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Doc, um heroi brasileiro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 28 de Novembro de 2016 23:48
DOC, UM HEROI BRASILEIRO
O que é um herói? Segundo o consenso geral, para um personagem ser legitimado como heroi é necessário que faça uma ação cujo sentido seja considerado excepcional, implicando um sacrifício, de forma que, por essa ação, ele se torne elevado.
Deve também ser tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas: liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz.
Precisa ainda ser capaz de enfrentar os desafios que surgem,
precisa viver situações de intensidade e frequência que parecerão incomuns ou improváveis.
E mais, destacar-se por sua capacidade de agir enquanto os outros não o fazem.
Baseado nesses critérios, constato que Rubens Marques dos Santos é uma pessoa que se ajusta perfeitamente a esse conceito.
Quem é ele? Brasileiro, carioca, médico formado pela Faculdade Nacional de Medicina em 1956, tornou-se oficial-médico da Aeronáutica, paraquedista (com mais de 500 saltos), membro da primeira equipe do PARA-SAR (‘PARA’ de paraquedistas e ‘SAR’ do inglês Search and Rescue “busca e salvamento”).
Por ser médico, recebeu de seus companheiros o apelido de “Doctor”, logo abreviado carinhosamente para Doc.
No PARA-SAR, participou de muitas missões de busca e salvamento, enfrentando situações muito difíceis, encarando fome, o cansaço, sede, frio, chuva, mosquitos, calor, etc. Atravessando matas, subindo serras e cortando pântanos com deficiência de equipamento adequado, encontrou na “moral do paraquedista” a força de vontade para superar as adversidades.
Em 1963, o resgate de um Catalina da FAB caído na selva amazônica - onde resgatou inclusive um bebê - foi destaque nacional, noticiado pelo jornal O Globo, que o chamou de herói, estampando sua foto com o bebê no colo na primeira página.
Outra missão que viria a ter grande destaque na imprensa aconteceu quando um velho navio mercante de bandeira grega, transportando frutas da Argentina para a África, navegando à altura do nosso litoral sul, pediu socorro urgente para que salvassem o seu comandante que fora acometido de um mal súbito. Era um lento e antigo cargueiro de nome Hellas, do tempo da  Segunda Guerra Mundial. O Doc saltou de paraquedas em alto mar e conseguiu salvar a vida do comandante. Recebeu uma comenda do governo grego por esse ato heróico.
Em junho de 1968, aconteceu um fato que mudaria o rumo da vida do então capitão Santos: o brigadeiro João Paulo Penido Burnier, do alto comando da Aeronáutica, tentou desvirtuar a missão do PÁRA-SAR de salvar vidas para a de matar os “inimigos” do golpe militar de 64.
O brigadeiro pretendia que o esquadrão fosse utilizado para explodir o gasômetro no Rio e a hidrelétrica de Ribeirão das Lages (fatos que seriam atribuídos aos grupos de esquerda, opositores ao regime), que só não foram consumados pela enérgica negativa do capitão Sérgio Miranda (Sérgio “Macaco”), então oficial daquele esquadrão. Também se opuseram o capitão Rubens Marques dos Santos, condenado a oito dias de prisão, e o sargento Gilson Tardivo Gonçalves, que recebeu a pena de 25 dias de prisão incomunicável.
O capitão Sérgio Miranda e o sargento Gilson Gonçalves foram cassados pelo AI-5. A partir daí, o capitão Sérgio dedicou-se a uma luta permanente pela reabilitação de seus direitos, o que não conseguiu em vida. Só foi reabilitado depois de morto, quando lhe outorgaram o posto de brigadeiro do ar, “post-mortem”.
A saga dos heróis do PARA-SAR foi objeto de uma longa reportagem da revista Veja, em 26 de junho de 1985.
E o Doc, como castigo, foi transferido para a Base Aérea de Campo Grande, onde depois seria transferido para a reserva, já no posto de tenente-coronel. Aqui em nossa cidade, dedicou-se inicialmente, ao ofício de médico militar e foi também professor universitário, além de atender como ginecologista e obstetra em seu consultório particular.
O Doc é daqueles médicos à moda antiga, que sempre colocou em primeiro lugar a necessidade de seus pacientes, atendendo pelo SUS na maternidade da Cândido Mariano com dedicação exemplar. Dos meus doze netos, sete nasceram pelas mãos dele.
Doutor Santos, como ficou conhecido, foi secretário de Saúde de Mato Grosso do Sul, e também Grão-Mestre da Grande Loja Maçônica do nosso estado, cargo que exerceu com o zelo de sempre, destacando-se pela competência, consciência e coragem, na firme defesa de seus princípios.
Enfim, um verdadeiro heroi. De carne e osso.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.
PS Sei que vou acabar levando um puxão de orelha do meu amigo, modesto como é. Mas cumpro o meu dever de gratidão e reconhecimento ao seu talento e à sua coragem.

O que é um herói? Segundo o consenso geral, para um personagem ser legitimado como heroi é necessário que faça uma ação cujo sentido seja considerado excepcional, implicando um sacrifício, de forma que, por essa ação, ele se torne elevado.

Deve também ser tipicamente guiado por ideais nobres e altruístas: liberdade, fraternidade, sacrifício, coragem, justiça, moral, paz.

Precisa ainda ser capaz de enfrentar os desafios que surgem, precisa viver situações de intensidade e frequência que parecerão incomuns ou improváveis.

 
No princípio... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 18 de Novembro de 2016 19:00
NO PRINCÍPIO...
No princípio, em agosto de 1917, um grupo de cidadãos prestantes, tementes a Deus, da então florescente vila de Santo Antônio de Campo Grande, reuniu-se sob a liderança de Eduardo Santos Pereira e Bernardo Franco Baís para pensar em como obter recursos para a construção de uma Santa Casa de Misericórdia nos moldes idealizados pela Coroa Portuguesa.
E ali, começaram a arrecadar meios para a fundação da futura Sociedade Beneficente de Campo Grande, o que veio a se realizar em 1925. Esses mesmos cidadãos, com algumas adesões posteriores criaram a Loja Maçônica Oriente Maracajú em 1921 – palco de acontecimentos políticos da maior relevância em nossa história –, e em 1926, a Associação Comercial de Campo Grande.
Uma árvore se conhece pelos seus frutos. Essas iniciativas prosperaram no tempo e no espaço, e permanecem altaneiras como símbolos maiores da nossa cidadania.
No ano que vem vamos comemorar o centenário do início das atividades da nossa Santa Casa. Temos documentos que comprovam esse início. É de arrepiar a lista de adesões de tantos cidadãos campo-grandenses e dos valores com que cada um contribuiu. Do menor até o maior.
E hoje, esse portento com mais de 700 leitos continua cumprindo sua missão sagrada: salvar vidas.
Os presidentes que exerceram mandato na ABCG por mais tempo foram: Juvenal Alves Corrêa, Aikel Mansour – também presidente da Associação Comercial por muitos anos –, José Nasser e Arthur D’Ávila Filho (idealizador da expansão e construção do novo edifício), que vieram a se tornar o sustentáculo da nossa Associação.
A administração da Santa Casa, com tantas dificuldades e muita insensibilidade do poder público, tanto municipal quanto estadual, nunca foi fácil. Fazer parte de sua administração é um verdadeiro sacerdócio. Todos os diretores e conselheiros exercem o seu múnus de forma voluntária. A nossa remuneração é a satisfação do dever cumprido.
Em 2005, sofremos uma invasão por parte da prefeitura, que interveio em nossa Associação mancomunada com o governo do estado, proscrevendo-nos da entidade. Foi um período negro em nossa história. Resistir, e manter a chama acesa foi um luta de gigantes.
O atual vice-presidente Jesus Alfredo Ruiz Sulzer contribuiu decisivamente para o sucesso dessa saga, proporcionando-nos, graciosamente, o local para a sede da nossa gestão no período da proscrição.
É de se ressaltar nesse período o trabalho incansável e competente do nosso advogado, dr. Carmelino Rezende – arcando com todas as despesas, custas judiciais e passagens a Brasília de seu bolso –, que não mediu esforços no sentido de repatriar-nos para o território momentaneamente invadido, conseguindo no poder judiciário o  reconhecimento do nosso direito.
Em maio de 2013, finalmente nos vimos reempossados, no mandato de Wilson Levi Teslenco, que comandou a retomada da administração da ABCG, com o consequente e eficiente exercício de uma gestão competente, implantando uma nova mentalidade empresarial.
Hoje, sob a presidência de Esacheu Cipriano Nascimento, uma nova era se inicia com uma visão voltada para a recuperação financeira e material do nosso hospital. Assim, temos a retomada da construção da unidade do trauma, da reforma dos centros cirúrgicos – sem interrupção das operações –, assim como do quarto andar para atendimento particular (que tem continuidade com a do quinto andar), além da revitalização e do novo projeto para o pronto socorro.
Estamos observando uma situação que remete às nossas origens: a retomada de participação da comunidade com doações as mais variadas. A empresa Sherwin Williams doou toda a tinta para a pintura externa do hospital. Outras doações estão a caminho.
A sensibilidade do presidente e do diretor Milton Ferreira dos Santos trouxe ao hospital uma nova paisagem, criando um jardim que embeleza e revitaliza o portal de entrada, proporcionando uma energia que irradia das flores, num ambiente acolhedor e alegre.
Assim como era no princípio... continuamos com as bênçãos de Deus.
Heitor Freire – Diretor secretário da ABCG.

No princípio, em agosto de 1917, um grupo de cidadãos prestantes, tementes a Deus, da então florescente vila de Santo Antônio de Campo Grande, reuniu-se sob a liderança de Eduardo Santos Pereira e Bernardo Franco Baís para pensar em como obter recursos para a construção de uma Santa Casa de Misericórdia nos moldes idealizados pela Coroa Portuguesa.

E ali, começaram a arrecadar meios para a fundação da futura Sociedade Beneficente de Campo Grande, o que veio a se realizar em 1925. Esses mesmos cidadãos, com algumas adesões posteriores criaram a Loja Maçônica Oriente Maracajú em 1921 – palco de acontecimentos políticos da maior relevância em nossa história –, e em 1926, a Associação Comercial de Campo Grande.

 
Ao mestre. com reverência PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Dom, 13 de Novembro de 2016 18:08
AO MESTRE, COM REVERÊNCIA.
A morte é um acontecimento inevitável na vida de cada um de nós. Como diz o povo, a única certeza da vida, é a morte. Agora como virá e quando, não sabemos. Daí a necessidade de estarmos sempre atentos e de viver um dia de cada vez.
Aprendi que nada acontece por acaso. Tudo tem sua razão de ser. A partir desse momento comecei a aceitar os acontecimentos de uma maneira consciente, sem revolta, sem reclamações, sem julgamentos.
Há uma semana, faleceu o professor Hildebrando Campestrini. Um gigante, mestre dos mestres na cultura, dedicou sua vida à pesquisa, à história, ao ensino. Foi professor, em sala de aula, por mais de cinquenta anos.
Teve milhares de alunos. Dos que eu conheci todos se referiam a ele com reverência. Ele não alisava. Era rígido, exigente, não tolerava mediocridades.
Foi também professor na Escola de Magistratura do Tribunal de Justiça, ministrando aulas para juízes. Fazia palestras por todo o Brasil, nos tribunais de contas e de justiça ensinando como redigir ementas, etc.
Definia-se como agnóstico. E dialético. Buscava sempre a melhor solução. Era um verdadeiro operário do saber. Trabalhava sem cessar. De domingo a domingo.
Era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado por D. Pedro II. O único em nosso estado. Foi ainda acadêmico da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras que também presidiu.
Convivi com ele diuturnamente, nos últimos 14 anos. Fui convidado pelo professor Campestrini para ser seu vice-presidente no Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, em 2002. Disse-lhe na oportunidade, que eu não era professor, nem escritor, e não via como participar de uma instituição como aquela.
Ele falou você pode contribuir muito. Eu preciso de você. E assim, aceitei e a partir daí participei ativamente da construção desse monumento à cultura, à história que é o IHGMS.
Sob a orientação dele e em parceria com a diretora executiva do Instituto, Vera Tylde de Castro Pinto realizamos 11 seminários de desenvolvimento institucional, abrangendo os mais variados temas e que se constituíram na vitrine do Instituto.
Ele publicou 11 livros. Inclusive um, “Como Redigir uma Petição Inicial”, editado pela Saraiva, com sucessivas edições até hoje. Detalhe: ele não era advogado. Mas como diretor de comunicação do Tribunal de Justiça do estado de Mato Grosso do Sul, por 15 anos, foi criando intimidade com o direito.
Recuperou para a cultura a obra de Hélio Serejo, um conjunto de 50 livros, significativo e importante. Editou e enriqueceu o trabalho de Hélio com um número imenso de anotações.
Editou, entre tantos outros, Inocência, de Visconde de Taunay, um livro tão importante que, por iniciativa dele e decisão da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul, tornou-se o livro símbolo do nosso estado.
A realização de que mais se orgulhava era “A Enciclopédia das Águas de Mato Grosso do Sul”, uma obra ciclópica, abrangendo todos os cursos d’água de nosso estado, desde rios, córregos, corixos, etc. com 7.119 verbetes e 154 cartas hidrográficas. Editado sob sua coordenação e com a participação dos professores Ângela Antonieta Atanásio Laurino, Arnaldo Mencecozzi e Francisco Mineiro Júnior. Não existe similar no Brasil.
O seu livro “A história de Mato Grosso do Sul”, encontra-se na oitava edição.
Foi associado da Associação Beneficente de Campo Grande, Santa Casa, e membro do seu Conselho de Administração. Era um defensor intransigente daquela instituição.
Evidente que num artigo como este, com número limitado de caracteres e de espaço, não há como registrar a magnitude de sua vida. Mas fica a intenção da semente.
A vida é uma constante de perdas e de ganhos. Perdemos o professor Campestrini, mas a espiritualidade ganhou um obreiro excepcional.
Heitor Freire – Diretor de Relações Institucionais do IHGMS.

 

A morte é um acontecimento inevitável na vida de cada um de nós. Como diz o povo, a única certeza da vida é a morte. Agora, como virá e quando, não sabemos. Daí a necessidade de estarmos sempre atentos e de viver um dia de cada vez.

Aprendi que nada acontece por acaso. Tudo tem sua razão de ser. A partir desse momento comecei a aceitar os acontecimentos de uma maneira consciente, sem revolta, sem reclamações, sem julgamentos.

Última atualização em Seg, 14 de Novembro de 2016 20:21
 
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