D.P.” – no que foi imediatamente expulso da escola. Para procurar conter o guri dentro de casa, o dr. Randolpho enfiou o filho dentro de um vestido da irmã, pensando que assim ele se sentiria vexado e não sairia na rua. O que ele fez? Conseguiu um cordão e amarrou o vestido entre as pernas, fazendo da parte da saia uma bermuda saruel e ganhou as ruas, todo satisfeito com sua criatividade. Mais uma surra.
Naquela época, o córrego – suponho que seja o Reveillau –, que descia dos altos da região leste da cidade tinha o seu curso entre as ruas Maracajú e Cândido Mariano, no meio das casas. Quando chegava perto da rua 13 de Maio, seguia pelo meio da rua Maracajú, a céu aberto, e quando enchia, causava um grande prejuízo para os moradores e para os comerciantes – um problema endêmico só resolvido pelo prefeito Levy Dias em sua primeira gestão (1973/1976), quando canalizou o córrego. Pois bem, o Haroldo sempre se metia pelo canal do córrego seguindo até sua confluência com o Segredo, onde pescava lambaris e bagres. Uma vez resolveu inovar: foi andando por dentro do bueiro, entrando por baixo da rua Maracajú até a Antônio Maria Coelho. Ao chegar na esquina, ainda debaixo da terra, encontrou dificuldades para abrir a tampa de concreto, e sair lá de dentro, e começou a gritar. Alguém que passava pelo local resolveu suspender a tampa e encontrou o nosso protagonista já um pouco assustado. Já tinham dado pela falta dele, começaram a procurá-lo e alguém lembrou que viu quando ele desceu para o bueiro. Procura daqui, procura dali, foram achá-lo saindo do bueiro. O alívio de encontrá-lo bem foi tão grande, que, dessa vez, ele se livrou da surra.
Inteligente como era, aos 16 anos prestou concurso nacional para V.E., Voluntário Especial da FAB,e ficou em segundo lugar. Quando se apresentou para a incorporação, como não tinha a idade mínima, não quiseram lhe dar a posse. O então comandante do destacamento da Base Aérea em Campo Grande, major Caldeiras,  sensibilizado com a capacidade do garoto o levou numa B-25  até o ministro da Aeronáutica no Rio de Janeiro, reivindicando o seu direito. O ministro, admirado com a ousadia do garoto, fez-lhe várias perguntas cujas respostas lhe satisfizeram, e determinou por portaria ministerial a sua incorporação. Depois disso, a FAB elevou a idade mínima para 18 anos.
Como se vê, ele não enjeitava pêlo nem marca, encarava todas.
Heitor Freire – www.heitorfreire.com.br

Quando eu era criança, nos idos de 1940 a 1952, as brincadeiras que existiam eram muito simples e inventivas porque tudo dependia do que cada um criava, já que não havia celulares, computadores, internet e nenhuma outra dessas maravilhas que o gênio criador do ser humano foi inventando tempos afora.Nós jogávamos bolitas (bolinhas de gude), pião, soltávamos pandorga, finca-finca, bete-ao-ombro, ficávamos o tempo todo envolvidos com o que se ia inventando. 

Última atualização em Seg, 05 de Novembro de 2012 20:34
 
O Cascudo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 15 de Setembro de 2012 00:00
O Cascudo
Nos altos da nossa cidade, em direção ao norte, fica o emblemático bairro do Cascudo, atualmente conhecido como São Francisco um dos mais antigos da cidade, com  influência muito significativa na nossa história. Pretendendo obter informações a respeito desse bairro, instado que fui a escrever sobre o mesmo pelo meu amigo Antônio (Tonico) Rodrigues, procurei o dr. Arnaldo Rodrigues, nascido e criado no local. O dr. Arnaldo, advogado dos mais competentes da nossa comarca, dividia sua banca de advocacia com os advogados Luiz Alexandre de Oliveira, Higa Nabukatsu (depois desembargador e presidente  do Tribunal de Justiça) e Cândido Fernandes. O escritório era localizado na rua Calógeras, onde hoje é a sede da Federação Espírita.
Hoje o dr. Arnaldo, no gozo do ócio com dignidade, depois de uma vida profícua de realizações, com a maior gentileza e boa vontade, franqueou-me estes dados. A propósito, em virtude da importância do Cascudo, conversando com o professor Hildebrando Campestrini, este me autorizou a propor ao dr. Arnaldo que escrevesse sobre o bairro para a publicação de um livro na série “Eu sou História”, publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, que ele aceitou e já está escrevendo. O material que me foi disponibilizado daria para alguns artigos, mas a história do Cascudo é tão rica que decidimos pelo livro, ficando sobre ele apenas este artigo, como referência.
Há uma versão muito antiga, segundo a qual o Cascudo era o nome, na verdade o sobrenome de um curandeiro e benzedor. Esse senhor morava nos altos da atual Rua Euler de Azevedo. Como tal, frequentemente atendia a muitas pessoas as quais, ao irem em busca de seus préstimos, diziam: “vamos ao Cascudo”, assim, o nome do curandeiro passou a ser o do bairro.
Outra versão é de que o nome decorreria do córrego Cascudo – um dos afluentes do córrego Segredo, e que tinha uma grande quantidade de peixe da espécie cascudo, peixe de couro.
Na realidade o bairro constituía mais que um aglomerado de casas, tinha uma população unida, consciente, trabalhadora. As atividades desenvolvidas ali eram as mais variadas, destacando-se: oficinas, carpintarias, bares, sapatarias, ferrarias, pedreira, máquinas de beneficiamento de arroz, açougue, barbearias e, nas imediações, o hospital Santa Casa e o colégio Dom Bosco.
Entre tantos fatos ali ocorridos, destacamos um que mostra o lado negativo e triste que caracterizou um período dos anos trinta do século passado: no bairro se instalou uma família conhecida como os baianinhos. Integrantes dessa família, sempre armados, roubavam gado e outros animais da região. Consta dos relatos dos antigos moradores que, certo dia, um dos baianinhos entrou numa barbearia e ordenou ao barbeiro que lhe fizesse a barba num determinado tempo sob pena de ser morto, caso não obedecesse o tempo indicado. Sob tal ameaça, o barbeiro começou o seu trabalho, que terminou dentro do tempo ordenado. O freguês lhe teria dito: “muito bem, você salvou a sua vida”, ao que o barbeiro lhe teria respondido: “quem se salvou foi você porque eu estava controlando o tempo e se não me fosse possível cumpri-lo, esta navalha em minhas mãos seria usada para a sua degola”. Ouvindo isso, o freguês, trêmulo, elogiou o barbeiro e dele se tornou amigo.
Aguardem o livro. Tenho certeza que ele agradará não só aos moradores do bairro como aos habitantes da nossa cidade.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Nos altos da nossa cidade, em direção ao norte, fica o emblemático bairro do Cascudo, atualmente conhecido como São Francisco um dos mais antigos da cidade, com  influência muito significativa na nossa história. Pretendendo obter informações a respeito desse bairro, instado que fui a escrever sobre o mesmo pelo meu amigo Antônio (Tonico) Rodrigues, procurei o dr. Arnaldo Rodrigues, nascido e criado no local. O dr. Arnaldo, advogado dos mais competentes da nossa comarca, dividia sua banca de advocacia com os advogados Luiz Alexandre de Oliveira, Higa Nabukatsu (depois desembargador e presidente  do Tribunal de Justiça) e Cândido Fernandes. O escritório era localizado na rua Calógeras, onde hoje é a sede da Federação Espírita.

Hoje o dr. Arnaldo, no gozo do ócio com dignidade, depois de uma vida profícua de realizações, com a maior gentileza e boa vontade, franqueou-me estes dados. A propósito, em virtude da importância do Cascudo, conversando com o professor Hildebrando Campestrini, este me autorizou a propor ao dr. Arnaldo que escrevesse sobre o bairro para a publicação de um livro na série “Eu sou História”, publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, que ele aceitou e já está escrevendo.

O material que me foi disponibilizado daria para alguns artigos, mas a história do Cascudo é tão rica que decidimos pelo livro, ficando sobre ele apenas este artigo, como referência.   Há uma versão muito antiga, segundo a qual o Cascudo era o nome, na verdade o sobrenome de um curandeiro e benzedor. Esse senhor morava nos altos da atual Rua Euler de Azevedo. Como tal, frequentemente atendia a muitas pessoas as quais, ao irem em busca de seus préstimos, diziam: “vamos ao Cascudo”, assim, o nome do curandeiro passou a ser o do bairro.

Outra versão é de que o nome decorreria do córrego Cascudo – um dos afluentes do córrego Segredo, e que tinha uma grande quantidade de peixe da espécie cascudo, peixe de couro. 

Na realidade o bairro constituía mais que um aglomerado de casas, tinha uma população unida, consciente, trabalhadora. As atividades desenvolvidas ali eram as mais variadas, destacando-se: oficinas, carpintarias, bares, sapatarias, ferrarias, pedreira, máquinas de beneficiamento de arroz, açougue, barbearias e, nas imediações, o hospital Santa Casa e o colégio Dom Bosco. 

Entre tantos fatos ali ocorridos, destacamos um que mostra o lado negativo e triste que caracterizou um período dos anos trinta do século passado: no bairro se instalou uma família conhecida como os baianinhos. Integrantes dessa família, sempre armados, roubavam gado e outros animais da região. Consta dos relatos dos antigos moradores que, certo dia, um dos baianinhos entrou numa barbearia e ordenou ao barbeiro que lhe fizesse a barba num determinado tempo sob pena de ser morto, caso não obedecesse o tempo indicado. Sob tal ameaça, o barbeiro começou o seu trabalho, que terminou dentro do tempo ordenado. O freguês lhe teria dito: “muito bem, você salvou a sua vida”, ao que o barbeiro lhe teria respondido: “quem se salvou foi você porque eu estava controlando o tempo e se não me fosse possível cumpri-lo, esta navalha em minhas mãos seria usada para a sua degola”. Ouvindo isso, o freguês, trêmulo, elogiou o barbeiro e dele se tornou amigo.

Aguardem o livro. Tenho certeza que ele agradará não só aos moradores do bairro como aos habitantes da nossa cidade.

Última atualização em Seg, 05 de Novembro de 2012 20:35
 
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