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Nos tempos do Taveirópolis II PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 01 de Maio de 2012 00:00
Um pouco antes de mudarmos para o Bairro Taveirópolis, quando ainda morávamos no edifício Arnaldo Serra, apareceu um dia, uma moça pedindo emprego. O seu nome é Marta. Começou a trabalhar, relacionando-se muito bem com a Rosaria, minha mulher. Logo depois, quando nos mudamos, ao ver a localização da nossa nova casa, a Marta disse: “Eu não vou morar nessa lonjura”. Ficou 20 anos. E foi de fundamental importância na educação das nossas filhas. A Thaís, nossa filha caçula, tinha acabado de nascer. A Marta tornou-se membro da família. Somos padrinhos do seu primeiro filho, Rodrigo. Mais tarde, quando resolveu casar, trouxe de Nioaque sua mãe, da. Doralina para ficar em seu lugar. Elas são da etnia terena.  Dona Doralina nos chamava de compadres.
Quando nos casamos a Rosaria interrompeu seus estudos em função do casamento. Quando nossas filhas começaram a estudar, ela sempre ajudava nas tarefas e aos poucos foi readquirindo o gosto pelo estudo. Resolveu voltar a estudar no momento em que as crianças já estavam menos dependentes dela. A Comadre (da. Doralina) ao ver o empenho da Rosaria nos estudos, disse-lhe: “Comadre, a senhora pode estudar que eu tomo conta das crianças até a sua formatura”.
A Rosaria fez o cursinho no Objetivo Dom Bosco, passando no primeiro vestibular que prestou para serviço social, em 16º lugar, numa turma de 120 alunos. Uma semana depois da formatura, dona Doralina chegou para a Rosaria e disse: “Comadre, cumpri o meu compromisso, estou indo para Guia Lopes”. E para lá se foi.
No período em que trabalhou em nossa casa, aprendemos muito com ela. Fazia sempre questão de assistir ao Jornal Nacional. Quando se encerrava a transmissão – na época tinha como apresentadores Cid Moreira e Sérgio Chapelin –, ela sempre respondia ao boa noite deles. Eu também. Acontecia às vezes de assistir a previsão do tempo, olhando sempre para o céu. Uma vez ela disse: “Eu acho que essa moça não está falando a verdade, o que o senhor acha?”. Eu respondi: “Não sei”. E ela, de novo: “O senhor é doutor e não sabe?”. Era lógica do seu pensamento.
Ela era analfabeta e não sabia olhar as horas. Para saber a hora de começar a preparar o almoço olhava para o sol e assim se orientava.
Na primeira chuva do ano, se colocava em baixo de uma canaleta, de roupa, molhando-se inteiramente. Dizia que era para ter saúde o ano todo.
Tanto ela como a Marta são nossas amigas até hoje, e frequentemente estão conosco.

Um pouco antes de mudarmos para o Bairro Taveirópolis, quando ainda morávamos no edifício Arnaldo Serra, apareceu um dia, uma moça pedindo emprego. O seu nome é Marta. Começou a trabalhar, relacionando-se muito bem com a Rosaria, minha mulher. Logo depois, quando nos mudamos, ao ver a localização da nossa nova casa, a Marta disse: “Eu não vou morar nessa lonjura”. Ficou 20 anos. E foi de fundamental importância na educação das nossas filhas. A Thaís, nossa filha caçula, tinha acabado de nascer. A Marta tornou-se membro da família. Somos padrinhos do seu primeiro filho, Rodrigo.

 Mais tarde, quando resolveu casar, trouxe de Nioaque sua mãe, da. Doralina para ficar em seu lugar. Elas são da etnia terena.  Dona Doralina nos chamava de compadres. Quando nos casamos a Rosaria interrompeu seus estudos em função do casamento.

Quando nossas filhas começaram a estudar, ela sempre ajudava nas tarefas e aos poucos foi readquirindo o gosto pelo estudo. Resolveu voltar a estudar no momento em que as crianças já estavam menos dependentes dela. A Comadre (da. Doralina) ao ver o empenho da Rosaria nos estudos, disse-lhe: “Comadre, a senhora pode estudar que eu tomo conta das crianças até a sua formatura”. A Rosaria fez o cursinho no Objetivo Dom Bosco, passando no primeiro vestibular que prestou para serviço social, em 16º lugar, numa turma de 120 alunos.

Uma semana depois da formatura, dona Doralina chegou para a Rosaria e disse: “Comadre, cumpri o meu compromisso, estou indo para Guia Lopes”. E para lá se foi.

No período em que trabalhou em nossa casa, aprendemos muito com ela. Fazia sempre questão de assistir ao Jornal Nacional. Quando se encerrava a transmissão – na época tinha como apresentadores Cid Moreira e Sérgio Chapelin –, ela sempre respondia ao boa noite deles. Eu também.

Acontecia às vezes de assistir a previsão do tempo, olhando sempre para o céu. Uma vez ela disse: “Eu acho que essa moça não está falando a verdade, o que o senhor acha?”. Eu respondi: “Não sei”. E ela, de novo: “O senhor é doutor e não sabe?”. Era lógica do seu pensamento.Ela era analfabeta e não sabia olhar as horas. Para saber a hora de começar a preparar o almoço olhava para o sol e assim se orientava.

Na primeira chuva do ano, se colocava em baixo de uma canaleta, de roupa, molhando-se inteiramente. Dizia que era para ter saúde o ano todo.

Tanto ela como a Marta são nossas amigas até hoje, e frequentemente estão conosco.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:32
 
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Escrito por Heitor Freire   
Ter, 27 de Março de 2012 00:00
O Correio do Estado recentemente criou um novo espaço no Correio B, sob a editoria da Cristina Medeiros, em que se abordam temas variados, proporcionando a nós, articulistas e ao público leitor, uma nova oportunidade para expor nossos pensamentos, experiências e compartilhar pontos de vista lastreados na vivência pessoal de cada um.
Uma das coisas mais interessantes da vida é observar como o tempo, depois de uma certa idade, transcorre aparentemente mais rápido de modo a não nos darmos conta de seu transcurso. Já estamos no começo de abril, ¼ do ano já passou e muitos de nós ainda não perceberam isso.
Por que o tempo acelera? Alguém já afirmou que o cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Isso acontece porque a noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Quando temos consciência disso ocorre certo desapontamento, pois não sabemos como agir para mudar esse estado de coisas. Para não deixar fluir o tempo de forma imperceptível, devemos sempre estar presentes.
Quanto à noção de espaço, uma das técnicas interessantes e que está ao alcance de todos é, por exemplo, começar a usar a mão não dominante, manusear o mouse com a mão esquerda, tomar banho de olhos fechados – o problema é quando o sabonete escorrega. Há pouco mais de um ano que eu tenho usado o mouse do lado esquerdo. As pessoas me perguntam se sou canhoto. Quanto ao banho ele se torna mais íntimo e aconchegante. Quando o sabonete cai, eu procuro encontrá-lo com os pés, de maneira a evitar que ele escorregue de novo, segurando-o de leve e me abaixando devagar para alcançá-lo.
Outro exercício que eu pratico há muitos, muitos anos é um que aprendi num curso de controle da mente, ministrado pelo professor Roberto Fauri: o Método Silva. Dentre as práticas ensinadas, a que eu sempre exercito é uma destinada a ativar a memória, que eu uso para não me esquecer de certas coisas. Juntam-se as pontas dos dedos polegar, indicador e médio, formando uma convergência e que, segundo o método, ativa os neurônios da memória. O que posso afirmar é que raramente me esqueço de algo.
Outra atividade que comecei há pouco é a de usar a mão esquerda nos dias ímpares e a mão direita nos dias pares. Além de me deixar em estado de alerta, que me faz estar presente, é um exercício interessante. A questão é exatamente essa: estar presente.  E para isso a mudança de hábitos é um bom ponto de partida.

O Correio do Estado recentemente criou um novo espaço no Correio B, sob a editoria da Cristina Medeiros, em que se abordam temas variados, proporcionando a nós, articulistas e ao público leitor, uma nova oportunidade para expor nossos pensamentos, experiências e compartilhar pontos de vista lastreados na vivência pessoal de cada um.Uma das coisas mais interessantes da vida é observar como o tempo, depois de uma certa idade, transcorre aparentemente mais rápido de modo a não nos darmos conta de seu transcurso. Já estamos no começo de abril, ¼ do ano já passou e muitos de nós ainda não perceberam isso.

Por que o tempo acelera? Alguém já afirmou que o cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos. Isso acontece porque a noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Quando temos consciência disso ocorre certo desapontamento, pois não sabemos como agir para mudar esse estado de coisas. Para não deixar fluir o tempo de forma imperceptível, devemos sempre estar presentes.

Quanto à noção de espaço, uma das técnicas interessantes e que está ao alcance de todos é, por exemplo, começar a usar a mão não dominante, manusear o mouse com a mão esquerda, tomar banho de olhos fechados – o problema é quando o sabonete escorrega. Há pouco mais de um ano que eu tenho usado o mouse do lado esquerdo. As pessoas me perguntam se sou canhoto. Quanto ao banho ele se torna mais íntimo e aconchegante. Quando o sabonete cai, eu procuro encontrá-lo com os pés, de maneira a evitar que ele escorregue de novo, segurando-o de leve e me abaixando devagar para alcançá-lo.

Outro exercício que eu pratico há muitos, muitos anos é um que aprendi num curso de controle da mente, ministrado pelo professor Roberto Fauri: o Método Silva. Dentre as práticas ensinadas, a que eu sempre exercito é uma destinada a ativar a memória, que eu uso para não me esquecer de certas coisas. Juntam-se as pontas dos dedos polegar, indicador e médio, formando uma convergência e que, segundo o método, ativa os neurônios da memória. O que posso afirmar é que raramente me esqueço de algo.

Outra atividade que comecei há pouco é a de usar a mão esquerda nos dias ímpares e a mão direita nos dias pares. Além de me deixar em estado de alerta, que me faz estar presente, é um exercício interessante. A questão é exatamente essa: estar presente.  E para isso a mudança de hábitos é um bom ponto de partida.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:34
 
Nos Tempos do Taveirópolis PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qui, 26 de Abril de 2012 00:00
NOS TEMPOS DO TAVEIRÓPOLIS
No período de 20 anos em que morei com a minha família no bairro Taveirópolis, vivenciamos situações que deixaram marcas.
O nome da rua em que morávamos é Padre Caetano Patané. Quando minha mãe foi nos visitar pela primeira vez, teve sua atenção voltada para o nome da rua e nos disse que esse sacerdote foi quem celebrou a cerimônia do seu casamento em 1939, na Igreja Matriz de São José, em Ponta Porã. Um dos coroinhas era o Helvécio Casanobas.
Logo que para lá nos mudamos, plantamos um flamboyant na calçada da nossa casa. O nosso flamboyant, como todas as árvores dessa espécie, na primavera, exibia todo o esplendor das suas flores com as cores características: a sua copa atravessava a rua. Pois bem, pouco depois que nós nos mudamos de lá, num belo dia, a árvore desabou placidamente, de forma tranqüila, escolhendo uma hora sem trânsito, ou seja, não feriu ninguém, encerrando o ciclo de sua vida de maneira suave. Logo que soube do acontecido para lá me dirigi para fazer a minha despedida e para agradecer-lhe pelo tempo que nos proporcionou a alegria do seu convívio.
No poço abençoado da nossa casa, foi instalado um motor daqueles que fica dentro do poço, na superfície da água. Quando ele estragou pela primeira vez o nosso compadre Farid Sandre de Melo estava em casa e de imediato se dispôs a consertá-lo. E o fez. O Farid é o homem dos sete instrumentos. Qualquer curso que aparecesse na cidade, lá estava ele participando. Tem uma mala cheia de diplomas desses cursos. Era a nossa garantia permanente.
Durante um bom período o nosso carro era uma caravan a álcool, que demorava um pouco para esquentar. Então logo cedo, quando eu me levantava, às 6 horas, ligava o carro enquanto acordava as meninas: “espreguicem-se e levantem-se”. Elas tinham exatos 30 minutos para acordar, escovar os dentes, ir ao banheiro e tomar o café da manhã que, invariavelmente já estava preparado pela Rosaria. Só havia um banheiro para todas as seis meninas. Era um corre-corre diário. Quando eu acabava de tomar o café, já avisava; “Quem vai, vai”. E já me dirigia para o carro. Era um tal de menina sair se arrumando, pegando seus materiais escolares e entrando atropeladamente no carro.
Outro fato marcante era a comemoração do dia dos reis magos: 6 de janeiro. Havia uma cerimônia para a degustação da romã, para o vinho, precedida de uma preleção feita pelo professor Castro (Arassuay Gomes de Castro), nosso compadre que, todo compenetrado dava as instruções e as nossas meninas magnetizadas acompanhavam com toda reverência as palavras do professor.
Bons e abençoados tempos.

No período de 20 anos em que morei com a minha família no bairro Taveirópolis, vivenciamos situações que deixaram marcas.O nome da rua em que morávamos é Padre Caetano Patané. Quando minha mãe foi nos visitar pela primeira vez, teve sua atenção voltada para o nome da rua e nos disse que esse sacerdote foi quem celebrou a cerimônia do seu casamento em 1939, na Igreja Matriz de São José, em Ponta Porã. Um dos coroinhas era o Helvécio Casanobas.Logo que para lá nos mudamos, plantamos um flamboyant na calçada da nossa casa. O nosso flamboyant, como todas as árvores dessa espécie, na primavera, exibia todo o esplendor das suas flores com as cores características: a sua copa atravessava a rua.

Pois bem, pouco depois que nós nos mudamos de lá, num belo dia, a árvore desabou placidamente, de forma tranqüila, escolhendo uma hora sem trânsito, ou seja, não feriu ninguém, encerrando o ciclo de sua vida de maneira suave. Logo que soube do acontecido para lá me dirigi para fazer a minha despedida e para agradecer-lhe pelo tempo que nos proporcionou a alegria do seu convívio.

No poço abençoado da nossa casa, foi instalado um motor daqueles que fica dentro do poço, na superfície da água. Quando ele estragou pela primeira vez o nosso compadre Farid Sandre de Melo estava em casa e de imediato se dispôs a consertá-lo. E o fez. O Farid é o homem dos sete instrumentos. Qualquer curso que aparecesse na cidade, lá estava ele participando. Tem uma mala cheia de diplomas desses cursos. Era a nossa garantia permanente.

Durante um bom período o nosso carro era uma caravan a álcool, que demorava um pouco para esquentar. Então logo cedo, quando eu me levantava, às 6 horas, ligava o carro enquanto acordava as meninas: “espreguicem-se e levantem-se”. Elas tinham exatos 30 minutos para acordar, escovar os dentes, ir ao banheiro e tomar o café da manhã que, invariavelmente já estava preparado pela Rosaria. Só havia um banheiro para todas as seis meninas. Era um corre-corre diário. Quando eu acabava de tomar o café, já avisava; “Quem vai, vai”. E já me dirigia para o carro.

Era um tal de menina sair se arrumando, pegando seus materiais escolares e entrando atropeladamente no carro.

Outro fato marcante era a comemoração do dia dos reis magos: 6 de janeiro. Havia uma cerimônia para a degustação da romã, para o vinho, precedida de uma preleção feita pelo professor Castro (Arassuay Gomes de Castro), nosso compadre que, todo compenetrado dava as instruções e as nossas meninas magnetizadas acompanhavam com toda reverência as palavras do professor. 

Bons e abençoados tempos.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 20:36
 
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