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Um século de história PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Ter, 25 de Setembro de 2018 17:45
UM SÉCULO DE HISTÓRIA
Quando participamos e nos envolvemos com as atividades comunitárias, às vezes a passagem do tempo se faz de forma imperceptível. De repente somos surpreendidos com fatos históricos, de cuja ação não nos demos conta.
É o que aconteceu com o Colégio Osvaldo Cruz. Ao fazer a prospecção para restauração e recuperação do prédio original, a arquiteta Perla Larsen, especialista nessa área, contratada pela Associação Beneficente Santa Casa, proprietária do imóvel, fez também uma pesquisa sobre a história do Colégio, descobrindo quando o prédio foi construído e como veio a se tornar parte importante e influente na história da nossa cidade: tudo começou há cem anos.
O prédio do Colégio Osvaldo Cruz teve sua edificação iniciada em 1916 e foi concluído em 1918. Destinado inicialmente para atividades comerciais, era apenas um armazém de secos e molhados da firma Carmelo & Interlando, de propriedade dos irmãos Moliterno. Contrataram Francesco Cetraro, vindo da Itália para executar a fachada da edificação. Contou também com Adolfo Carlos Stefano Tognini, construtor, pai de Alexandre Tognini (que aos 11 anos começou aí sua vitoriosa carreira de mestre de obras). “Tutti oriundi”.
A influência da colônia italiana em nossa cidade é notável. Alexandre Tognini, pai dos médicos Gil Tognini e Edson Tognini e irmão de Nadir e Oswaldo Tognini, estes comerciantes que marcaram também sua participação na Maçonaria. Nadir e Oswaldo foram Grão Mestres da Grande Loja Maçônica de Mato Grosso (hoje de Mato Grosso do Sul).
Voltando ao armazém de secos e molhados, funcionou assim até o ano de 1927, quando Henrique Corrêa, em março daquele ano, fundou o Ginásio Osvaldo Cruz. Em 1933, o Ginásio passou a pertencer ao Sindicato dos Professores do Curso Secundário, sendo adquirido pelo professor Enzo Ciantelli, em 1934.
Em 1940, o Ginásio foi comprado pelos jovens advogados José Manoel Fontanillas Fragelli e Wilson Barbosa Martins, políticos históricos em nosso estado. Fragelli foi deputado constituinte em 1947, governador de Mato Grosso, de 1970 a 1974, depois senador por Mato Grosso do Sul, presidente do Senado Federal, chegando a ocupar interinamente a presidência da República; Wilson foi prefeito de Campo Grande, deputado federal (cassado pela ditadura militar), governador de Mato Grosso do Sul por dois mandatos e também senador da República.
Em 1942, o advogado Luiz Alexandre de Oliveira adquiriu o Ginásio. Em 1949 o local foi autorizado por decreto federal a funcionar como colégio. Luiz Alexandre foi um ícone em nossa cidade. Negro, filho de lavadeira, cego de um olho e com grande deficiência no outro olho, fez da sua vida um exemplo de superação. Lutando com todas as dificuldades, sustentado pela mãe, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou no vestibular para a Faculdade Nacional de Direito.
Formado, voltou a Campo Grande, começando a advogar e a construir uma sólida carreira no direito. Constituiu um patrimônio respeitável. Solteiro e sem herdeiros, destinou todo o seu patrimônio a entidades beneficentes e de caridade. Destinou à Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (da qual era associado) o imóvel onde funcionava o Colégio Osvaldo Cruz. O seu escritório na avenida Calógeras foi doado para a Federação Espírita de Mato Grosso do Sul. Um terreno com mais de 5 mil metros quadrados, adjacente ao Colégio Osvaldo Cruz, foi doado, ainda em vida, para a Loja Maçônica Oriente Maracajú (primeira Loja Maçônica de Campo Grande), da qual Luiz Alexandre era obreiro.
Em 2005, o então prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho, ilegalmente interveio na Santa Casa, e, mandou também invadir o Colégio só porque era de propriedade da Associação Beneficente. O hospital foi devolvido por decisão judicial em 2013. A  posse do Colégio só foi recuperada também na Justiça, em 2015. Na sentença judicial da retomada do imóvel, foi determinado o ressarcimento dos prejuízos causados pela posse ilegal do Colégio, no montante de R$ 4,28 milhões referente a alugueres, reparação de danos e lucros cessantes, valor que está sendo aplicado na recuperação do imóvel. Essa indenização a rigor deveria ser paga pelo então prefeito, do seu próprio bolso por sua ação manifestamente ilegal. No entanto, todos nós estamos pagando, pois quem está arcando com a indenização é a prefeitura de Campo Grande.
Hoje, o prédio está sendo restaurado e reformado para sediar a Escola de Saúde da Santa Casa, com previsão de cursos de medicina, enfermagem, fisioterapia e também de nutrição, retomando sua destinação histórica e cumprindo o ideal que sempre norteou a vida do dr. Luiz Alexandre de Oliveira. A reforma do prédio está a cargo da empresa do arquiteto José Marcos da Fonseca.
A Santa Casa de Campo Grande, sob a presidência do advogado Esacheu Cipriano Nascimento destaca-se sob sua administração com realizações concretas voltadas para a assistência médico-hospitalar, entre as quais a conclusão da unidade de traumatologia, já em pleno funcionamento com 110 novos leitos, depois de mais de 20 anos de obras e paralisadas desde 2011 (construção retomada em 2015); a construção do novo edifício que abrigará a parte administrativa a ser concluída ainda este mês; a recuperação de todo o entorno da Santa Casa, reformas das alas de enfermarias, lavanderia, etc etc etc.
Assim quando o Colégio Osvaldo Cruz completa 100 anos de sua construção, Campo Grande poderá se orgulhar de mais uma entidade histórica com rico manancial a servir sua população. Registro também o meu orgulho por ter sido aluno do Colégio Osvaldo Cruz.
Vida longa à Santa Casa de Campo Grande e sua subsidiária também centenária.
Heitor Rodrigues Freire – Membro do Conselho de Administração da Santa Casa.

Quando participamos e nos envolvemos com as atividades comunitárias, às vezes a passagem do tempo se faz de forma imperceptível. De repente somos surpreendidos com fatos históricos, de cuja ação não nos demos conta.

É o que aconteceu com o Colégio Osvaldo Cruz. Ao fazer a prospecção para restauração e recuperação do prédio original, a arquiteta Perla Larsen, especialista nessa área, contratada pela Associação Beneficente Santa Casa, proprietária do imóvel, fez também uma pesquisa sobre a história do Colégio, descobrindo quando o prédio foi construído e como veio a se tornar parte importante e influente na história da nossa cidade: tudo começou há cem anos.

Última atualização em Qui, 27 de Setembro de 2018 16:46
 
Quousque tandem, ego meo, abutere patientia mea? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Sex, 14 de Setembro de 2018 23:42
QUOUSQUE TANDEM, EGO MEO, ABUTERE PATIENTIA MEA? (*)
O processo de autoconhecimento que deve ser uma prática constante em nossas vidas nos leva, paulatinamente, a descobrir a existência de um componente que se revela profundamente pernicioso em nossa evolução: o ego.
O ego nos domina de uma forma escravizante. Inventa uma série de necessidades inexistentes, criando uma ilusão de poder, de conquistas, de realizações que, na realidade, tornam-se um mecanismo de dominação dele sobre nós.
A pressa e a preguiça são frutos do ego. Com a pressa, deixamos de estar presentes no agora e passamos a agir fora de nós mesmos, ou seja, não estamos aqui nem ali. E esse estado irreal nos conduz a ações precipitadas e inconsequentes.
Por outro lado, a preguiça nos induz a adiar o que devemos fazer no momento para mais tarde, e assim deixamos de aproveitar o instante em que a vida se realiza: o agora.
Outra forma de domínio do ego é quando as pessoas se deixam levar por discussões por qualquer motivo, gerando brigas, agressões e atitudes muitas vezes inconciliáveis. Nesse momento passamos a julgar uns aos outros. Precisamos nos dar conta de que cada indivíduo é único. O ego nos leva a agir de forma a comparar as pessoas. E, assim, a julgá-las.
Quando atingimos a maturidade por meio do autoconhecimento, chegamos a um estado de equilíbrio que produz clareza – que começa com a palavra clara e certa e se reflete no pensamento. Tudo começa com a palavra: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus” (Jo, 1, 1-5).
Dentre os artifícios que o ego usa para nos dominar, vou relacionar alguns para que cada um possa identificá-los e assim buscar sua própria independência desse poder.
1. Um ponto importante é não permitir que sejamos ofendidos. Quem ofende e quem se sente ofendido é o ego. O conflito nasce na resposta. Não havendo resposta, não há atrito.
2. Liberar a necessidade de vencer. Vencer e perder fazem parte da vida. Sempre haverá alguém mais inteligente e mais capaz. É só entender e aceitar.
3. A necessidade de estar sempre certo. A posição intermediária é a do observador.
4. Vencer a vontade de ser superior. Focar nossas atitudes em melhorar nosso desempenho pessoal. Ninguém é melhor do que o outro. Todos somos filhos de Deus, emanando da mesma fonte.
5. Vencer a necessidade de possuir cada vez mais. O ego nos submete a um desejo constante de sempre querer mais. Estamos permanentemente ligados à Fonte Universal que nos supre do essencial.
6. Deixar de nos vangloriar de nossas próprias realizações. Ninguém faz nada sozinho, somos instrumentos de Deus, que nos permite a oportunidade de trabalho pessoal, porque sem Ele nada se faz.
7. Abandonar a reputação. Quem precisa da reputação, que depende dos outros, deixa de agir com aquilo que lhe é inerente: o seu caráter.
Seguindo esses passos, vamos acabar descobrindo o nosso verdadeiro eu, que se encontra no coração de cada um de nós. Observem que toda cada vez que nos referimos a nós mesmos levamos automaticamente, as mãos ao peito. Pois foi ali que Deus colocou o seu mandamento, como Ele mesmo disse a Moisés no livro Deuteronômio 30, 11-14. E, assim, encontraremos o maior de todos os tesouros, o EU SOU.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.
(*) A construção do título deste artigo em latim (Até quando meu ego, abusarás da minha paciência?) contou com a inestimável colaboração do meu amigo, dr. Methódio de Arruda Filho, a quem agradeço penhoradamente.

O processo de autoconhecimento que deve ser uma prática constante em nossas vidas nos leva, paulatinamente, a descobrir a existência de um componente que se revela profundamente pernicioso em nossa evolução: o ego.

O ego nos domina de uma forma escravizante. Inventa uma série de necessidades inexistentes, criando uma ilusão de poder, de conquistas, de realizações que, na realidade, tornam-se um mecanismo de dominação dele sobre nós.

Última atualização em Sex, 14 de Setembro de 2018 23:50
 
Frederico Vitório, um Valente PDF Imprimir E-mail
Escrito por Heitor Freire   
Seg, 10 de Setembro de 2018 01:16
FREDERICO VITÓRIO, UM VALENTE
No dia 1º de setembro último, faleceu em nossa cidade o engenheiro Frederico Vitório Valente, campo-grandense que honrou com seu trabalho constante, consciente e idealístico a oportunidade de sua encarnação.
Ele foi neto de Antônio Valente, filho de Walter Valente e Maria Vitório Valente.
O mercado municipal de Campo Grande tem o nome de seu avô, Antônio Valente, como reconhecimento pelo trabalho comunitário realizado em nossa cidade, numa homenagem prestada pelo prefeito Antônio Mendes Canale. Seu pai, Walter Valente, deixou o próprio nome inscrito na história do esporte campo-grandense. Foi um grande incentivador do futebol, tendo contribuído com muita dedicação para o ressurgimento de dois times de futebol que fizeram história: o Continental e o Mamoré que, mais tarde fundidos, deram origem ao Continental-Mamoré. Frederico Valente, que nos deixou há poucos dias, viveu impregnado pelo espírito de compromisso comunitário de seus antepassados.
Frederico estudou no Colégio Osvaldo Cruz, onde cursou desde o primário até o científico. Sua mãe, dona Maria, vendo nele o potencial para continuar os estudos, apesar dos poucos recursos de que dispunha fez o que pôde para proporcionar ao filho o acesso à universidade. Ele aceitou o desafio e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde prestou vestibular na Universidade Federal, em 1968 – ano de grandes transformações políticas e sociais –, sendo aprovado no primeiro vestibular que prestou para engenharia civil.
Após sua formatura em 1972 – casou-se com a Marisa Maia, constituindo assim sua própria família –, e um período de trabalho como engenheiro sanitarista na Bahia, retornou a Campo Grande. Quando da absorção do serviço municipal de água e esgoto pela Sanemat, no governo Garcia Neto, passou a trabalhar lá.
Logo a seguir Frederico começou intensa atividade política e classista ao lado do professor Fausto Mato Grosso Pereira (iniciando uma dobradinha que durou toda a sua vida) na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Campo Grande, trabalhando para a eleição do engenheiro Euclydes de Oliveira para a presidência da entidade, no período, 1978/79.
Valente foi eleito presidente da Associação para o período seguinte, 1980/1981. No exercício desse mandato teve atuação decisiva, pleiteando junto ao governador Pedro Pedrossian a realização de um concurso público para a participação de engenheiros e arquitetos do nosso estado na elaboração dos projetos para a implantação do Parque dos Poderes. O governo já estava contratando uma empresa de São Paulo, para esta finalidade. A firme ação de Frederico defendendo corajosamente a participação dos profissionais locais impressionou o governador, que acabou concordando com o concurso público local.
Durante a sua presidência, a Associação tornou-se um fórum político muito importante e influente, com discussão de ideias que empolgavam não só os associados mas a juventude em geral.
As digitais de Frederico estão impressas também no Parque das Nações Indígenas, cuja criação nasceu sob a inspiração de um seminário idealizado por ele durante seu mandato como vereador.
Frederico Valente participou ativamente da campanha para a eleição de Wilson Barbosa Martins, primeiro governador eleito (MDB) após a ditadura militar. No governo Wilson Barbosa, Frederico presidiu a Sanesul. Nesse mandato houve uma influência muito grande da associação dos engenheiros e arquitetos: o presidente da Enersul foi o engenheiro Ricardo Bacha, o diretor geral do DOP (Departamento de Obras Públicas) , o engenheiro Euclydes de Oliveira.
Frederico dedicou sua vida à causa pública, saneamento básico e meio ambiente.
Exerceu os seguintes cargos:
Presidente da Sanesul – 1983/1987 – gov. Wilson Barbosa Martins;
Secretário Nacional de Saneamento – Ministério do Desenvolvimento Urbano e de Meio Ambiente – mar/1987 a jul/1988;
Vereador em Campo Grande – 1989/1993;
Secretário de Planejamento, Ciência e Tecnologia Jan/1995 – fev/1996;
Diretor da Secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste – Ministério da Integração Nacional – 2004/2011.
Juntamente com o professor Fausto Mato Grosso Pereira – o grande parceiro de toda sua vida – e sob os auspícios da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande – entidade que desde sua fundação sempre esteve à frente de iniciativas que marcaram a história da nossa cidade –, Frederico Valente criou o programa Por Uma Cidade Democrática, que se constituiu na sua última contribuição efetiva para a conscientização da nossa população, com vistas a uma participação ativa nos destinos da nossa capital.
Frederico Vitório Valente tem seu nome gravado para sempre na história de Campo Grande e nos deixa um exemplo vivo de cidadania participativa a ser seguido pela nossa população.
Heitor Rodrigues Freire – Corretor de imóveis e advogado.

No dia 1º de setembro último, faleceu em nossa cidade o engenheiro Frederico Vitório Valente, campo-grandense que honrou com seu trabalho constante, consciente e idealístico a oportunidade de sua encarnação.

Ele foi neto de Antônio Valente, filho de Walter Valente e Maria Vitório Valente.O mercado municipal de Campo Grande tem o nome de seu avô, Antônio Valente, como reconhecimento pelo trabalho comunitário realizado em nossa cidade, numa homenagem prestada pelo prefeito Antônio Mendes Canale. Seu pai, Walter Valente, deixou o próprio nome inscrito na história do esporte campo-grandense. Foi um grande incentivador do futebol, tendo contribuído com muita dedicação para o ressurgimento de dois times de futebol que fizeram história: o Continental e o Mamoré que, mais tarde fundidos, deram origem ao Continental-Mamoré.

Última atualização em Seg, 10 de Setembro de 2018 06:54
 
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