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Serenatas no Taveirópolis PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 14 de Abril de 2012 00:00
SERENATAS NO TAVEIRÓPOLIS
Em 1975, eu me mudei com a minha família da rua D. Aquino para a rua Padre Caetano Patané, no bairro Taveirópolis. Ali moramos até o ano de 1995. Foram 20 anos dourados.
Quando para lá nos mudamos, as ruas do bairro não eram asfaltadas, e não havia água encanada, que só veio a surgir alguns anos depois. A água era de poço. Abençoado poço, pois depois que recebemos o benefício da água encanada, esta muitas vezes, faltava. Aí éramos salvos pelo poço, que, por decisão da Rosaria permaneceu em funcionamento sempre.
As meninas foram crescendo. A Andréa, minha filha número 2, foi durante um tempo, namorada do Paulo Renato Coelho Netto, cujo nome ficou inscrito na minha memória assim, embora, hoje, o seu nome público seja Renato Coelho Netto. Pois bem. Numa determinada noite, fomos acordados por um som estentórico, que me fez pular na cama. Perguntei à Rosaria se sabia o que era aquilo. Ela disse que não. Vesti um roupão em cima do pijama e fui investigar. Era o Paulo Renato tocando um berrante do tamanho de um trem, no mais alto grau. Acordou toda a vizinhança. Quando me viu, cumprimentou-me e apresentou seus amigos. Eu fiz algumas serenatas para a Rosaria em Ponta Porã, mas com aquele estardalhaço todo, nunca. Enfim, após as apresentações e de servir a tradicional bebida que o dono da casa deve oferecer aos serenateiros, voltei a dormir, observando que o nosso vizinho era homem brabo. Essas serenatas se repetiam regularmente.
O vizinho era o Miguel Patroni Duenha, que havia construído a nossa casa e também a que ficava ao lado, onde ele morava. Era pai de três filhas, entre elas a Aline Duenha, hoje atriz destacada que atua também na área circense com o Circo do Mato grupo com atuação até na área internacional.
Mas eu me referia ao vizinho brabo. Como eu descobri que o doce do Miguel podia ser também brabo? Aconteceu o seguinte: em frente às nossas casas havia uma igreja batista. Em determinada ocasião, o pastor resolveu utilizar um alto falante para chamar os fiéis e o fazia logo cedo, aos fins de semana. Na primeira vez, ficou por isso mesmo. Quando, na semana seguinte, o episódio se repetiu, o Miguel foi falar com o pastor, que o recebeu cordialmente, pediu desculpas e disse que não aconteceria mais. Na terceira semana, de novo o pastor mandou ver o seu som alto. O Miguel não teve dúvidas: de dentro de sua casa, mandou bala no alto falante do pastor. Foi um santo remédio. Nunca mais funcionou. Mas das serenatas infindáveis em frente à minha casa, posto que eu tenho sete filhas, ele nunca reclamou. Acho que por solidariedade ou por entender os serenateiros.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Em 1975, eu me mudei com a minha família da rua D. Aquino para a rua Padre Caetano Patané, no bairro Taveirópolis. Ali moramos até o ano de 1995. Foram 20 anos dourados.Quando para lá nos mudamos, as ruas do bairro não eram asfaltadas, e não havia água encanada, que só veio a surgir alguns anos depois. A água era de poço. Abençoado poço, pois depois que recebemos o benefício da água encanada, esta muitas vezes, faltava. Aí éramos salvos pelo poço, que, por decisão da Rosaria permaneceu em funcionamento sempre.

As meninas foram crescendo. A Andréa, minha filha número 2, foi durante um tempo, namorada do Paulo Renato Coelho Netto, cujo nome ficou inscrito na minha memória assim, embora, hoje, o seu nome público seja Renato Coelho Netto.

Pois bem. Numa determinada noite, fomos acordados por um som estentórico, que me fez pular na cama. Perguntei à Rosaria se sabia o que era aquilo. Ela disse que não. Vesti um roupão em cima do pijama e fui investigar. Era o Paulo Renato tocando um berrante do tamanho de um trem, no mais alto grau. Acordou toda a vizinhança. Quando me viu, cumprimentou-me e apresentou seus amigos. Eu fiz algumas serenatas para a Rosaria em Ponta Porã, mas com aquele estardalhaço todo, nunca. Enfim, após as apresentações e de servir a tradicional bebida que o dono da casa deve oferecer aos serenateiros, voltei a dormir, observando que o nosso vizinho era homem brabo. Essas serenatas se repetiam regularmente.

O vizinho era o Miguel Patroni Duenha, que havia construído a nossa casa e também a que ficava ao lado, onde ele morava. É pai de três filhas, entre elas a Aline Duenha, hoje atriz destacada que atua também na área circense com o Circo do Mato grupo com atuação até na área internacional. 

Mas eu me referia ao vizinho brabo. Como eu descobri que o doce do Miguel podia ser também brabo? Aconteceu o seguinte: em frente às nossas casas havia uma igreja batista. Em determinada ocasião, o pastor resolveu utilizar um alto falante para chamar os fiéis e o fazia logo cedo, aos fins de semana. Na primeira vez, ficou por isso mesmo. Quando, na semana seguinte, o episódio se repetiu, o Miguel foi falar com o pastor, que o recebeu cordialmente, pediu desculpas e disse que não aconteceria mais. Na terceira semana, de novo o pastor mandou ver o seu som alto. O Miguel não teve dúvidas: de dentro de sua casa, mandou bala no alto falante do pastor. Foi um santo remédio. Nunca mais funcionou.

Mas das serenatas infindáveis em frente à minha casa, posto que eu tenho sete filhas, ele nunca reclamou. Acho que por solidariedade ou por entender os serenateiros.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:42
 
Galeria São José II PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Dom, 04 de Março de 2012 00:00
GALERIA SÃO JOSÉ II
Dando continuidade às lembranças suscitadas pela Galeria São José, lembro-me do salão Jóia do Marcos Rodrigues do qual eu era cliente – um dos mais freqüentados daquela época –. O dr. Ramez Tebet também era seu cliente. Ao lado do salão era localizada a Relojoaria do Nelson Kawano, que foi durante muito tempo o relojoeiro mais procurado da cidade; era comum vê-lo com mais de um relógio em cada pulso. Hoje aposentado, é assessor direto do dr. Mafuci Kadri, na administração da Fundação Lowtons de Educação e Cultura (Funlec).
Do lado direito na rua 14, antes de chegar à Galeria, está localizado o edifício Korndorfer, onde funcionou por muito tempo a Joalheria e Òtica Korndorfer. Só vendia jóias finas, relógios Rolex e outros de grande fama. O edifício foi construído na década de 40, num terreno de 10x15 metros, ou seja em 150 metros quadrados, num primor de projeto e construção do engenheiro Joaquim Teodoro de Faria, com 4 andares, por seu proprietário Frederico Korndorfer, grande figura humana. Simples, sempre sorridente, excelente comerciante. O edifício tinha elevador o que, para a época, era um grande atrativo. Quando meu pai era dono do salão Cristal, uma vez, meus queridos e saudosos irmãos Hernane e Haydée, como toda criança ativa e curiosa, resolveram conhecer o tal elevador. Entraram, subiram e não souberam fazê-lo voltar, criando uma situação de pânico. Mas tudo foi rapidamente solucionado pelo “seu” Frederico, que, longe de se aborrecer ou criticar as crianças, foi de uma simpatia total desanuviando o ambiente e descontraindo-as para alívio delas e do meu pai.
Quando o “seu” Frederico faleceu, dona Olga, sua viúva, continuou à frente do negócio, secundada pelos seus filhos Hélio, Gaby, Frederico e Oscar. O Oscar foi quem, depois, administrou a Joalheria até que decidiu pelo seu fechamento.
A Joalheria Korndorfer era junto com a do Avelino dos Reis, o grande destaque nesse ramo. O “seu” Avelino, português de boa cepa, era um entusiasta dos esportes, sempre estava patrocinando eventos e premiando com troféus os esportistas da nossa cidade. Foi tão importante que o estádio municipal localizado na avenida Ernesto Geisel leva o seu nome. Aqui aproveito para fazer um parênteses, com referência a essa tendência dos jornalistas esportivos de descaracterizar a denominação que se dá aos estádios colocando-lhes nomes que pretendem popularizá-los. Por exemplo, o estádio Pedro Pedrossian, Morenão, o estádio José Fragelli, Verdão, o estádio Avelino dos Reis, Guanandizão, desrespeitando os nomes que foram, com justa razão, homenageados.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Dando continuidade às lembranças suscitadas pela Galeria São José, lembro-me do salão Jóia do Marcos Rodrigues do qual eu era cliente – um dos mais freqüentados daquela época –. O dr. Ramez Tebet também era seu cliente. Ao lado do salão era localizada a Relojoaria do Nelson Kawano, que foi durante muito tempo o relojoeiro mais procurado da cidade; era comum vê-lo com mais de um relógio em cada pulso. Hoje aposentado, é assessor direto do dr. Mafuci Kadri, na administração da Fundação Lowtons de Educação e Cultura (Funlec).

Do lado direito na rua 14, antes de chegar à Galeria, está localizado o edifício Korndorfer, onde funcionou por muito tempo a Joalheria e Òtica Korndorfer. Só vendia jóias finas, relógios Rolex e outros de grande fama. O edifício foi construído na década de 40, num terreno de 10x15 metros, ou seja em 150 metros quadrados, num primor de projeto e construção do engenheiro Joaquim Teodoro de Faria, com 4 andares, por seu proprietário Frederico Korndorfer, grande figura humana. Simples, sempre sorridente, excelente comerciante. O edifício tinha elevador o que, para a época, era um grande atrativo. Quando meu pai era dono do salão Cristal que era vizinho ao edifício, uma vez, meus queridos e saudosos irmãos Hernane e Haydée, como toda criança ativa e curiosa, resolveram conhecer o tal elevador. Entraram, subiram e não souberam fazê-lo voltar, criando uma situação de pânico. Mas tudo foi rapidamente solucionado pelo “seu” Frederico, que, longe de se aborrecer ou criticar as crianças, foi de uma simpatia total desanuviando o ambiente e descontraindo-as para alívio delas e do meu pai.

Quando o “seu” Frederico faleceu, dona Olga, sua viúva, continuou à frente do negócio, secundada pelos seus filhos Hélio, Gaby, Frederico e Oscar. O Oscar foi quem, depois, administrou a Joalheria até que decidiu pelo seu fechamento.A Joalheria Korndorfer era junto com a do Avelino dos Reis, o grande destaque nesse ramo.

O “seu” Avelino, português de boa cepa, era um entusiasta dos esportes, sempre estava patrocinando eventos e premiando com troféus os esportistas da nossa cidade. Foi tão importante que o estádio municipal localizado na avenida Ernesto Geisel leva o seu nome. Aqui aproveito para fazer um parênteses, com referência a essa tendência dos jornalistas esportivos de descaracterizar a denominação que se dá aos estádios colocando-lhes nomes que pretendem popularizá-los. Por exemplo, o estádio Pedro Pedrossian, Morenão, o estádio José Fragelli, Verdão, o estádio Avelino dos Reis, Guanandizão, desrespeitando os nomes que foram, com justa razão, homenageados.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:44
 
Mais uma conquista PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 13 de Abril de 2012 00:00
MAIS UMA CONQUISTA
O trabalho como esforço aplicado para se conquistar algo sempre dá resultado. O seu sentido fundamental é o que fazemos com a nossa vida, procurando sempre fazer bem feito. As mulheres, aos poucos, estão conseguindo ocupar o verdadeiro lugar a que têm direito, como companheiras dos homens e como seres inteligentes que buscam sua realização.
Elas acabam de conquistar mais uma etapa na sua luta de afirmação pessoal. A partir do dia 04 último, conforme determina a Lei nº 12.605, publicada no Diário Oficial da União, as instituições de ensino públicas e privadas são obrigadas a flexionar o gênero para nomear profissão ou grau nos diplomas universitários. Trocando em miúdos: até então, como não existiam designações femininas para as profissões, por exemplo, de arquitetos, engenheiros e bibliotecários, entre outras, os diplomas universitários que lhes eram conferidos eram grafados somente no gênero masculino. Aparentemente é pouca coisa, mas não é não.
Eu tenho uma filha, Thaís, cujo diploma universitário expedido pela PUC-Campinas, lhe confere o grau de engenheiro civil. A arquiteta Sônia Chinzarian Miguel – filha do meu saudoso amigo e irmão Muxeque Chinzarian –, usava nas placas designativas de seus projetos a sua identificação como arquiteto, como se lê numa placa de uma obra na rua Maracaju. Agora tudo isso mudou, pois o texto da lei é imperativo: elas serão nomeadas como engenheiras, arquitetas, etc. Inclusive as atuais detentoras de diplomas com a designação, agora incorreta, poderão requerer a expedição de um novo, com a nomeação correta, sem qualquer custo financeiro.
Tempos atrás, conversando com o presidente do CREA, Jary Carvalho e Castro, comentávamos o assunto. Ele dizia que o CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia –, buscava uma solução para o problema. Agora ficou resolvido definitivamente, com a iniciativa do Governo Federal.
E assim, de conquista em conquista, as mulheres prosseguem em sua luta constante para merecer o respeito de todos.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

O trabalho como esforço aplicado para se conquistar algo sempre dá resultado. O seu sentido fundamental é o que fazemos com a nossa vida, procurando sempre fazer bem feito. As mulheres, aos poucos, estão conseguindo ocupar o verdadeiro lugar a que têm direito, como companheiras dos homens e como seres inteligentes que buscam sua realização. 

Elas acabam de conquistar mais uma etapa na sua luta de afirmação pessoal. A partir do dia 04 último, conforme determina a Lei nº 12.605, publicada no Diário Oficial da União, as instituições de ensino públicas e privadas são obrigadas a flexionar o gênero para nomear profissão ou grau nos diplomas universitários. Trocando em miúdos: até então, como não existiam designações femininas para as profissões, por exemplo, de arquitetos, engenheiros e bibliotecários, entre outras, os diplomas universitários que lhes eram conferidos eram grafados somente no gênero masculino. Aparentemente é pouca coisa, mas não é não. Eu tenho uma filha, Thaís, cujo diploma universitário expedido pela PUC-Campinas, lhe confere o grau de engenheiro civil. A arquiteta Sônia Chinzarian Miguel – filha do meu saudoso amigo e irmão Muxeque Chinzarian –, usava nas placas designativas de seus projetos a sua identificação como arquiteto, como se lê numa placa de uma obra na rua Maracaju.

Agora tudo isso mudou, pois o texto da lei é imperativo: elas serão nomeadas como engenheiras, arquitetas, etc. Inclusive as atuais detentoras de diplomas com a designação, agora incorreta, poderão requerer a expedição de um novo, com a nomeação correta, sem qualquer custo financeiro.

Tempos atrás, conversando com o presidente do CREA, Jary Carvalho e Castro, comentávamos o assunto. Ele dizia que o CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia –, buscava uma solução para o problema. Agora ficou resolvido definitivamente, com a iniciativa do Governo Federal.E assim, de conquista em conquista, as mulheres prosseguem em sua luta constante para merecer o respeito de todos. 

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:46
 
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