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Águas de Janeiro PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 28 de Janeiro de 2012 00:00

A nossa cidade foi literalmente inundada chuva do dia 26 de janeiro, última quinta feira. Foram 90 milímetros de água em meia hora. Para se ter uma idéia, a previsão para o mês de janeiro todo era de 200 milímetros para 31 dias: num só dia, em meia hora, caiu quase a metade da previsão. Ou seja, foi algo totalmente inusitado e para o qual dificilmente se consegue prevenção adequada.
 Para uma análise dos fatores que contribuíram para essa catástrofe, vamos começar pela topografia da nossa cidade, envolvendo nossos dois principais e históricos córregos: o Prosa e o Segredo. O Prosa, desde sua cabeceira até a foz, percorre uma distância de 7.800 metros, com uma diferença de nível de 112 metros. O Segredo, na mesma configuração, percorre 10.000 metros, com um desnível de 113 metros, quando ambos se encontram formando o Rio Anhanduí. O desnível é muito acentuado e acidentado, num percurso pequeno.

As informações acima fazem parte do livro Ligeira Notícia sobre a Vila de Campo Grande, de autoria do então 1º tenente e engenheiro-militar, Temístocles Paes de Souza Brasil, em 1910, “considerado o primeiro escrito sobre a cidade” segundo o professor Hildebrando Campestrini, na apresentação da edição publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico, juntamente com a outra obra, do mesmo autor, esta de 1921, já como capitão de cavalaria, Relatório de Estudos para o Abastecimento de Água aos Quartéis de Campo Grande.
 Na obra citada, na página 32, o tenente Temístocles informa que “o regime das águas pluviais é, em Campo Grande, interessante pela impetuosidade que apresentam as torrentes e pelo trabalho que produzem arrastando as terras, cavando uns lugares, aterrando outros, enfim, transformando a feição exterior do solo com grande rapidez”.  Essa lúcida observação demonstra uma visão técnica e competente de quem conseguiu naquela época, 1910, constatar uma condição intrínseca da nossa cidade.
 O dr. Temístocles merece uma justa homenagem e um reconhecimento maiores do que recebeu: a denominação de uma travessa entre a rua 14 de Julho e a avenida Calógeras, nas imediações da estação ferroviária.
 O segundo aspecto a considerar é a chamada convergência do atlântico sul. Como o próprio nome indica, trata-se de uma convergência ( ponto ou grau em que linhas, raios luminosos, objetos, etc., convergem – segundo o Aurélio), encontro de duas tendências que ao se encontrar provocam um resultado multiplicado por suas forças e que se verifica no nordeste do nosso estado e , eventualmente, atingem nossa cidade. É um fenômeno físico, que independe da vontade das pessoas.
 Normalmente, essas precipitações pluviométricas acentuadas, são classificadas como tromba d’água. Há um equívoco nessa classificação. Tromba d’água só ocorre no oceano porque as condições para sua ocorrência dependem de cenário próprio e só se realizam em alto mar. Raramente pode ocorrer no leito dos grandes rios, como o Amazonas. Essas explicações foram dadas pelo professor Arnaldo Menecozzi, geógrafo, que, juntamente com a sua colega Ângela Antonieta Laurino – ambos associados do Instituto –, estão elaborando uma obra monumental: Enciclopédia das Águas, que vai mapear e registrar todos os cursos d’água do nosso estado, realização do Instituto Histórico e Geográfico, sob a supervisão do professor Hildebrando Campestrini, em convênio com o governo do estado e que vai ser disponibilizada até outubro deste ano, na forma digital e impressa.
 O terceiro aspecto que concorre para um resultado caótico é a qualidade das obras públicas que se praticam em nossa cidade. Lembro-me da obra realizada pelo então prefeito Levy Dias, quando na sua primeira gestão, 1973/77, criou o mini-anel, que abrangia as avenidas Salgado Filho, Eduardo Elias Zahran, Ceará, Marechal Mascarenhas de Morais e Tamandaré. O asfalto ali aplicado está inteiro até hoje, passados quase quarenta anos. A camada asfaltica hoje praticada não resiste a qualquer chuva forte, ainda mais com as condições da topografia da nossa cidade, como já demonstrado pelo dr. Temístocles há mais de um século. Isso porque a camada de cobertura do asfalto de hoje, é muito tênue.
Além disso, a imprensa informou exaustivamente, sobre os locais que receberam obras para contenção das águas e que resultaram em crateras enormes e foram abandonadas pelas empreiteiras encarregadas, uma há mais de dois anos, sem que, aparentemente, tenham sido multadas ou punidas por esse descaso com o bem público. Onde está a fiscalização da secretaria municipal de obras (Seintrha) que, naturalmente deveria fiscalizar o andamento das obras e atestar a sua conclusão na conformidade do contratado? Como são feitas as medições e conferências das obras? Recebe-se a infra-estrutura e o asfalto de qualquer jeito? De uma forma malfeita para refazer de novo? São perguntas que devem ser respondidas por quem de direito.
 Nesse episódio todo ficou muito claro o sentimento de frustração do nosso prefeito, sofrendo junto com a nossa população essa situação dolorosa. Ele que conta com mais de 70% de aprovação exatamente pela administração vitoriosa que lidera. Mas, prefeito, alguém está falhando. E muito.

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 15:53
 
Jubileu PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qui, 01 de Março de 2012 16:36

Estamos todos, leitores, funcionários, diretores, colaboradores e articulistas do Correio do Estado, vivendo momentos de júbilo, plenos de alegria pela comemoração dos 58 anos do jornal, completados no dia 7 de fevereiro.

A nova diagramação – que representa um verdadeiro presente para os olhos dos leitores – enriquece essa comemoração em grande estilo e dá um novo sabor à leitura, como uma descoberta que se faz a cada página.

O jornal desde o começo se destacou com presença marcante em nossa cidade, conquistada pelo idealismo de Wilson Barbosa Martins e José Fragelli, encontrou no professor José Barbosa Rodrigues o profissional competente e leal que com honradez e integridade moral consagrou a esse trabalho sua vida, fazendo do Correio a razão de sua existência.

Com o passar do tempo e a evolução natural das coisas, o professor Barbosa adquiriu o controle acionário da empresa que acabou sendo a base de um conglomerado de comunicação: rádio Cultura, FM Canarinho, Tv Campo Grande.

Ainda menino, Antônio João chegou e aos poucos tomou conta do negócio. Hoje, com um olho na política, não deixa de ter o outro permanentemente ligado no jornal. A Ester, que chegou mocinha, cresceu e amadureceu com o jornal, incorporou o espírito do jornalismo livre e hoje representa a grande intérprete das atividades do Correio do Estado.

Torço para que a longevidade adquirida se perpetue ao longo dos tempos.

 

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 15:56
 
Galeria São José PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qua, 18 de Janeiro de 2012 00:00

A Galeria São José, fica na Rua 14 de Julho – coração da cidade, fica no Edifício Irmãos Salomão, construído onde era antigamente a alfaiataria Cury, a Rádio Difusora e o Salão Cristal, que foi do meu pai durante um tempo. Esse era um dos pontos preferidos dos campo-grandenses na década de 70. Na calçada da frente funcionava a loja do saudoso Gabura, o mais tradicional de todos os locais de encontro da nossa capital.

Na Galeria, do lado direito de quem entrava, estava o Mini Lanches, de propriedade de William Duailibi, recentemente falecido. Foi pulando por cima de seu balcão que o William, certa vez, deu um carreirão num dos seus clientes que jocosamente lhe perguntava com freqüência, de onde havia tirado os cabelos para o seu implante capilar. William era mesmo uma figura peculiar. No Mini Lanches, uma das suas grandes fontes de receita era o suco de laranja. À noite, depois de fechar a lanchonete, o William, agradecido sempre beijava a máquina de espremer laranja. Depois que o  William passou a se dedicar exclusivamente ao ramo de buffet e de comissária da Vasp, mudando-se dali, o espaço foi ocupado pelo Arnaldo Molina com sua loja de roupas masculinas. Hoje ele está com sua loja e fábrica de confecção de uniformes na rua 13 de Maio.

Do outro lado da Galeria, ficava a Kaleche, loja do Luiz Alberto Naglis, que foi meu colega no Externato São José da severa professora dona Simpliciana Corrêa. Lá se reuniam todas as tardes os seus amigos Edson Contar e os recém formados advogados, Remolo Leteriello e Abrão Razuk. No fim de ano, para incrementar as vendas, o Luiz oferecia a seus clientes como brinde, uma garrafa de vinho. Tinha tradição, já que era filho do Jamil Naglis dono do Palace Royal, a loja mais antiga de Campo Grande. Só vendia roupas finas.

Na sobreloja, havia diversos escritórios: um deles era o dos administradores do edifício, Humberto Canale Júnior e Clodoaldo Hugueney Sobrinho. O Clodoaldo, também meu colega do Externato São José, me cedeu uma sala contígua à do seu escritório, onde funcionava a empresa que eu representava. Todas as tardes, logo depois do almoço, recebíamos a visita cordial do dr. Carlos Hugueney Filho, pai do Clodoaldo, já aposentado da sua banca de advocacia – uma das mais concorridas de Campo Grande – que nos brindava com suas ricas histórias da nossa cidade.

Na sobreloja, havia dois consultórios de cirurgiões dentistas: o do dr. Edroim Reverdito e o do dr. Jayme Valadares Novaes. Este também funcionário do Banco do Brasil era o dentista da nossa família. A minha filha Andréa chamava o Jayme de “dentista” Jayme e não de “dr. Jayme”. Não adiantava a gente falar que não era assim. Ela argumentava: “Ele não é dentista? Não se chama Jayme?”. O Jayme era tão competente que me colocou uma prótese, em 1971 que eu uso até hoje. Ele tinha um costume: todas as vezes que a gente abria a boca ele dizia: “dá licença”. Uma vez um colega do Banco – trabalhamos juntos em Ponta Porã – Reinaldo Melânio Peralta, já trabalhando na agência de Campo Grande,  cujo comportamento é um tanto informal, de tanto ouvir o Jayme pedir licença, foi logo dizendo: “A partir de agora você já está autorizado, não precisa mais pedir licença”. Inicialmente isso deixou o Jayme constrangido, mas logo entendeu a linguagem do Peralta.   

 

 

Última atualização em Ter, 09 de Outubro de 2012 15:55
 
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