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Heitor Freire

Dos Atrasos Oficiais

O exercício do poder é o meio mais eficaz para se avaliar o comportamento do ser humano. Dê-lhe  poder e ele se mostrará. É impressionante a verdade desta afirmação. Basta analisarmos o comportamento dos nossos homens públicos que não são só os governantes, mas todos aqueles cujas decisões implicam em influência na população.
Quando se vêem numa posição de comando, geralmente perdem a humildade aparente e se tornam arrogantes, prepotentes, autoritários, soberbos, ou seja, mostram a sua face verdadeira. Passam a ser o “rei da cocada preta”, não respeitam a mais ninguém, atropelando a todos e principalmente a lei.
Esse é o comportamento que se observa, por exemplo, no nosso presidente. É muito comum, na imprensa nacional, a notícia sobre os atrasos cometidos pelo presidente Lula em seus compromissos oficiais.  Já são tão comuns que deixaram de ser mencionados. Algumas de suas atitudes inadequadas, por serem reincidentes, já não provocam tanta repercussão. Mas ele se superou em seu discurso na África do Sul, quando se referiu à copa de 2014, comentando –  na qualidade de presidente da República – o que os turistas poderiam sofrer no Rio de Janeiro, com assaltos e outros dissabores provenientes de uma falta de ação do poder público em sua obrigação de proteger não só os turistas, mas também os próprios cidadãos daquela cidade que já foi maravilhosa, como se isso fosse corriqueiro e não pudesse ser mudado. Essa matraca precisa parar.
Aqui em nosso estado, se verifica o comportamento de atraso a compromissos públicos, da parte de algumas autoridades do executivo. Para qualquer evento programado, o normal é um atraso de uma hora no mínimo, o que acaba criando um clima de revolta e de insatisfação entre os presentes.
Qual será a causa desse comportamento reiterado? Cada autoridade tem o seu próprio cerimonial, que, naturalmente, consulta preliminarmente a agenda do  chefe, e o informa de cada evento, do local, do horário, etc. Assim não há como se alegar  falta de informação. Nem desconhecimento da realização do compromisso, para o qual sua presença é, muitas vezes, indispensável.
O protocolo que regula o conjunto de formalidades a serem observadas em cerimônias públicas determina claramente o horário de abertura de um evento público como marco inicial de uma solenidade para a qual são convidadas as pessoas escolhidas pelo cerimonial ou pela circunstância do evento.
E essa prática tem outro efeito colateral: os subordinados ao ver o exemplo dos chefes acabam se achando no direito de proceder da mesma maneira. E assim esse comportamento acaba gerando um efeito cascata, que é profundamente prejudicial pelo mau exemplo que transmite.
Nas assessorias dessas autoridades, falta, talvez,  um auxiliar competente, consciente e corajoso, para alertá-los da falta que cometem com os cidadãos. Afinal, tempo é uma questão de preferência e de administração.
Sinto-me muito à vontade ao tratar deste tema, por dois motivos:  primeiro, por ser eleitor,  e em conseqüência fiscal dos atos das autoridades públicas, acompanhando de perto as movimentações de cada um e também por desejar que este estado de coisas tenha um fim; e  segundo, porque em todos os cargos que exerci – e não foram poucos – nunca cheguei atrasado. Em alguns casos  a cerimônia  só começaria quando eu chegasse. A esses compromissos sempre primei por chegar com bastante antecedência.  
Lembro-me do comportamento de Wilson Barbosa Martins, quando governador do nosso estado. Ele sempre chegava antes da hora. Eu mesmo presenciei isso algumas vezes. Durante a realização de um congresso de corretores de imóveis em nossa capital, cuja abertura e palestra magna seria proferida por ele, chegou com 10 minutos de antecedência. Eu que era o presidente do sindicato e do congresso, cheguei antes ainda e assim pude recepcioná-lo da forma protocolar.
Lembro-me também de uma outra autoridade –  esta de uma entidade filosófica –  que, alertado por seus assessores sobre o horário previsto marcado para uma reunião sob a sua presidência, alegou irônica e desrespeitosamente: “Não tem problema, a reunião só terá  início quando eu chegar” – demonstrando assim total inaptidão para o exercício do elevado cargo que exercia, com evidente menosprezo aos seus pares.
O meu objetivo é que o  comportamento das nossas autoridades maiores mude   nesse quesito por uma questão de respeito ao próprio cargo que ocupam  e também aos cidadãos do nosso estado.

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