Área restrita



Quem está online

Nós temos 76 visitantes online
Não vos afobeis... PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Qua, 27 de Junho de 2012 00:00
As incertezas da vida moderna estão a exigir das pessoas uma atividade cada vez mais opressiva, gerando perplexidade e determinando uma ação apressada, sem muita reflexão. Vivemos os tempos da ambiguidade, do paradoxo. Vivemos fugindo do momento presente, procurando alcançar num futuro imprevisível o que não conseguimos agora. E assim, não vivemos nem aqui nem lá.
Carlos Drummond de Andrade, com a sua sensibilidade de grande poeta, assim se manifestou:
“Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.
Drummond sintetizou assim, uma fórmula, uma lição clara e verdadeira de viver a vida: no presente. A afobação que caracteriza estes tempos provoca uma grande frustração e angústia. No Livro dos Provérbios, há uma orientação muito precisa no capítulo 19, v.2: “Não adianta agir sem refletir, pois quem apressa o passo acaba tropeçando”. Não vos afobeis porque a morte é certa, proclama um dito popular. Pitágoras, em seus Versos de Ouro, verso 16, proclama: “Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos”. Mas a morte em si, longe de ser uma ruptura, um fim, representa apenas e tão somente uma ponte que liga esta terra maravilhosa com o mundo espiritual onde receberemos de acordo com os nossos merecimentos e que representa o nosso verdadeiro futuro. Queiramos ou não. Saibamos ou não. O que realmente devemos fazer é nos preparar para esse momento e essa preparação passa necessariamente pelo que diz a poesia do Drummond, viver o momento presente, porque nele e somente nele podemos atuar de forma consciente e criteriosa, agindo com sabedoria.
Socorrendo-nos mais uma vez no poeta maior, transcrevo mais uma contribuição dele:
“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”.
O noticiário diário está repleto de situações de furtos e de roubos que se repetem constantemente, assustando a população que, acuada, não sabe como reagir, como se cuidar, como se prevenir. A orientação geral dada pelas autoridades policiais é a de que em situação de assalto, não se deve reagir, buscando pelo menos, preservar a vida. Vão se os anéis, mas ficam os dedos. O difícil é praticar esse ensinamento.
Juvenal Arduini, em seu livro DESTINAÇÃO ANTROPOLÓGICA, proclama: “A vida é a resposta maior aos inquietantes desafios de nosso tempo. As decisões que irão plasmar o futuro do mundo hão de acolher, projetar e cultivar a vida humana, como núcleo primacial. Só haverá antropologia, e, consequentemente, só haverá ética, a partir do momento em que se tenha a sabedoria de decifrar “a marca do homem” na vida, ainda que seja miúda, ainda que seja vida severina”.
É isso aí.


As incertezas da vida moderna estão a exigir das pessoas uma atividade cada vez mais opressiva, gerando perplexidade e determinando uma ação apressada, sem muita reflexão. Vivemos os tempos da ambiguidade, do paradoxo. Vivemos fugindo do momento presente, procurando alcançar num futuro imprevisível o que não conseguimos agora. E assim, não vivemos nem aqui nem lá.

Carlos Drummond de Andrade, com a sua sensibilidade de grande poeta, assim se manifestou:

“Não serei o poeta de um mundo caduco.

Também não cantarei o mundo futuro. Estou preso à vida e olho meus companheiros.

Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.

Entre eles, considero a enorme realidade.

O presente é tão grande, não nos afastemos.

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,

não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

 Drummond sintetizou assim, uma fórmula, uma lição clara e verdadeira de viver a vida: no presente.

A afobação que caracteriza estes tempos provoca uma grande frustração e angústia.

No Livro dos Provérbios, há uma orientação muito precisa no capítulo 19, v.2: “Não adianta agir sem refletir, pois quem apressa o passo acaba tropeçando”. Não vos afobeis porque a morte é certa, proclama um dito popular.

Pitágoras, em seus Versos de Ouro, verso 16, proclama: “Mas lembra sempre um fato, o de que a morte virá a todos”.

Mas a morte em si, longe de ser uma ruptura, um fim, representa apenas e tão somente uma ponte que liga esta terra maravilhosa com o mundo espiritual onde receberemos de acordo com os nossos merecimentos e que representa o nosso verdadeiro futuro. Queiramos ou não. Saibamos ou não. O que realmente devemos fazer é nos preparar para esse momento e essa preparação passa necessariamente pelo que diz a poesia do Drummond, viver o momento presente, porque nele e somente nele podemos atuar de forma consciente e criteriosa, agindo com sabedoria.

Socorrendo-nos mais uma vez no poeta maior, transcrevo mais uma contribuição dele:
“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade”. 

O noticiário diário está repleto de situações de furtos e de roubos que se repetem constantemente, assustando a população que, acuada, não sabe como reagir, como se cuidar, como se prevenir. A orientação geral dada pelas autoridades policiais é a de que em situação de assalto, não se deve reagir, buscando pelo menos, preservar a vida. Vão se os anéis, mas ficam os dedos. O difícil é praticar esse ensinamento.

Juvenal Arduini, em seu livro DESTINAÇÃO ANTROPOLÓGICA, proclama:

“A vida é a resposta maior aos inquietantes desafios de nosso tempo. As decisões que irão plasmar o futuro do mundo hão de acolher, projetar e cultivar a vida humana, como núcleo primacial. Só haverá antropologia, e, consequentemente, só haverá ética, a partir do momento em que se tenha a sabedoria de decifrar “a marca do homem” na vida, ainda que seja miúda, ainda que seja vida severina”. 

É isso aí.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 18:04
 
Contraponto PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 15 de Junho de 2012 00:00

A evolução tecnológica proporciona hoje mais rapidez nas comunicações, como nunca existiu até então. A globalização nos permite saber o que está acontecendo no outro lado do mundo instantaneamente. E essa velocidade concorre muitas vezes para que a superficialidade nos assuntos faça com que o que se leu de manhã, à tarde já se torne notícia velha. Sinal dos tempos.

No cenário político do nosso país, nestes tempos de petismo predominante, o que vemos são alianças entre políticos que, a princípio, não subiriam no mesmo palanque, mas, por míseros segundos na propaganda eleitoral na TV, se abraçam e se coligam. Como sabemos, os políticos encontram explicações para tudo. Como dizia o doutor Ulysses Guimarães: “política é como nuvem; você vê uma figura e ao olhar de novo, está tudo mudado”.

A cada dia, circulam nas redes sociais mensagens de cunho político, condenando ou absolvendo pessoas, partidos, governos. Há poucos dias recebi um e-mail desses, da professora Martha Pannunzio, que também é pecuarista, desancando o governo Dilma devido ao anúncio do novo benefício social instituído pela presidente, o Brasil Carinhoso. A autora da mensagem eletrônica é uma professora aposentada e pecuarista que critica o assistencialismo excessivo, a seu ver, do governo brasileiro, com argumentos válidos em alguns pontos e em outros não.

Contrapondo o ponto de vista da professora Martha, pronunciou-se publicamente o também professor Márcio Amêndola de Oliveira, professor de história na USP, apresentando seus argumentos, todos favoráveis ao governo petista e ao Lula. Quando entra a bipolarização partidária, ou a velha cantilena da luta do bem contra o mal, todos os fundamentos perdem sua substância.

Eu fico impressionado como cada lado consegue demonstrar o seu raciocínio de forma aparentemente irrefutável, defendendo os seus pontos de vista com tanta garra.O Os gregos, com a sabedoria que acumularam muitos séculos antes de enrascada do euro, inventaram uma expressão – húbris – para significar uma coisa que passa da medida, e pode ser sinônimo de presunção, arrogância, ou pura falta de comedimento que, com muita propriedade, se aplica aos dois lados da questão a que me refiro.

O conceito de contraponto, segundo os dicionários, é a disciplina que ensina a compor polifonia que, na música, é a técnica de composição onde não há uma linha melódica principal. As melodias se alternam entre si e formam harmonias com notas isoladas. Em política, significa contrapor as vantagens e desvantagens de cada posição, buscando ressaltar suas diferenças e puxando a brasa para sua sardinha. Não precisamos adentrar na política para constatar o contraponto: o ser humano, por natureza, é contraditório. Coerência é algo muito difícil de se conseguir porque os interesses pessoais variam e se alternam. Nélson Rodrigues pontifica sobre o tema: “O ser humano é capaz de tudo, até de uma boa ação. Não é, porém, capaz de ser imparcial”.

No caso dos dois textos pró e contra o PT, o teor inflamado das argumentações é justamente o que enfraquece o discurso, onde se misturam alhos e bugalhos tentando manipular a atenção de quem lê. Se separarmos o joio do trigo em cada caso, e relativizarmos o que cada um diz, aí sim podemos começar a exercer o senso crítico para absorver o que cada um tem de melhor. Os dois estão certos, em certa medida, mas também estão equivocados em sua abordagem exagerada dos fatos.

No campo filosófico, temos o maniqueísmo segundo o qual tudo foi criado e é dominado por dois princípios antagônicos e irredutíveis e que se baseia em fundamentos opostos: o bem e o mal. E afirma que só existem duas possibilidades. Já a dialética – a busca da melhor solução – apresenta um leque de alternativas para que se procure um caminho que saia desse engessamento.

Na Justiça, o contraditório é um princípio. Sem este, não há como os juízes formarem o seu juízo. Na realidade, cabe a cada um procurar o seu melhor caminho. Para terminar uma frase do filósofo Thomas Hobbes: “Há uma luta constante, incessante entre os homens para adquirir mais poder. Tendem à discórdia por três razões principais: competição pelo lucro, a desconfiança e a glória”.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 17:56
 
Do Comerciante PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sáb, 12 de Maio de 2012 00:00

Há uma discussão interessante a respeito de qual seria a profissão mais antiga do mundo. Popularmente se diz que seria a prostituição. Mas há um engano nessa afirmação, porque profissão enseja necessariamente um pagamento em retribuição a um trabalho prestado. E no começo do mundo não havia dinheiro ou nada que se lhe equivalesse. A moeda só foi surgir na China, há 4000 anos. Com as características atuais, surgiu na Grécia no século VII a.C. Com a evolução, chegamos ao papel-moeda.

Primitivamente as comunidades eram formadas por pessoas que se aglutinavam em função de interesses comuns. A subsistência, inicialmente era provida por caça. Assim se pode considerar o ofício de caçador como uma das mais antigas. Mas mesmo assim, no começo não havia remuneração o que, novamente, invalida essa tese.

Outros consideram a agricultura como a atividade mais antiga. O que não se discute é que no começo o ser humano tinha de cuidar da alimentação da sua comunidade. E o que havia em excesso ou era produzido acima das necessidades do grupo, passaram a ser trocadas, iniciando-se aí a troca de mercadorias que foi denominada de escambo. No começo a troca era feita sem a preocupação da equivalência em valor. A criança, por exemplo, troca com um colega um brinquedo caro por outro de menor valor, mas que quer muito, sem considerar o seu preço.

Quando entra em cena a moeda, a situação começa a mudar significativamente. Com ela, a atividade passou a ser operação triangular, início do comércio. O comércio é a mola propulsora do progresso, desde que o mundo é mundo. Assim foi em todas as épocas, desde as mais remotas. O que nos leva a considerar como a profissão mais antiga a do comerciante e cuja atividade sempre contribuiu para um desenvolvimento geral.

No dia 16 de julho – data de nascimento de José da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu – comemora-se em todo o Brasil o Dia do Comerciante, instituído pela lei nº 2048, de 26/12/53.  Trata-se de uma das datas mais importantes do nosso calendário, pois o comércio é vital para a economia de uma nação. Afinal, é por meio do comércio que são escoadas todas as produções, desde os produtos hortifrutigranjeiros, até os mais sofisticados equipamentos industriais.

O Visconde de Cairu foi sem dúvida alguma o político brasileiro mais influente em fins do século XVIII e parte do século XIX, influenciando diretamente D. João VI e depois D. Pedro I. Em 1809, organizou o código de comércio. Foram tantas as suas iniciativas, todas voltadas para o livre exercício das atividades comerciais e industriais em nosso país, que não caberiam neste artigo. Destaco também sua atuação no campo da educação: em 1832 lutou pela criação de uma universidade no Rio de Janeiro, que só foi concretizada 100 anos depois.

O dia do comerciante como registro histórico é o dia 16 de julho. Mas o comerciante é um profissional tão competente, que, na realidade, existem vários dias do comerciante em cada ano: dia das mães, dia dos pais, dia dos namorados, dia da criança, natal. Na realidade, se formos computar o que acontece mesmo, vamos chegar à conclusão que todo dia é dia do comerciante.

Última atualização em Seg, 08 de Outubro de 2012 17:36
 
<< Início < Anterior 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 Próximo > Fim >>

Página 108 de 122

Redes sociais

Facebook 
Hjemmeside Wildberry Telefoni Internet