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Quo usque tandem ...? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 27 de Abril de 2012 00:00
O grande tribuno romano Marco Túlio Cícero imortalizou esta expressão ao dirigir-se a Lúcio Sérgio Catilina, que pretendia se apossar do poder em Roma para usurpá-lo em causa própria. Catilina só não tomou o poder devido à oposição firme e continuada de Cícero em quatro discursos que ficaram conhecidos como As Catilinárias. Quo usque tandem é uma expressão que se aplica sempre que há exorbitância continuada e arrogante por parte de um administrador público. E bem se aplica quanto à questão da Santa Casa, em pleno século XXI aqui em Campo Grande: Quo usque tandem, Nelsinho, abutere patientia nostra? [Até quando, Nelsinho, abusarás da nossa paciência?]
Não satisfeito com a “invasão” da Santa Casa, o prefeito Nelson Trad Filho extrapolou de suas atribuições ao tomar ilegalmente o prédio do Colégio Osvaldo Cruz, que havia sido doado em testamento pelo dr. Luiz Alexandre de Oliveira para a Associação Beneficente Santa Casa.
Como se sabe, o Colégio Osvaldo Cruz sempre foi particular, desde que foi criado pelo prof. Enzo Ciantelli e depois vendido para Wilson Barbosa Martins e José Fragelli, que o revenderam ao dr. Luiz Alexandre de Oliveira. Se a tomada da Santa Casa já foi ilegal, o que dizer, então, da atitude do prefeito ao designar como “escola municipal” um colégio que foi concebido e sempre funcionou como instituição privada?
Eu fui aluno do Osvaldo Cruz. Semanalmente, antes do início das aulas, ouvíamos as perorações apaixonadas do dr. Luiz Alexandre sobre o comportamento que deveríamos adotar como futuros cidadãos. Não dá para entender a decisão do prefeito. Reconhecido merecidamente, como um dos melhores administradores que a cidade já teve, nesse episódio da Santa Casa ele fez uma escolha que mancha sua trajetória política.
Em abril de 2013, por decisão judicial, a Associação Beneficente Santa Casa reassumirá o comando administrativo da instituição. Para isso, elaborou um projeto de gestão compartilhada que está sendo divulgado para outras entidades, tais como a Maçonaria e a Associação Comercial de Campo Grande. O objetivo é buscar a adesão de novos membros para o futuro conselho administrativo da Santa Casa. Representantes de classe dos médicos e dos enfermeiros também serão convidados para integrar o projeto. Em março a Associação se reuniu com o governador André Puccinelli, a fim de expor os detalhes do programa administrativo da nova diretoria da Santa Casa, recebendo o projeto com bastante simpatia e interesse.
No intuito de obter informações quanto à situação atual do hospital, a Associação Beneficente agendou uma reunião com o dr. Issam Moussa, presidente da junta interventora da Santa Casa, a quem foram solicitados documentos e informações da situação financeira e dos serviços prestados pelo hospital durante o período da intervenção do prefeito. O pedido foi negado pelos secretários de saúde do estado e do município.
Campo Grande precisa saber do que está acontecendo. A Associação Beneficente Santa Casa pretende realizar uma transição ordenada e responsável, para que se possa avaliar o que nos aguarda a partir de abril do ano que vem. A Associação se mantém firme no propósito de retomar a administração do hospital e do Colégio Osvaldo Cruz.

O grande tribuno romano Marco Túlio Cícero imortalizou esta expressão ao dirigir-se a Lúcio Sérgio Catilina, que pretendia se apossar do poder em Roma para usurpá-lo em causa própria. Catilina só não tomou o poder devido à oposição firme e continuada de Cícero em quatro discursos que ficaram conhecidos como As Catilinárias. Quo usque tandem é uma expressão que se aplica sempre que há exorbitância continuada e arrogante por parte de um administrador público. E bem se aplica quanto à questão da Santa Casa, em pleno século XXI aqui em Campo Grande: Quo usque tandem, Nelsinho, abutere patientia nostra? [Até quando, Nelsinho, abusarás da nossa paciência?] 

Não satisfeito com a “invasão” da Santa Casa, o prefeito Nelson Trad Filho extrapolou de suas atribuições ao tomar ilegalmente o prédio do Colégio Osvaldo Cruz, que havia sido doado em testamento pelo dr. Luiz Alexandre de Oliveira para a Associação Beneficente Santa Casa. Como se sabe, o Colégio Osvaldo Cruz sempre foi particular, desde que foi criado pelo prof. Enzo Ciantelli e depois vendido para Wilson Barbosa Martins e José Fragelli, que o revenderam ao dr. Luiz Alexandre de Oliveira.

Se a tomada da Santa Casa já foi ilegal, o que dizer, então, da atitude do prefeito ao designar como “escola municipal” um colégio que foi concebido e sempre funcionou como instituição privada?Eu fui aluno do Osvaldo Cruz. Semanalmente, antes do início das aulas, ouvíamos as perorações apaixonadas do dr. Luiz Alexandre sobre o comportamento que deveríamos adotar como futuros cidadãos.

Não dá para entender a decisão do prefeito. Reconhecido merecidamente, como um dos melhores administradores que a cidade já teve, nesse episódio da Santa Casa ele fez uma escolha que mancha sua trajetória política.  Em abril de 2013, por decisão judicial, a Associação Beneficente Santa Casa reassumirá o comando administrativo da instituição. Para isso, elaborou um projeto de gestão compartilhada que está sendo divulgado para outras entidades, tais como a Maçonaria e a Associação Comercial de Campo Grande. O objetivo é buscar a adesão de novos membros para o futuro conselho administrativo da Santa Casa. Representantes de classe dos médicos e dos enfermeiros também serão convidados para integrar o projeto.

Em março a Associação se reuniu com o governador André Puccinelli, a fim de expor os detalhes do programa administrativo da nova diretoria da Santa Casa, recebendo o projeto com bastante simpatia e interesse.

No intuito de obter informações quanto à situação atual do hospital, a Associação Beneficente agendou uma reunião com o dr. Issam Moussa, presidente da junta interventora da Santa Casa, a quem foram solicitados documentos e informações da situação financeira e dos serviços prestados pelo hospital durante o período da intervenção do prefeito. O pedido foi negado pelos secretários de saúde do estado e do município. 

Campo Grande precisa saber do que está acontecendo. A Associação Beneficente Santa Casa pretende realizar uma transição ordenada e responsável, para que se possa avaliar o que nos aguarda a partir de abril do ano que vem.

A Associação se mantém firme no propósito de retomar a administração do hospital e do Colégio Osvaldo Cruz.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:30
 
Nos tempos do Taveirópolis II PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 01 de Maio de 2012 00:00
Um pouco antes de mudarmos para o Bairro Taveirópolis, quando ainda morávamos no edifício Arnaldo Serra, apareceu um dia, uma moça pedindo emprego. O seu nome é Marta. Começou a trabalhar, relacionando-se muito bem com a Rosaria, minha mulher. Logo depois, quando nos mudamos, ao ver a localização da nossa nova casa, a Marta disse: “Eu não vou morar nessa lonjura”. Ficou 20 anos. E foi de fundamental importância na educação das nossas filhas. A Thaís, nossa filha caçula, tinha acabado de nascer. A Marta tornou-se membro da família. Somos padrinhos do seu primeiro filho, Rodrigo. Mais tarde, quando resolveu casar, trouxe de Nioaque sua mãe, da. Doralina para ficar em seu lugar. Elas são da etnia terena.  Dona Doralina nos chamava de compadres.
Quando nos casamos a Rosaria interrompeu seus estudos em função do casamento. Quando nossas filhas começaram a estudar, ela sempre ajudava nas tarefas e aos poucos foi readquirindo o gosto pelo estudo. Resolveu voltar a estudar no momento em que as crianças já estavam menos dependentes dela. A Comadre (da. Doralina) ao ver o empenho da Rosaria nos estudos, disse-lhe: “Comadre, a senhora pode estudar que eu tomo conta das crianças até a sua formatura”.
A Rosaria fez o cursinho no Objetivo Dom Bosco, passando no primeiro vestibular que prestou para serviço social, em 16º lugar, numa turma de 120 alunos. Uma semana depois da formatura, dona Doralina chegou para a Rosaria e disse: “Comadre, cumpri o meu compromisso, estou indo para Guia Lopes”. E para lá se foi.
No período em que trabalhou em nossa casa, aprendemos muito com ela. Fazia sempre questão de assistir ao Jornal Nacional. Quando se encerrava a transmissão – na época tinha como apresentadores Cid Moreira e Sérgio Chapelin –, ela sempre respondia ao boa noite deles. Eu também. Acontecia às vezes de assistir a previsão do tempo, olhando sempre para o céu. Uma vez ela disse: “Eu acho que essa moça não está falando a verdade, o que o senhor acha?”. Eu respondi: “Não sei”. E ela, de novo: “O senhor é doutor e não sabe?”. Era lógica do seu pensamento.
Ela era analfabeta e não sabia olhar as horas. Para saber a hora de começar a preparar o almoço olhava para o sol e assim se orientava.
Na primeira chuva do ano, se colocava em baixo de uma canaleta, de roupa, molhando-se inteiramente. Dizia que era para ter saúde o ano todo.
Tanto ela como a Marta são nossas amigas até hoje, e frequentemente estão conosco.

Um pouco antes de mudarmos para o Bairro Taveirópolis, quando ainda morávamos no edifício Arnaldo Serra, apareceu um dia, uma moça pedindo emprego. O seu nome é Marta. Começou a trabalhar, relacionando-se muito bem com a Rosaria, minha mulher. Logo depois, quando nos mudamos, ao ver a localização da nossa nova casa, a Marta disse: “Eu não vou morar nessa lonjura”. Ficou 20 anos. E foi de fundamental importância na educação das nossas filhas. A Thaís, nossa filha caçula, tinha acabado de nascer. A Marta tornou-se membro da família. Somos padrinhos do seu primeiro filho, Rodrigo.

 Mais tarde, quando resolveu casar, trouxe de Nioaque sua mãe, da. Doralina para ficar em seu lugar. Elas são da etnia terena.  Dona Doralina nos chamava de compadres. Quando nos casamos a Rosaria interrompeu seus estudos em função do casamento.

Quando nossas filhas começaram a estudar, ela sempre ajudava nas tarefas e aos poucos foi readquirindo o gosto pelo estudo. Resolveu voltar a estudar no momento em que as crianças já estavam menos dependentes dela. A Comadre (da. Doralina) ao ver o empenho da Rosaria nos estudos, disse-lhe: “Comadre, a senhora pode estudar que eu tomo conta das crianças até a sua formatura”. A Rosaria fez o cursinho no Objetivo Dom Bosco, passando no primeiro vestibular que prestou para serviço social, em 16º lugar, numa turma de 120 alunos.

Uma semana depois da formatura, dona Doralina chegou para a Rosaria e disse: “Comadre, cumpri o meu compromisso, estou indo para Guia Lopes”. E para lá se foi.

No período em que trabalhou em nossa casa, aprendemos muito com ela. Fazia sempre questão de assistir ao Jornal Nacional. Quando se encerrava a transmissão – na época tinha como apresentadores Cid Moreira e Sérgio Chapelin –, ela sempre respondia ao boa noite deles. Eu também.

Acontecia às vezes de assistir a previsão do tempo, olhando sempre para o céu. Uma vez ela disse: “Eu acho que essa moça não está falando a verdade, o que o senhor acha?”. Eu respondi: “Não sei”. E ela, de novo: “O senhor é doutor e não sabe?”. Era lógica do seu pensamento.Ela era analfabeta e não sabia olhar as horas. Para saber a hora de começar a preparar o almoço olhava para o sol e assim se orientava.

Na primeira chuva do ano, se colocava em baixo de uma canaleta, de roupa, molhando-se inteiramente. Dizia que era para ter saúde o ano todo.

Tanto ela como a Marta são nossas amigas até hoje, e frequentemente estão conosco.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:32
 
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Escrito por Heitor Freire   
Ter, 27 de Março de 2012 00:00
O Correio do Estado recentemente criou um novo espaço no Correio B, sob a editoria da Cristina Medeiros, em que se abordam temas variados, proporcionando a nós, articulistas e ao público leitor, uma nova oportunidade para expor nossos pensamentos, experiências e compartilhar pontos de vista lastreados na vivência pessoal de cada um.
Uma das coisas mais interessantes da vida é observar como o tempo, depois de uma certa idade, transcorre aparentemente mais rápido de modo a não nos darmos conta de seu transcurso. Já estamos no começo de abril, ¼ do ano já passou e muitos de nós ainda não perceberam isso.
Por que o tempo acelera? Alguém já afirmou que o cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Isso acontece porque a noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Quando temos consciência disso ocorre certo desapontamento, pois não sabemos como agir para mudar esse estado de coisas. Para não deixar fluir o tempo de forma imperceptível, devemos sempre estar presentes.
Quanto à noção de espaço, uma das técnicas interessantes e que está ao alcance de todos é, por exemplo, começar a usar a mão não dominante, manusear o mouse com a mão esquerda, tomar banho de olhos fechados – o problema é quando o sabonete escorrega. Há pouco mais de um ano que eu tenho usado o mouse do lado esquerdo. As pessoas me perguntam se sou canhoto. Quanto ao banho ele se torna mais íntimo e aconchegante. Quando o sabonete cai, eu procuro encontrá-lo com os pés, de maneira a evitar que ele escorregue de novo, segurando-o de leve e me abaixando devagar para alcançá-lo.
Outro exercício que eu pratico há muitos, muitos anos é um que aprendi num curso de controle da mente, ministrado pelo professor Roberto Fauri: o Método Silva. Dentre as práticas ensinadas, a que eu sempre exercito é uma destinada a ativar a memória, que eu uso para não me esquecer de certas coisas. Juntam-se as pontas dos dedos polegar, indicador e médio, formando uma convergência e que, segundo o método, ativa os neurônios da memória. O que posso afirmar é que raramente me esqueço de algo.
Outra atividade que comecei há pouco é a de usar a mão esquerda nos dias ímpares e a mão direita nos dias pares. Além de me deixar em estado de alerta, que me faz estar presente, é um exercício interessante. A questão é exatamente essa: estar presente.  E para isso a mudança de hábitos é um bom ponto de partida.

O Correio do Estado recentemente criou um novo espaço no Correio B, sob a editoria da Cristina Medeiros, em que se abordam temas variados, proporcionando a nós, articulistas e ao público leitor, uma nova oportunidade para expor nossos pensamentos, experiências e compartilhar pontos de vista lastreados na vivência pessoal de cada um.Uma das coisas mais interessantes da vida é observar como o tempo, depois de uma certa idade, transcorre aparentemente mais rápido de modo a não nos darmos conta de seu transcurso. Já estamos no começo de abril, ¼ do ano já passou e muitos de nós ainda não perceberam isso.

Por que o tempo acelera? Alguém já afirmou que o cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Isso acontece porque a noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Quando temos consciência disso ocorre certo desapontamento, pois não sabemos como agir para mudar esse estado de coisas. Para não deixar fluir o tempo de forma imperceptível, devemos sempre estar presentes.

Quanto à noção de espaço, uma das técnicas interessantes e que está ao alcance de todos é, por exemplo, começar a usar a mão não dominante, manusear o mouse com a mão esquerda, tomar banho de olhos fechados – o problema é quando o sabonete escorrega. Há pouco mais de um ano que eu tenho usado o mouse do lado esquerdo. As pessoas me perguntam se sou canhoto. Quanto ao banho ele se torna mais íntimo e aconchegante. Quando o sabonete cai, eu procuro encontrá-lo com os pés, de maneira a evitar que ele escorregue de novo, segurando-o de leve e me abaixando devagar para alcançá-lo.

Outro exercício que eu pratico há muitos, muitos anos é um que aprendi num curso de controle da mente, ministrado pelo professor Roberto Fauri: o Método Silva. Dentre as práticas ensinadas, a que eu sempre exercito é uma destinada a ativar a memória, que eu uso para não me esquecer de certas coisas. Juntam-se as pontas dos dedos polegar, indicador e médio, formando uma convergência e que, segundo o método, ativa os neurônios da memória. O que posso afirmar é que raramente me esqueço de algo.

Outra atividade que comecei há pouco é a de usar a mão esquerda nos dias ímpares e a mão direita nos dias pares. Além de me deixar em estado de alerta, que me faz estar presente, é um exercício interessante. A questão é exatamente essa: estar presente.  E para isso a mudança de hábitos é um bom ponto de partida.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:34
 
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