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Heitor Freire

A única certeza

A ÚNICA CERTEZA
A vida, essa caixa de surpresas infinita, nos brinda, a cada instante com situações que nos levam de um extremo a outro, da mais espontânea alegria à mais sofrida dor.
Nos deparamos com acontecimentos inesperados, frutos, naturalmente, de circunstâncias que nós mesmos construímos ao longo de nossas vidas, mas das quais, muitas vezes, não nos damos conta conscientemente. Preferimos atribuir tudo ao acaso, como se não fôssemos responsáveis, únicos e diretos, por tudo que nos acontece.
Assim, quando nos defrontamos, por exemplo, com a inexorabilidade da morte, a que todos estamos sujeitos, que todos sabemos que vai se apresentar a qualquer hora, sem aviso prévio, nos sentimos, muitas vezes, desamparados.
Aconteceu agora, há poucos dias com a morte do ator Domingos Montagner. Ele que representando o personagem Santo se viu submergir nas águas do rio São Francisco, agora, na vida real, afogou-se nas águas do mesmo rio. Criou-se uma grande comoção nacional. O ator conseguiu conquistar a simpatia do nosso povo, de norte a sul, de leste a oeste, mercê de sua interpretação e também da solidariedade que o seu personagem despertou em nossa população.
A morte dele causou grande consternação pública. Todos nos sentimos atingidos como se fosse a morte de um parente querido e muito próximo. A morte é a única certeza das nossas vidas, mas quando se apresenta de forma trágica tende a nos deixar perplexos. A atriz Camila Pitanga que estava com ele e quase se afogou também, em entrevista ao Fantástico deu a seguinte declaração referente ao fato de escapar com vida: “É uma segunda chance de poder estar com meus amigos, de estar com a minha filha. De viver… é uma segunda chance! E eu vou honrar isso.” É muito bonito ela ter dito que vai honrar a chance de estar viva. Se não fosse esse episódio trágico, talvez ela não tivesse se dado conta da grande oportunidade que é estar viva.
A minha filha Raquel, que é a revisora dos meus artigos, a respeito deste tema, assim se manifestou: “E, na outra ponta, sobre a imprevisibilidade da morte, e não termos escapatória, pensei em botar no meu epitáfio assim: Não façam drama. Estava previsto.”
O Rio São Francisco, o rio da integração nacional, chamou a atenção do povo brasileiro. Qual a mensagem a tirar dessa situação? “Deu um recado muito claro: em segundos, nossos sonhos, contratos, ambições, podem ser levados pela correnteza e nos ensinou a deixar a carga mais leve, a não acumular nada”, segundo o texto distribuído pela internet de autoria da poeta Cristiane Framartino Bezerra.
Eu aprendi a conviver com a morte. Tenho uma curiosidade muito grande a seu respeito. Procuro me preparar diariamente para o grande momento. Sei que ela virá. Quando e como, não sei. Parodiando Che Guevara, “quando vier será bem-vinda”.
Esse aprendizado me ensinou a viver um dia de cada vez. A não planejar, a não desejar, a viver o agora. Sei que daqui nada levarei, nem o meu próprio corpo. Me ensinou a bem viver, a respeitar e amar o meu próximo (às vezes é difícil, quando me deparo com situações de agressividade moral e verbal, mas vou aprendendo), a cuidar de minha família, a cumprir minha palavra, a fazer o meu trabalho.
Aprendi que a lei de Deus é a lei do trabalho. O trabalho, como diz o ditado, dignifica o homem. É através do trabalho que vamos evoluindo. O trabalho é infinito. Por isso aprendi a eliminar a preguiça da minha vida. Deus não para de trabalhar. Pitágoras, há 2.500 anos, em seus Versos de Ouro, assim se manifestou, no Verso 32:
32. Mas aprende tudo o que for necessário aprender, e desse modo terás uma vida feliz.
Aprendi a agradecer (são tantos os benefícios e bênçãos que recebo constantemente), a não criticar, a não condenar, a não ofender. A procurar entender a mim mesmo, orar constantemente. A identificar a presença de Deus dentro de mim.
Para Santo Agostinho, “é preciso levar a sério que o homem é “imago Dei”, a imagem de Deus. É evidente que para encontrar a Deus, o primeiro passo, e o mais adequado, será buscar sua imagem, que é o homem como intimidade, o homem interior”.
E é precisamente essa busca que vai libertar o ser humano de todo preconceito, vai levá-lo para o seu interior, onde encontrará verdade e se libertará. Jesus disse: “Buscai a verdade e ela vos libertará”.
Assim, a partir dessa descoberta cessará toda angústia, toda incerteza. Trabalhemos.
Heitor Freire – Corretor de imóveis e advogado.

A vida, essa caixa de surpresas infinita, nos brinda, a cada instante com situações que nos levam de um extremo a outro, da mais espontânea alegria à mais sofrida dor. 

Nos deparamos com acontecimentos inesperados, frutos, naturalmente, de circunstâncias que nós mesmos construímos ao longo de nossas vidas, mas das quais, muitas vezes, não nos damos conta conscientemente. Preferimos atribuir tudo ao acaso, como se não fôssemos responsáveis, únicos e diretos, por tudo que nos acontece.

Assim, quando nos defrontamos, por exemplo, com a inexorabilidade da morte, a que todos estamos sujeitos, que todos sabemos que vai se apresentar a qualquer hora, sem aviso prévio, nos sentimos, muitas vezes, desamparados.

Aconteceu agora, há poucos dias com a morte do ator Domingos Montagner. Ele que representando o personagem Santo se viu submergir nas águas do rio São Francisco, agora, na vida real, afogou-se nas águas do mesmo rio. Criou-se uma grande comoção nacional. O ator conseguiu conquistar a simpatia do nosso povo, de norte a sul, de leste a oeste, mercê de sua interpretação e também da solidariedade que o seu personagem despertou em nossa população.

A morte dele causou grande consternação pública. Todos nos sentimos atingidos como se fosse a morte de um parente querido e muito próximo. A morte é a única certeza das nossas vidas, mas quando se apresenta de forma trágica tende a nos deixar perplexos. A atriz Camila Pitanga que estava com ele e quase se afogou também, em entrevista ao Fantástico deu a seguinte declaração referente ao fato de escapar com vida: “É uma segunda chance de poder estar com meus amigos, de estar com a minha filha. De viver… é uma segunda chance! E eu vou honrar isso.” É muito bonito ela ter dito que vai honrar a chance de estar viva. Se não fosse esse episódio trágico, talvez ela não tivesse se dado conta da grande oportunidade que é estar viva.

A minha filha Raquel, que é a revisora dos meus artigos, a respeito deste tema, assim se manifestou: “E, na outra ponta, sobre a imprevisibilidade da morte, e não termos escapatória, pensei em botar no meu epitáfio assim: Não façam drama. Estava previsto.”

O Rio São Francisco, o rio da integração nacional, chamou a atenção do povo brasileiro. Qual a mensagem a tirar dessa situação? “Deu um recado muito claro: em segundos, nossos sonhos, contratos, ambições, podem ser levados pela correnteza e nos ensinou a deixar a carga mais leve, a não acumular nada”, segundo o texto distribuído pela internet de autoria da poeta Cristiane Framartino Bezerra.

Eu aprendi a conviver com a morte. Tenho uma curiosidade muito grande a seu respeito. Procuro me preparar diariamente para o grande momento. Sei que ela virá. Quando e como, não sei. Parodiando Che Guevara, “quando vier será bem-vinda”.

Esse aprendizado me ensinou a viver um dia de cada vez. A não planejar, a não desejar, a viver o agora. Sei que daqui nada levarei, nem o meu próprio corpo. Me ensinou a bem viver, a respeitar e amar o meu próximo (às vezes é difícil, quando me deparo com situações de agressividade moral e verbal, mas vou aprendendo), a cuidar de minha família, a cumprir minha palavra, a fazer o meu trabalho.

Aprendi que a lei de Deus é a lei do trabalho. O trabalho, como diz o ditado, dignifica o homem. É através do trabalho que vamos evoluindo. O trabalho é infinito. Por isso aprendi a eliminar a preguiça da minha vida. Deus não para de trabalhar. Pitágoras, há 2.500 anos, em seus Versos de Ouro, assim se manifestou, no Verso 32: “Mas aprende tudo o que for necessário aprender, e desse modo terás uma vida feliz.”

Aprendi a agradecer (são tantos os benefícios e bênçãos que recebo constantemente), a não criticar, a não condenar, a não ofender. A procurar entender a mim mesmo, orar constantemente. A identificar a presença de Deus dentro de mim.

Para Santo Agostinho, “é preciso levar a sério que o homem é “imago Dei”, a imagem de Deus. É evidente que para encontrar a Deus, o primeiro passo, e o mais adequado, será buscar sua imagem, que é o homem como intimidade, o homem interior”.

E é precisamente essa busca que vai libertar o ser humano de todo preconceito, vai levá-lo para o seu interior, onde encontrará verdade e se libertará. Jesus disse: “Buscai a verdade e ela vos libertará”.

Assim, a partir dessa descoberta cessará toda angústia, toda incerteza. Trabalhemos.

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