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Luís Alexandre, um altruísta PDF Imprimir E-mail
LUÍS ALEXANDRE, UM ALTRUÍSTA
Campo Grande é uma cidade que se caracteriza pela elevada consciência espiritual de muitos de seus moradores, que se constituíram em exemplos vivos de amor ao próximo, deixando legados que imortalizaram seus nomes.
São tantos, que, quando se pretende registrá-los, corre-se o risco de cometer injustiça pela omissão de algum nome de primeira grandeza. Mesmo assim, correndo esse risco, menciono, por exemplo, Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Eduardo Olímpio Machado, Camillo Boni, Arlindo de Andrade Gomes, Vespasiano Barbosa Martins, Hércules Maymone, João Nogueira Vieira, Maria Constança de Barros Machado, Oliva Enciso e Luís Alexandre de Oliveira.
Essas pessoas deixaram seus nomes inscritos em nossa história pelo altruísmo de seus atos. O altruísmo é o comportamento que caracteriza uma ação que proporciona ao outro a oportunidade de conseguir uma conquista que, sozinho não conseguiria. É a anulação da pessoa em benefício do outro. É o contrário do egoísmo.
Dentre as personalidades citadas acima, destaco hoje, a figura ímpar de Luís Alexandre de Oliveira, uma pessoa que bem exemplifica o altruísmo praticado no seu mais elevado grau, sendo também um exemplo marcante de superação.
Filho de uma lavadeira, Luís Alexandre, negro, ao nascer ficou cego de um olho por imperícia da enfermeira que assistia ao seu parto, que o atingiu acidentalmente na visão logo em seus primeiros momentos de vida. Desafortunadamente, ele tinha também uma acentuada deficiência visual no outro olho. Usava um óculos com lente de “fundo de garrafa” para o olho esquerdo, já que no direito nada enxergava.
Apesar da situação, Luís Alexandre soube superar essa deficiência. Para ler um texto, por exemplo, ele tinha que aproximá-lo bem rente ao olho. Com a fragilidade imposta pela condição física, tinha grande dificuldade em ler.
Luís Alexandre nasceu em Minas Gerais e aqui aportou com a mãe, Januária Maria de Oliveira, que buscava um meio de sobrevivência para educar o filho. Radicaram-se em Aquidauana e ali ela trabalhou como lavadeira. Logo depois mudaram-se para Campo Grande, onde o menino começou seus estudos em escola pública.
Em Campo Grande, Luís Alexandre começou a trabalhar na execução da rede de água da cidade, com picareta. Conseguiu fazer o curso primário no então Instituto Pestalozzi. Demonstrando desde cedo sua vocação para a educação, lecionou em sua própria casa, iniciando uma escola primária, o Instituto Rui Barbosa.
Tempos depois, Luís Alexandre foi convidado para dar aulas na Escola Visconde de Cairu, destinada aos filhos da colônia japonesa. Foi o primeiro professor brasileiro daquela instituição. Nasceu daí sua ligação com o país do sol nascente. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde se graduou em direito, voltando para Campo Grande.
Em 1937, diante da perseguição aos japoneses por causa da Segunda Guerra Mundial, Luís Alexandre assumiu a direção da Escola Visconde de Cairu, para evitar que fosse fechada pela ditadura Vargas. Foi o grande e intransigente defensor da colônia japonesa ante a feroz perseguição do regime. Depois da guerra, devolveu a direção da escola a seus verdadeiros donos.
Por essa dedicação, Luís Alexandre foi homenageado pelo governo de Okinawa e do imperador Hiroito, recebeu a comenda da Ordem do Sol Nascente.
Tempos depois, Luís Alexandre adquiriu o Colégio Osvaldo Cruz, e como seu diretor foi o mentor profissional de grandes figuras da nossa cidade. Implantou diversos cursos noturnos, permitindo, assim, acesso a uma população que trabalhava de dia e só podia estudar à noite. Eu, ainda menino, aos 11 anos, me lembro dos acalorados discursos que ele proferia semanalmente aos alunos do turno matutino, com veemência e ardor cívico jamais vistos. Foi o primeiro grande orador a que assisti pessoalmente.
Graças ao seu trabalho, Luís Alexandre amealhou um patrimônio considerável. Ao morrer, solteiro e sem herdeiros, doou todos os seus bens a instituições de benemerência. À Loja Maçônica Oriente Maracajú número 1, da qual foi obreiro por mais de 40 anos, doou uma área central bem valorizada, ao lado do Colégio Osvaldo Cruz.
O prédio do Colégio Osvaldo Cruz foi doado por ele para a Associação Beneficente de Campo Grande – Santa Casa que, em sua homenagem, implantará ali uma instituição com o seu nome, perpetuando-o justamente no ideal que norteou sua vida: a educação. Será naquele local instalada a escola de saúde dr. Luís Alexandre de Oliveira,  embrião da futura faculdade de medicina da Santa Casa.
Luís Alexandre doou a casa em que morou para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, da qual era membro. Seu escritório, localizado na avenida Calógeras, foi destinado à Federação Espírita de Mato Grosso do Sul. Também doou um terreno para a Sociedade Municipal Espírita, localizado próximo ao Colégio Osvaldo Cruz.. E seu pecúlio maçônico foi concedido ao Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos.
Sem dúvida alguma, Luís Alexandre de Oliveira foi um exemplo vivo de superação, competência, altruísmo e de filantropia a ser seguido.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

Campo Grande é uma cidade que se caracteriza pela elevada consciência espiritual de muitos de seus moradores, que se constituíram em exemplos vivos de amor ao próximo, deixando legados que imortalizaram seus nomes. 

São tantos, que, quando se pretende registrá-los, corre-se o risco de cometer injustiça pela omissão de algum nome de primeira grandeza. Mesmo assim, correndo esse risco, menciono, por exemplo, Eduardo Santos Pereira, Bernardo Franco Baís, Eduardo Olímpio Machado, Camillo Boni, Arlindo de Andrade Gomes, Vespasiano Barbosa Martins, Hércules Maymone, João Nogueira Vieira, Maria Constança de Barros Machado, Oliva Enciso e Luís Alexandre de Oliveira.

Essas pessoas deixaram seus nomes inscritos em nossa história pelo altruísmo de seus atos. O altruísmo é o comportamento que caracteriza uma ação que proporciona ao outro a oportunidade de conseguir uma conquista que, sozinho não conseguiria. É a anulação da pessoa em benefício do outro. É o contrário do egoísmo.

Dentre as personalidades citadas acima, destaco hoje, a figura ímpar de Luís Alexandre de Oliveira, uma pessoa que bem exemplifica o altruísmo praticado no seu mais elevado grau, sendo também um exemplo marcante de superação.

Filho de uma lavadeira, Luís Alexandre, negro, ao nascer ficou cego de um olho por imperícia da enfermeira que assistia ao seu parto, que o atingiu acidentalmente na visão logo em seus primeiros momentos de vida. Desafortunadamente, ele tinha também uma acentuada deficiência visual no outro olho. Usava um óculos com lente de “fundo de garrafa” para o olho esquerdo, já que no direito nada enxergava.

Apesar da situação, Luís Alexandre soube superar essa deficiência. Para ler um texto, por exemplo, ele tinha que aproximá-lo bem rente ao olho. Com a fragilidade imposta pela condição física, tinha grande dificuldade em ler. 

Luís Alexandre nasceu em Minas Gerais e aqui aportou com a mãe, Januária Maria de Oliveira, que buscava um meio de sobrevivência para educar o filho. Radicaram-se em Aquidauana e ali ela trabalhou como lavadeira. Logo depois mudaram-se para Campo Grande, onde o menino começou seus estudos em escola pública.

Em Campo Grande, Luís Alexandre começou a trabalhar na execução da rede de água da cidade, com picareta. Conseguiu fazer o curso primário no então Instituto Pestalozzi. Demonstrando desde cedo sua vocação para a educação, lecionou em sua própria casa, iniciando uma escola primária, o Instituto Rui Barbosa. 

Tempos depois, Luís Alexandre foi convidado para dar aulas na Escola Visconde de Cairu, destinada aos filhos da colônia japonesa. Foi o primeiro professor brasileiro daquela instituição. Nasceu daí sua ligação com o país do sol nascente. Mudou-se para o Rio de Janeiro onde se graduou em direito, voltando para Campo Grande. 

Em 1937, diante da perseguição aos japoneses por causa da Segunda Guerra Mundial, Luís Alexandre assumiu a direção da Escola Visconde de Cairu, para evitar que fosse fechada pela ditadura Vargas. Foi o grande e intransigente defensor da colônia japonesa ante a feroz perseguição do regime. Depois da guerra, devolveu a direção da escola a seus verdadeiros donos. Por essa dedicação, Luís Alexandre foi homenageado pelo governo de Okinawa e do imperador Hiroito, recebeu a comenda da Ordem do Sol Nascente.

Tempos depois, Luís Alexandre adquiriu o Colégio Osvaldo Cruz, e como seu diretor foi o mentor profissional de grandes figuras da nossa cidade. Implantou diversos cursos noturnos, permitindo, assim, acesso a uma população que trabalhava de dia e só podia estudar à noite. Eu, ainda menino, aos 11 anos, me lembro dos acalorados discursos que ele proferia semanalmente aos alunos do turno matutino, com veemência e ardor cívico jamais vistos. Foi o primeiro grande orador a que assisti pessoalmente.

Graças ao seu trabalho, Luís Alexandre amealhou um patrimônio considerável. Ao morrer, solteiro e sem herdeiros, doou todos os seus bens a instituições de benemerência. À Loja Maçônica Oriente Maracajú número 1, da qual foi obreiro por mais de 40 anos, doou uma área central bem valorizada, ao lado do Colégio Osvaldo Cruz.

O prédio do Colégio Osvaldo Cruz foi doado por ele para a Associação Beneficente de Campo Grande – Santa Casa que, em sua homenagem, implantará ali uma instituição com o seu nome, perpetuando-o justamente no ideal que norteou sua vida: a educação. Será naquele local instalada a escola de saúde dr. Luís Alexandre de Oliveira,  embrião da futura faculdade de medicina da Santa Casa.

Luís Alexandre doou a casa em que morou para a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, da qual era membro. Seu escritório, localizado na avenida Calógeras, foi destinado à Federação Espírita de Mato Grosso do Sul. Também doou um terreno para o Instituto de Cultura Espírita de Mato Grosso do Sul, localizado próximo ao Colégio Osvaldo Cruz. E seu pecúlio maçônico foi concedido ao Instituto Sul-Mato-Grossense para Cegos.

Sem dúvida alguma, Luís Alexandre de Oliveira foi um exemplo vivo de superação, competência, altruísmo e de filantropia a ser seguido.

 

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