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A Chama de um Ideal PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 13 de Dezembro de 2011 00:00

No último dia 12, a Associação Beneficente de Campo Grande, proprietária e instituidora da Santa Casa de Campo Grande, elegeu a diretoria que regerá os seus destinos no biênio 2012/2013.
Apesar de todos os percalços, dificuldades interpostas em seu caminho e de todos os insucessos judiciais momentâneos, a Associação resiste impávida, corajosa, serena, lastreada no sonho que sempre norteou os seus caminhos, desde a sua criação.

Um ideal iluminou os corações e as mentes de Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Augusto Silva, Otaviano de Mello, Benjamin Corrêa da Costa, Enoch Vieira de Almeida, dr. Eusébio Teixeira (médico militar, primeiro presidente), e o engenheiro Camillo Boni (autor do projeto  inicial com quarenta leitos), que encabeçaram uma lista com os seguintes dizeres: “Lista destinada à inscripção das pessoas que contribuem, dando uma esmola, para a creação da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, refúgio, em breve tempo, dos doentes pobres e desvalidos”. Cento setenta e oito cidadãos se cotizaram com valores variando de 5$000 (cinco mil réis) a 500$000 (quinhentos mil-réis), totalizando 27.080$000 (vinte e sete contos e oitenta mil réis). (in Rica História de Amor ao Próximo- dr. Arthur D’Àvila Filho).
A esses cidadãos altruístas e pioneiros juntaram-se Rogério Casal Caminha, dr. Arlindo de Andrade Gomes (primeiro juiz de Campo Grande) e tantos outros, ao longo dos anos. Se fossemos nomeá-los, utilizaríamos talvez uma edição de jornal. Hoje somos 135 associados.
A chama do ideal que iluminou essas pessoas não morreu. Nem morrerá jamais, pois que os atuais associados da Associação Beneficente de Campo Grande não permitirão que isso aconteça, principalmente como tributo e respeito a quem se dedicou com tanta garra e tanto entusiasmo para servir à causa da população, repetindo: “refúgio, em breve tempo, dos doentes pobres e desvalidos”.
A diretoria recém eleita tem a seguinte constituição: presidente – Wilson Levi Teslenco; vice-presidente Abdalla Jallad; primeiro secretário – Esacheu Cipriano do Nascimento; segundo secretário – Jesus Alfredo Ruiz Sülzer; primeiro tesoureiro – Carlos Henrique Santos Pereira; segundo tesoureiro – Luis Landes da Silva Pereira. Foram eleitos também sete vogais (eu faço parte do conselho de vogais) e os membros titulares e suplentes do conselho fiscal.
Entre os presentes à assembléia geral de eleição, pessoas das mais representativas da nossa sociedade, como, por exemplo, Ruben Figueiró de Oliveira, Juvêncio Cesar da Fonseca, Valter Pereira, Laucídio Coelho Neto, Henrique Martins Neto, José Augusto Lopes Sobrinho, Jairo Faracco, Izaías Gomes Ferro, Ricardo Augusto Bacha, Valter Ribeiro, Leonardo Nunes da Cunha, Mário Eugênio Perón. Peço vênia aos demais participantes por não haver espaço para citar a todos.
O certo é que as instalações da nossa Associação foram pequenas para abrigar tantas pessoas que foram dar o seu apoio à nossa Santa Casa neste momento difícil. Pela grande e significativa presença bem demonstra que o espírito que sempre norteou a nossa instituição está mais vivo do que nunca.
Aristóteles foi dos primeiros a observar que nos tornamos as pessoas que somos devido às nossas próprias decisões. E coerentes com essa atitude é que os nossos associados tem o estímulo intrínseco de continuar na luta, até a vitória final com a retomada do hospital. A nossa diretoria tem constantemente assinalado o seu propósito de estabelecer um projeto de união com o poder público, com os enfermeiros, médicos e demais instituições empresariais e classistas, para constituir uma ação conjunta que tenha como único objetivo o de servir condignamente à nossa população.  
A natureza contagiante de uma atitude corajosa por parte de alguém pode inspirar um grupo inteiro. É o que tem acontecido com os associados da nossa Associação que, desde o começo da invasão que sofreu a nossa Santa Casa, se sentiram unidos e assim permanecem. A exemplo de Sócrates que declarou com absoluta seriedade em seu julgamento: “Enquanto eu respirar não pararei de praticar a filosofia...” nós também, enquanto respirarmos, continuaremos a praticar a nossa filosofia: “Bem servir à nossa população”.  
A fé que une os nossos associados acrescenta uma dimensão significativa ao nosso trabalho. A fé é uma fonte de disciplina, força e poder; a fé em nossos ideais, compartilhada, nos dá a energia necessária para a continuação da nossa luta e contribui para a forma e conteúdo que guiam as nossas aspirações.     
Assim, mais uma vez firmes e coesos, aguardamos a iniciativa de nossas autoridades para nos devolver o que nos pertence por justiça e herança deixada pelos fundadores da nossa Associação e cujo legado sempre honramos com trabalho, dedicação, competência e perseverança.

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 16:11
 
Nos tempos da Rua Dom Aquino IV PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 12 de Novembro de 2011 00:00

Como já relatei antes, no apartamento do edifício Arnaldo Serra, onde eu vivi com a minha família na década de 70, nos sempre tínhamos como hóspedes, os parentes que vinham do interior para passeio, tratar da saúde ou de negócios. Assim hospedamos também algumas vezes, o tio Matajá, Alberto Costa (casado com a tia Júlia) farmacêutico prático que quando tinha farmácia no distrito de Campestre, localizado entre Ponta Porã e Bela Vista, fazia também as vezes de médico.

Ele dizia que se não curasse, matava já – daí o seu apelido. Ele foi aprendendo a medicar e o fazia muito bem. Uma das vezes que aqui esteve sofreu um princípio de enfarto e foi internado num dos mais renomados hospitais da nossa capital. Ao voltar a si, perguntou quanto seria a conta do atendimento. Ao saber, arrancou todos os fios que o ligavam aos aparelhos e falou que estava curado, dando-se alta por ato próprio.
Um dos nossos hóspedes mais frequentes eram tio Ticu (Hortêncio Rôa Escobar, irmão do meu sogro), e a sua mulher, tia Bernarda. Eles tiveram uma vida muito movimentada e até fascinante. Tiveram quatro filhos que, naturalmente, passaram a conviver com seus outros quatro irmãos do primeiro casamento dela. A tia Bernarda é uma cozinheira de mão cheia e muito trabalhadora. Enfrentando junto com o tio Ticu as dificuldades iniciais que todo casal enfrenta, resolveram montar um bar em Bela Vista, a que deram o nome de A Petisqueira, cujos salgados deliciosos eram preparados por ela.
Para diversificar as atividades, o tio Ticu se tornou agente da loteria estadual de Mato Grosso, vendendo os seus bilhetes. Na véspera da data do sorteio semanal, os bilhetes remanescentes deveriam ser devolvidos por malote com hora e data do embarque certificados. Pois bem. Uma vez, o tio Ticu precisou viajar e deixou bem recomendando que não se esquecessem da devolução, a tempo e hora, dos bilhetes não vendidos. Acontece que a tia Bernarda envolvida com os salgados e o atendimento do bar, acabou se esquecendo de tomar essa providência. Quando se lembrou já era tarde. Aí não tinha mais jeito, foi um Deus me acuda. Ficou muito contrariada. Como explicar para o tio? Para resumir a história, um dos bilhetes que ficaram foi o premiado e eles ganharam o grande prêmio. Demonstrando-se assim, mais uma vez, que Deus escreve certo por linhas tortas.
Foi assim que eles compraram a casa com fundos para o rio Apa, onde se estabeleceram com um comércio. Logo depois ele passou no concurso para coletor e fecharam a casa comercial. O tio Ticu tinha um amigo advogado, Carlinhos Medeiros que dizia que agora, com a mudança do status social, ele tinha que mudar o seu apelido para Tiânus.
A tia Bernarda vive lá até hoje, na casa adquirida com o dinheiro ganho na loteria, na plenitude de seus noventa anos recentemente comemorados, cercada pelo respeito e carinho da população de Bela Vista e pelos seus filhos, netos, bisnetos e trinetos. Vivendo sempre com a alegria que lhe é peculiar.
No prédio onde morávamos, o Arnaldo Serra, fizemos naturalmente muitas amizades, muitas vezes decorrentes dos relacionamentos das nossas filhas que sempre foram muito comunicativas.
Lembro-me do casal Moacir e Leontina. Ele trabalhava no Frigorífico Bordon. Tinham seis filhos, quatro homens e duas meninas. Destes se destacava a Silvana, a caçula, uma loirinha muito simpática, alegre e bonita. Ela cantava aos domingos num programa da TV Morena “Faça uma criança sorrir”, apresentado pelo grande comunicador João Bosco de Medeiros – que até hoje está no ar comandando agora um programa de rádio “Alto Astral”. Ela era a celebridade do prédio. Apesar de toda popularidade que desfrutava sempre foi muito simples sem se deixar envolver pelos destaques dos holofotes.
Como é bom ter histórias como estas para contar.

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 16:15
 
Nos tempos da Rua Dom Aquino III PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Dom, 12 de Junho de 2011 00:00

A Rosaria, minha mulher, pelo lado paterno, é da família Escobar, de Bela Vista,  originária do Rio Grande do Sul. Quando os Escobar saíram do Rio Grande, entraram primeiro no Paraguai. E ali ficaram algum tempo. Lá o avô dela, Osório Escobar, conheceu aquela que seria sua mulher, Isabel, com quem se casou quando ela tinha 15 anos. Já casados a família seguiu viagem para o Brasil, adentrando por Bela Vista. E lá viveram por toda a vida.

O vô Osório, um perfeito autodidata, se constituiu num rábula muito competente, tornando-se profundo conhecedor dos meandros jurídicos sendo muito solicitado. Naquela época, meados do século XX, não havia advogado em Bela Vista e assim ele preencheu com muita competência o vácuo existente. Constantemente dirigia-se a Cuiabá por longos períodos, para acompanhar os processos que atendia em grau de recurso.
Do seu matrimônio nasceram 6 filhos, a quem ele deu nomes um tanto diferentes: Olímpio Guarany, Primitivo Aymoré (Xavi, meu sogro), Babel, Amparo, Hortêncio(Ticu) e Emílio (Chailho). Numa certa tarde, o casal se encontrava na varanda da casa da mãe do Vô Osório, eles já adentrados em anos, e o Vô disse: “A Isabel está ficando velha”. Ao que ela respondeu na lata: “En sus manos, señor”. Neutralizando a fina ironia na hora.   
Na década de 70, morávamos num apartamento do edifício Arnaldo Serra, localizado na rua D. Aquino, em frente às Lojas Americanas, no centro da nossa cidade. Como o nosso apartamento se localizava na área central da cidade, recebíamos com freqüência nossos parentes que moravam no interior. Estes eram nossos hóspedes, que vinham para tratar de assuntos comerciais ou de saúde. Apesar de o nosso apartamento dispor de dois quartos e apenas um banheiro, e nós já termos 5 filhas a Rosaria sempre dava jeito de acomodá-los, com carinho e conforto.
Uma dessas vezes, o tio Chailho com sua mulher - tia Diná, que moravam em Jardim, aqui aportaram para tratamento de saúde. Ao assistir à televisão à noite, ele ficou impressionado com a abertura do programa Planeta dos Homens, em que uma dançarina saia de uma banana. Ao notar o seu espanto, perguntei-lhe o motivo e ele me disse que, em Jardim, a TV tinha uma imagem toda chuviscada e ele não entendia o que acontecia na abertura desse programa. Só aí é que entendeu e gostou.
O tio Ticu, coletor em Bela Vista, frequentemente vinha a Campo Grande por necessidade de seu trabalho. Uma dessas vezes, ao chegar e abrir a sua mala tirou uma garrafa de uísque e me disse: “Esta é para você”. Agradeci, mas quando chegou à noite, ele disse: “Vamos tomar um gole?”. O que eu assenti, naturalmente. E assim foi por todos os dias que ele aqui ficou. Quando chegou o dia de sua partida, com a garrafa vazia, ele disse: “Você ficou pensando que, na realidade, eu trouxe o uísque para mim, não foi?”. E eu, embora constrangido, tive que admitir que sim. Aí então ele tirou outra garrafa de sua mala e falou: “Esta agora é para você sozinho”. Era um convivência muito agradável.
Eu tenho uma característica: sempre fiz amigos entre as pessoas que comigo trabalharam. Entre estes, o Aloysio Franco de Oliveira. Na década de 70, trabalhamos alguns anos juntos. E como amigo, às vezes almoçava no nosso apartamento, pois ele morava na Nova Campo Grande. Uma dessas vezes, na hora do almoço, uma vizinha tocou a campainha, e a Rosaria foi atender. A vizinha, entrando, ao nos avistar, um pouco constrangida disse que estava sem feijão e que o seu marido não comia sem feijão. Queria saber se a Rosaria teria um pouco de feijão pronto para dar-lhe.
A Rosaria assentiu e deu-lhe um prato de feijão da hora. Ao receber o prato, a vizinha falou: “Feijão preto? Não tem feijão mulatinho? Meu marido só come feijão mulatinho”. Ante a negativa da Rosaria, conformou-se em receber esse mesmo. O Aloysio comentou que se fosse com ele, não daria mais.
Cenas inesquecíveis cuja lembranças fazem muito bem ao espírito.

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 16:13
 
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