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O impacto da arte PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 18 de Junho de 2018 15:11
O IMPACTO DA ARTE
Campo Grande foi agraciada neste fim de semana com um espetáculo de dança-teatro que, certamente, é digno de ser apresentado nas maiores cidades do mundo.
Foi encenado “Cão sem plumas” pela Companhia Deborah Colker, coreógrafa das mais consagradas em nosso país. Ela foi uma das responsáveis pela coreografia de abertura das Olimpíadas do Rio em 2016, além de ter ganhado vários prêmios internacionais. Na semana passada, Deborah ganhou em Moscou o título de melhor coreógrafa do mundo pelo prêmio Benois De La Danse. Em 2011, ela dirigiu um espetáculo na prestigiosa companhia canadense Cirque du Soleil, onde comandou uma equipe de mais de 50 artistas de dez nacionalidades diferentes, e mostrou ao mundo um espetáculo que misturava samba, forró, baião, funk e carimbó.
Indicada para fazer a produção local do evento, a Marruá Arte e Cultura envolveu diretamente seus diretores e sócios, Belchior Cabral e Andréa Freire, minha filha, que arregaçaram as mangas e empolgaram a cidade, que se fez presente nas duas apresentações com um excelente público que aplaudiu intensamente, fazendo o Teatro Glauce Rocha, palco de tantas representações teatrais memoráveis, reviver seus grandes momentos.
A Companhia de Dança Deborah Colker tem o patrocínio da Petrobras desde 1995, o que representa, sem dúvida, um selo de qualidade e de garantia de um bom espetáculo.
Uma das maiores coreógrafas brasileiras, Deborah Colker é reconhecida com homenagens como o Prêmio Laurence Olivier, uma espécie de Oscar das artes cênicas.  Deborah é parte fundamental da história da dança contemporânea nacional e internacional.
Em turnê por várias cidades brasileiras com patrocínio da Petrobras, a capital sul-mato-grossense foi contemplada com um espetáculo de qualidade técnica como há muito tempo não se via por aqui. No palco, o tema é muito pertinente para a cidade: fala de problemas sociais, econômicos, políticos e sobre os recursos naturais.
O espetáculo baseia-se no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto publicado em 1950 sobre a pobreza e a seca na região do rio Capibaribe. À época, o escritor fez um alerta sobre o descaso com o rio que corta boa parte do estado de Pernambuco, como "um cão sem plumas”, “nada sabia da chuva azul”.
João Cabral de Melo Neto, pernambucano, foi escritor, poeta e diplomata brasileiro. Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil. Como em toda a obra de João Cabral, em “O cão sem plumas” a poética prima pelo uso de palavras concretas.
Ao som que mistura coco, maracatu e outros ritmos do agreste pernambucano, os bailarinos mostram a pobreza da população ribeirinha e a vida no mangue. Em movimentos, eles se transmutaram em caranguejos. A apresentação também assume um papel social de conscientização sobre o uso dos recursos naturais. Deborah costuma dizer que criou um espetáculo sobre o "inconcebível, o inadmissível", sobre o que não deveria existir, não deveria ser permitido.
Para entender os detalhes, é preciso saber que na narrativa a dança-teatro se mistura com o cinema. Enquanto o filme – produzido pela coreógrafa e dirigido pelo cineasta pernambucano Claudio Assis – é projetado no palco, os bailarinos parecem se fundir às imagens.
Enfim, “Cão sem plumas” é um espetáculo que vai ficar na memória de quem o assistiu.
Parabéns, Campo Grande, que há muito tempo não se rendia ao impacto da arte.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Campo Grande foi agraciada neste fim de semana com um espetáculo de dança-teatro que, certamente, é digno de ser apresentado nas maiores cidades do mundo.

Foi encenado “Cão sem plumas” pela Companhia Deborah Colker, coreógrafa das mais consagradas em nosso país. Ela foi uma das responsáveis pela coreografia de abertura das Olimpíadas do Rio em 2016, além de ter ganhado vários prêmios internacionais. Na semana passada, Deborah ganhou em Moscou o título de melhor coreógrafa do mundo pelo prêmio Benois De La Danse. Em 2011, ela dirigiu um espetáculo na prestigiosa companhia canadense Cirque du Soleil, onde comandou uma equipe de mais de 50 artistas de dez nacionalidades diferentes, e mostrou ao mundo um espetáculo que misturava samba, forró, baião, funk e carimbó.

Última atualização em Seg, 18 de Junho de 2018 15:22
 
Da esperança PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 11 de Junho de 2018 18:06
DA ESPERANÇA
Os tempos atuais, mais do que nunca, nos motivam a buscar a esperança como fator de orientação e de inspiração para vencer os desafios que se apresentam e que, às vezes, parecem intransponíveis.
Onde está a esperança, para que eu possa usá-la? Ela está na fé que anima o ser humano, no seu íntimo, onde foi colocada por Deus. Fé que não é crença, é fidelidade. Fé vem do latim fides, que significa fidelidade.
A esperança está dentro de cada um. Não adianta buscá-la fora, como muita gente faz, porque não será encontrada. Não adianta buscá-la onde ela não está.
O professor Rubem Alves, em seu livro Pimentas (Ed. Planet), diz com muita propriedade:
Sei muito bem onde minha esperança não está. Não está nos pobres, não está nos movimentos populares, não está no povo. Não está também nas elites, sejam ricos ou doutores, intelectuais ou empresários. Não está em partido político algum, de direita ou de esquerda. E nem nos poderes legislativo, executivo, ou judiciário. Também não está nas igrejas nem nos movimentos religiosos.
Não coloco minha esperança em coisa alguma que seja definida por categorias sociais. Olho para todas elas com profundo desinteresse. Jamais comprometeria a minha vida com qualquer delas.
Onde está a minha esperança?
Numa multidão de indivíduos, independentemente do seu lugar social ou econômico, que vivem possuídos pelo sonho da vida, da beleza e da bondade. A esperança de Camus estava no mesmo lugar que a minha:
“Já se disse que as grandes ideias vêm ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, se ouvirmos com atenção, escutaremos, em meio ao estrépito de impérios, e nações, um discreto bater de asas, o suave acordar da vida e da esperança. Alguns dirão que tal esperança jaz numa nação; outros, num homem. Eu creio, ao contrário, que ela é despertada, revivificada, alimentada por milhões de indivíduos solitários, cujos atos e trabalho, diariamente, negam as fronteiras e as implicações mais cruas da história. Como resultado, brilha por um breve momento a verdade, sempre ameaçada de cada e todo homem, sobre a base de seus próprios sofrimentos e alegrias, constrói para todos”.
Concordo plenamente com Rubem Alves. E acrescento: É a fé (esperança) que nos mostra como vencer o ego, esse inimigo invisível que domina nossos atos, fazendo-nos crer que precisamos vencer o outro, conquistar o poder, oprimir nossos semelhantes para obtenção de benefícios individuais, que nos faz sentir inveja, ciúme, raiva e que nos leva a condenar aos outros contrariando os sagrados ensinamentos que Jesus difundiu há mais de 2 mil anos.
Quando entendermos que somos seres individuais, únicos, ligados diretamente à Fonte Universal que é Deus, compreenderemos que a nossa fé é realimentada permanentemente e assim incomparável.
Cabe a cada um de nós despertar a sua fé (esperança) e irradiá-la a todos. E fazê-la instrumento de evolução e de elevação espiritual. Eu não vou conseguir transformar minha mulher, minhas filhas, netos, meus familiares enfim, por mais que os ame. Mas se conseguir a minha transformação, a partir daí vou irradiá-la para todos e assim contribuir para que cada um também possa transformar-se pelo poder da energia universal do amor.
É a fé, a esperança que muda tudo. Quando a lagarta achou que o mundo tinha acabado, virou borboleta.
Assim, vamos ser instrumentos conscientes do trabalho que Deus nos destinou, fazendo cada um a sua parte, sem visar recompensa, mas tendo a consciência verdadeira da mudança que queremos no mundo.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Os tempos atuais, mais do que nunca, nos motivam a buscar a esperança como fator de orientação e de inspiração para vencer os desafios que se apresentam e que, às vezes, parecem intransponíveis.

Onde está a esperança, para que eu possa usá-la? Ela está na fé que anima o ser humano, no seu íntimo, onde foi colocada por Deus. Fé que não é crença, é fidelidade. Fé vem do latim fides, que significa fidelidade. 

A esperança está dentro de cada um. Não adianta buscá-la fora, como muita gente faz, porque não será encontrada. Não adianta buscá-la onde ela não está.

 
Quem manda no Brasil? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 05 de Junho de 2018 17:53
QUEM MANDA NO BRASIL?
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (Constituição da República Federativa do Brasil).
A Teoria da Divisão de Poderes, também conhecida como Sistema de Freios e Contrapesos, foi consagrada pelo pensador francês Montesquieu (Charles-Louis de Secondat) na obra O Espírito das Leis, baseado nas obras Política, do filósofo Aristóteles, e Segundo Tratado do Governo Civil, de John Locke.
Assim escreveu Montesquieu: “Para melhor compreensão desta obra é preciso observar que o que denomino virtude na república é o amor à pátria, isto é, o amor à igualdade. Não é, em absoluto, virtude moral, nem virtude cristã, e sim virtude política; é a mola que faz mover o governo republicano, assim como a honra é a mola que faz mover o governo na monarquia” .
Como o ideal que inspirou Montesquieu em sua obra está distante da realidade brasileira! O que vemos hoje em nosso país é uma contradição que cria uma distância abissal entre o ideal e a realidade.
Embora os poderes sejam aparentemente independentes e autônomos, uma característica os une de forma umbilical: a subserviência total ao verdadeiro e único poder que tudo domina, o poder econômico.
O presidente, os membros do poder legislativo e os membros do poder judiciário (com algumas exceções), “paus mandados”, são instrumentos dos verdadeiros donos do poder.
O poder exercido hoje no Brasil é invisível aos olhos, mas percebido claramente nas entrelinhas do exercício desse poder.
O jornal Le Monde Diplomatique esmiúça a crise no Brasil com grande poder de síntese e conhecimento da realidade brasileira. Traça uma análise que, pelo valor de seu conteúdo, reproduzo in totum:
“De fato, trata-se de uma sofisticada análise das forças que governam a política do país e que bem poderia ter por título ‘O poder invisível e seu exercício’. Eis, em 13 itens, essa precisa anatomia:
1 – O foco do poder não está na política, mas na economia. Quem comanda a sociedade é o complexo financeiro-empresarial com dimensões globais e conformações específicas locais.
2 – Os donos do poder não são os políticos. Estes são apenas instrumentos dos verdadeiros donos do poder.
3 – O verdadeiro exercício do poder é invisível. O que vemos, na verdade, é a construção planejada de uma narrativa fantasiosa com aparência de realidade para criar a sensação de participação consciente e cidadã dos que se informam pelos meios de comunicação tradicionais.
4 – Os grandes meios de comunicação não se constituem mais em órgãos de “imprensa”, ou seja, instituições autônomas, cujo objeto é a notícia, e que podem ser independentes ou, eventualmente, compradas ou cooptadas por interesses. Eles são, atualmente, grandes conglomerados econômicos que também compõem o complexo financeiro-empresarial que comanda o poder invisível. Portanto, participam do exercício invisível do poder utilizando seus recursos de formação de consciência e opinião.
5 – Os donos do poder não apoiam partidos ou políticos específicos. Sua tática é apoiar quem lhes convém e destruir quem lhes estorva. Isso muda de acordo com a conjuntura. O exercício real do poder não tem partido e sua única ideologia é a supremacia do mercado e do lucro.
6 – O complexo financeiro-empresarial global pode apostar ora em Lula, ora em um político do PSDB, ora em Temer, ora em um aventureiro qualquer da política. E pode destruir qualquer um desses de acordo com sua conveniência.
7 – Por isso, o exercício do poder no campo subjetivo, responsabilidade da mídia corporativa, em um momento demoniza Lula, em outro Dilma, e logo depois Cunha, Temer, Aécio, etc. Tudo faz parte de um grande jogo estratégico com cuidadosas análises das condições objetivas e subjetivas da conjuntura.
8 – O complexo financeiro-empresarial não tem opção partidária, não veste nenhuma camisa na política, nem defende pessoas. Sua intenção é tornar as leis e a administração do país totalmente favoráveis para suas metas de maximização dos lucros.
9 – Assim, os donos do poder não querem um governo ou outro à toa: eles querem, na conjuntura atual, a reforma na Previdência, o fim das leis trabalhistas, a manutenção do congelamento do orçamento primário, os cortes de gastos sociais para o serviço da dívida, as privatizações e o alívio dos tributos para os mais ricos.
10 – Se a conjuntura indicar que Temer não é o melhor para isso, não hesitarão em rifá-lo. A única coisa que não querem é que o povo brasileiro decida sobre o destino de seu país.
11 – Portanto, cada notícia é um lance no jogo. Cada escândalo é um movimento tático. Analisar a conjuntura não é ler notícia. É especular sobre a estratégia que justifica cada movimento tático do complexo financeiro-empresarial (do qual a mídia faz parte), para poder reagir também de maneira estratégica.
12 – A queda de Temer pode ser uma coisa boa. Mas é um movimento tático em uma estratégia mais ampla de quem comanda o poder. O que realmente importa é o que virá depois.
13 – Lembremo-nos: eles são mais espertos. Por isso, estão no poder."
Pois é, mas tem um provérbio português que diz o seguinte: “Esperteza, quando é muita, vira bicho, e come o dono”. E é o que vai acontecer com esses “espertos”, mais cedo ou mais tarde. Todos colherão o que plantaram. É a lei.
Pelo que se vê, estamos chegando ao caos. O que não deixa de ser uma coisa boa. Como alguns sabem, no princípio era o caos, e do caos nasce a luz. A esperança brilha mais que nunca.
Pela transcrição – Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. (Constituição da República Federativa do Brasil).

A Teoria da Divisão de Poderes, também conhecida como Sistema de Freios e Contrapesos, foi consagrada pelo pensador francês Montesquieu (Charles-Louis de Secondat) na obra O Espírito das Leis, baseado nas obras Política, do filósofo Aristóteles, e Segundo Tratado do Governo Civil, de John Locke.

Assim escreveu Montesquieu: “Para melhor compreensão desta obra é preciso observar que o que denomino virtude na república é o amor à pátria, isto é, o amor à igualdade. Não é, em absoluto, virtude moral, nem virtude cristã, e sim virtude política; é a mola que faz mover o governo republicano, assim como a honra é a mola que faz mover o governo na monarquia” .

 
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