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Heitor Freire

Das Ditas Cotas

Há, hoje, uma clara inversão de valores.
Para chegarmos a uma definição de conceitos, é necessário que façamos algumas digressões:
Para se chegar a uma conclusão verdadeira, o raciocínio nos orienta a buscarmos a fonte, pois assim poderemos com conhecimento  avaliar uma situação e desenvolver  um entendimento  real.
Qual é a fonte de tudo?
Deus.
Deus existe? Deus existe.
Deus é justo? Deus é justo.
Então, se Deus existe e se Deus é justo e tudo o que existe foi criado por Deus, tudo, naturalmente, obedece a um critério justo.
Assim, Deus, na sua infinita sabedoria, ao criar o ser humano, fê-lo de tal forma que cada um foi aquinhoado com igual condição mental e espiritual,  cabendo a cada um fazer o seu trabalho, fazer a sua parte para a sua própria evolução, não havendo então ninguém privilegiado.
Lembrando sempre que trabalho é o nosso meio de evolução.
Outro ponto básico: nada acontece por acaso. Tudo tem uma causa e uma conseqüência lógica  decorrente dessa causa.
Assim sendo, a única explicação lógica a respeito da diversidade humana decorre, naturalmente,  da consciência de cada um. E é também entendido através do sistema da reencarnação estipulado por Deus, para que, ao longo do tempo, cada um passando por diversas situações em diferentes locais e condições, possa por seus próprios meios obter a sua evolução e a sua libertação. Nada mais justo.  Cada um recebe de acordo com o seu merecimento.
Não há então, como aceitar-se que cada ser humano nasça só uma vez e  ao fim de sua existência morra, aguardando por milênios para ressuscitar, sendo submetido ao final  a um julgamento definitivo,  irrecorrível. Esse é o ensinamento das  grandes religiões: hebraica, católica e evangélica, muçulmana, distorcendo a realidade.
Os nossos irmãos nascidos na Somália – todos somos irmãos – não estão lá por acaso. Ninguém é coitadinho, abandonado, injustiçado. É preciso que cada um entenda a sua verdadeira natureza e busque dentro de si mesmo a força e o conhecimento, utilizando-os conscientemente.
Esse entendimento da verdade  que é escamoteado pelas grandes religiões citadas  acaba distorcendo os fatos e  como  conseqüência, em um silogismo, se a premissa maior é falsa, todo o raciocínio decorrente e a sua conclusão serão também falsos.
Mas chega um momento –  que está chegando – em que todas as falsidades, todas as construções que ao longo dos milênios foram erigidas sem fundamento irão ruir porque não terão mais sustentabilidade.
Tudo isso é dito para que possamos chegar àquela afirmação anterior: da inversão dos valores.
Há, claramente, em nossa sociedade uma situação de exclusão social decorrente da situação ou da posição de cada um, como situação financeira,  cor, etc. causando  constrangimento e  preconceito, fruto do desconhecimento da verdadeira natureza do ser humano, como se a posição social fosse a determinante do valor de cada pessoa. O entendimento dessa natureza nos livra do preconceito e nos mostra que, como somos todos irmãos, devemos naturalmente adotar uma postura sincera e verdadeira de aceitar-nos todos como somos, todos, filhos de Deus.
E assim, agir de conformidade com esse entendimento considerando-nos uns aos outros, respeitando-nos, ajudando-nos, solidarizando-nos, unindo-nos sem que isso nos leve a carregar o outro – nosso irmão –  fazendo a parte que lhe compete. Não podemos sair de um extremo para o  outro.  
Em qualquer situação, devemos, sempre, aplicar o discernimento – o primeiro passo na escala da evolução – de forma consciente e verdadeira. E a continuidade dessa aplicação nos tornará capazes, usando a lei de uso, que determina que o conhecimento – e a riqueza – deve circular.
Em nosso país, os diversos governos ignoraram a situação caótica em que se encontra a educação, deixando de dar-lhe a prioridade que deveria merecer como base fundamental do desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas. Privilegiou-se o ensino superior em detrimento do ensino fundamental, básico, invertendo a ordem natural das coisas. Pretende-se construir a fachada, sem que se tenha uma base verdadeira e sólida.
E o nosso governo atual foi para um extremo radical, privilegiando alguns,  criando um sistema de cotas, pretendendo resolver o problema na contramão, num golpe de canetada, ignorando o verdadeiro problema que reside na falha na educação formal dos brasileiros,  para acesso privilegiado ao ensino superior pelos negros e índios,  como se eles, nossos irmãos, fossem inferiores em função da cor da sua pele ou da sua origem.
E através dessa cota se colocam as pessoas em desigualdade diminuindo-as, levando algumas a comportamentos absurdos, em que alguns brancos, através de cenas ridículas, chegam a buscar meios artificiais para pretender uma origem racial negra e se beneficiar dessas cotas. E assim causam uma total inversão de valores fazendo valer a “lei de Gérson” – de levar vantagem em tudo –, o que provoca uma desconsideração da pessoa em relação a si mesma.
Todos têm condições de competir em igualdade de condições, desde que se conscientizem da sua verdadeira natureza, pois intrinsecamente todos têm a mesma formação, e se a cor não pode servir de pretexto para discriminar também não pode ser fonte de privilégios imerecidos.
O que se deve fazer é uma busca sincera da verdadeira natureza de cada um, entendendo que Deus não nos abandonou à nossa própria sorte, pois Ele está presente permanentemente dentro de cada um, batendo à nossa porta. Basta saber abri-la. Como fazer? Dedicando um momento diariamente a nós mesmos, por uma questão de preferência e de entendimento, privilegiando a busca da nossa evolução.
Vamos conquistar essa posição e assim considerar-nos todos, e em conseqüência, mudarmos esse estado de coisas.
É o que nos compete fazer.

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