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Heitor Freire

Da gentileza e da alegria de viver

Sou leitor contumaz dos artigos publicados no Correio do Estado. Aprendo muito com a diversidade de opiniões, de pontos de vista bem formulados, a maioria bem escrita e muito clara em sua exposição.
Li outro dia, um artigo do Paulo Renato Coelho Netto, tratando da questão da gentileza, propondo a criação do Dia da Gentileza, 11 de Abril, data de nascimento do José Datrino, que ficou conhecido nacionalmente como O Profeta Gentileza. Me parece, Paulo Renato, que a sua proposta está encontrando eco.
Sou um observador da vida cotidiana, avalio e analiso os acontecimentos e o comportamento das pessoas de um modo geral. E dentro desse contexto, constato que há hoje, em nossa querida Campo Grande, uma atmosfera de cordialidade e alegria, o que aumenta a satisfação do bem viver.
Eu sinto que mudei.  E para melhor. Estou mais atento, mais alegre, mais consciente, mais gentil. E em conseqüência, observo que o mundo à minha volta mudou também. É uma reciprocidade. Eu vejo que o mundo, apesar dos profetas do caos, está também melhor.
O trânsito em nossa cidade aumentou muito, fruto do acréscimo de renda da população. Os motociclistas são maioria hoje. São pessoas que com esforço conseguiram sair do ônibus e passaram  a ter condução própria. E, como tal, não são ainda afeitos às exigências do trânsito; são apressados, afoitos. Mas, aos poucos, vão também aprendendo.
Apesar disso tenho notado que os motoristas estão mais gentis, mais educados, mais atentos. Hoje já se vê uma espera paciente para um carro que procura estacionar, sem que haja aquele buzinaço desenfreado.
Observo essa mesma atitude em outra situação que  narro a seguir.
Por sugestão da minha cunhada Gilda, eu e a minha mulher, Rosaria, estivemos no posto municipal de saúde dr. Jair Garcia de Freitas, localizado na Rua Rui Barbosa, no bairro São Francisco, para  obtenção da caderneta de saúde do idoso. E ali fomos submetidos aos procedimentos para essa finalidade.
Em primeiro lugar, quero ressaltar o bom atendimento que tivemos. Desde as atendentes na recepção, aos funcionários, enfermeiros e demais profissionais (médicos), todos tratam as pessoas com gentileza, cordialidade e boa vontade, transmitindo a alegria que reina  nesse local. Fomos alvos de uma atenção que  desmente categoricamente o que tenho ouvido a respeito desse assunto.
Nesse posto de saúde respira-se um ambiente de alegria e de dedicação. Senti-me reconfortado como cidadão e satisfeito por confirmar: também no atendimento de saúde, os funcionários públicos municipais, correspondem ao perfil a que me referi em outro artigo (“Da administração municipal III”), quando tratei dos que trabalham na área da minha atividade profissional e do qual reproduzo abaixo uma parte:
“(…)Ao mencionar esses profissionais exemplares – que são todos verdadeiros mensageiros a Garcia –, homenageio a todos os funcionários públicos, em quem observo, de um modo geral, uma consciência profissional muito clara, que dignificam a sua classe, com satisfação no trabalho, no trato com os contribuintes, atendendo a todos, sem distinção, com dedicação e até, às vezes, com afeto.
“Observei que eles têm algumas características que são mais marcantes em alguns, mas que são inerentes a todos: são pessoas simples, disciplinadas, responsáveis, trabalhadores sem ostentação, incansáveis, tendo noção de que o sentido fundamental do trabalho é o que realizamos com as nossas vidas; orgulhando-se  do que fazem e, por isso, fazem bem feito, tendo, portanto, prazer em seu trabalho.
“São também pessoas perseverantes, respeitadoras e conscientes; a sua honestidade é transparente, exala do seu ser e são verdadeiros exemplos para os seus colegas(…)”.
Por que mensageiros a Garcia? Porque representam os mais perfeitos intérpretes do herói a que se refere um artigo muito lido em todo o mundo, desde muito tempo – “Mensagem a Garcia” –, com mais de cem milhões de reproduções, segundo constava em seu último registro, antes de cair em domínio público. Escrito em 22 de fevereiro de 1899 pelo jornalista americano Helbert Hubbard,  estima-se que hoje a mensagem tenha ultrapassado a casa de um bilhão de publicações: “O herói é aquele que dá conta do recado”. Num próximo artigo vou reproduzi-lo para conhecimento de nossos leitores.
E é exatamente esse clima de gentileza que observei no tratamento dispensado ao público no posto de saúde dr. Jair Garcia de Freitas. Lá os funcionários trabalham no anonimato de suas funções sem buscar holofotes, com verdadeira consciência profissional.
Como é bom constatar isso.

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