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Heitor Freire

Saga de uma profissão I

Corretor de Imóveis
Nos primórdios da atividade do corretor de imóveis, o ofício que não tinha regulamentação legal nem reconhecimento da sociedade, era designado depreciativamente: marreteiro, picareta e outros.  O grande passo para conscientizar a sociedade e, principalmente, os profissionais, corretores de imóveis, foi feito através das entidades representativas, primordialmente pelo sindicato.
Quando da obtenção da carta sindical em 1980, procedeu-se à eleição da primeira diretoria, para a qual fui convidado pelo Arthur Salomão (até hoje atuante e que foi homenageado pelo Creci em 2009, com o troféu Colibri de Prata), onde aconteceu um fato inusitado: apesar de haver chapa única, não fomos eleitos, pois a legislação exige o quórum mínimo de 2/3. Convocadas novas eleições, ganhamos em 2° turno. Comentando este fato, anos mais tarde, com o já deputado federal Ruben Figueiró (que muito nos auxiliou em nossos pleitos junto ao governo federal), este me disse: “Obrigação de candidato é pedir voto”. Lição aprendida e nunca mais esquecida.
Para o aperfeiçoamento profissional e conscientização dos corretores de imóveis – nosso objetivo maior –, empreendemos uma série de atividades como seminários, cursos, congressos, etc.
Editamos o jornal Plantão Imobiliário, que teve 18 edições, tendo o Dante Filho como redator e a Edimat, do José Marcio Licerre, Marília Leite e Mário Ramires, como editores. O foco do jornal era todo voltado para a conscientização dos colegas a respeito da importância da nossa profissão.
Realizamos, em abril de 1981, o I Congresso dos Corretores de Imóveis em nosso Estado, com o tema: “Doutor em Imóveis”, no Teatro Glauce Rocha, contando com uma presença maciça dos profissionais, inclusive de outros estados.
Em outubro de 1983, a realização do XII Congresso dos Corretores de Imóveis do Brasil em nossa capital foi um momento histórico pelos diversos acontecimentos ocorridos. Destacamos a participação do governo do estado, tendo à frente o dr. Wilson Barbosa Martins que, na sessão magna de instalação, no Glauce Rocha, proferiu a palestra de abertura.
Em nível local assumiram a realização do Congresso, juntamente comigo, de forma competente, solidária e destemida, os colegas Levi Faustino Ratier, Carlos Roberto Charles Figueiredo Gonçalves, Claudemir Neves e Onofre Rodrigues Santana. No controle dos transportes, estava Farid Sandre de Melo. Eu tenho uma característica que considero fundamental: sempre procurei me cercar de gente inteligente, nunca procurei ofuscar a inteligência de ninguém. Pelo contrário
Em nível nacional, tivemos a colaboração inestimável do colega Antonio Simas, do Sindicato de São Paulo – também mentor da criação da nossa Câmara de Valores Imobiliários – que arregaçou as mangas e, como coordenador-geral do Congresso, proporcionou-nos, por intermédio do ministro Arnaldo Prieto, entrevista com o ex-presidente da República, Ernesto Geisel, para convidá-lo a participar do congresso, onde seria homenageado por assinar a lei que conferiu aos corretores de imóveis o reconhecimento legal da profissão.
Ao chegar a Campo Grande, o presidente Geisel foi recebido pelo governador Wilson Barbosa Martins e todo o seu secretariado no aeroporto, com honras de chefe de estado. Dr. Wilson o convidou para receber uma medalha de reconhecimento do governo, que lhe fora outorgada pela criação do nosso Estado, fato que Geisel agradeceu de forma emocionada. O dr. Wilson tivera o seu mandato de deputado federal cassado e suspensos seus direitos políticos por 10 anos, por ato do golpe militar, o que não o impediu, numa demonstração de elevado espírito público, de proceder a essa homenagem.
Outros momentos históricos do XII Congresso foram a criação da Câmara de Valores Imobiliários e a idéia de iniciarmos uma luta pela conquista do status de profissional liberal.
No ano seguinte, foi realizado em Porto Alegre, o XIII Congresso, quando por decorrência do anterior, foi aprovada a tese que conferiu à nossa categoria, o tão sonhado status de profissional liberal, de autoria do colega Levi Faustino Ratier e apresentada naquele evento pelo saudoso colega Jorge Musa Tuma.
Aqui um adendo: eu e o Levi somos os únicos corretores de imóveis que participamos como sócios fundadores de todas as entidades representativas da nossa profissão: Sindicato, Creci, Secovi e CVI.    
A sede própria do sindicato iniciada na minha gestão foi concluída pelo nosso segundo presidente, Carlos Roberto Charles Figueiredo Gonçalves, em 1988 numa demonstração clara de capacidade, dedicação e competência.
O Charles tem um legado histórico e memorável de construções: além da conclusão da sede do sindicato, construiu as sedes do Creci – esta, majestosa e motivo de orgulho para todos nós – e do Secovi nas ocasiões em que atuou como presidente dessas duas entidades. Projetos do arquiteto Edilson Russul Vieira.
Ainda durante a administração do Charles, o vereador e colega Jairo Fontoura Corrêa denominou a praça no início da avenida Afonso Pena, como “Praça do Corretor de Imóveis”, através de um projeto de sua autoria na Câmara de Vereadores. Nessa praça foi inaugurado, pelo então prefeito Juvêncio Cesar da Fonseca, em 1987, o monumento aos corretores de imóveis – projeto do renomado arquiteto Lauro Veloso Malaquias –, com o seguinte dístico: SEMPRE PRESENTE NO PROGRESSO.
Temos mais histórias da profissão para contar.
Heitor Freire
Corretor de imóveis –  advogado

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