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Heitor Freire

Da Unidade

Existe alguma força à qual possamos recorrer em nossa busca da saúde, felicidade e iluminação espiritual? No meu entendimento é a unidade.

O corpo humano é uma prova inconteste da existência de Deus. Composto por tantos órgãos, células, moléculas, átomos, neurônios e centros de energia distribuídos ao longo de cabeça, tronco e membros, o nosso corpo configura uma miniatura do universo, cujo funcionamento independe da vontade de cada um. Todos os componentes têm vida própria, obedecendo a um ordenamento lógico e natural, que emana da fonte primordial: Deus.

A energia que permeia o Universo, Deus, envolve também o ser humano e se distribui por todo o seu corpo, de forma inteligente e ativa. Cada órgão tem sua individualidade e função, e todos são irmanados no universo do corpo de cada ser.

O papel do umbigo vai além da psiquê e da biologia. É, também, um ponto cármico, um nó de energias para inúmeras tradições religiosas e culturais. É nessa região da barriga que se concentra a energia vital – o ki dos japoneses, o chi dos chineses e o prana dos indianos. De acordo com a professora de kundalini ioga Sridevi Gabriele Oliveira, criadora da Cura do Feminino, existem diferentes tradições no estudo dos pontos de energia, o que leva a pequenas variações na interpretação de suas funções, posição e cor. “A minha tradição principal, o kundalini ioga, diz que no ponto do umbigo fica o terceiro chacra, onde está nosso poder pessoal, que pode ser ligado ao hara, da tradição chinesa, um ponto de vitalidade que diz respeito a nossa radiância no mundo, a nossa capacidade de nos projetarmos e realizarmos algo”.

Sridevi Gabriela continua:

 “O terceiro chacra também está bastante ligado ao ego. Se não estiver em harmonia, se estiver com excesso de energia, a pessoa pode sofrer com a arrogância. O ego estará muito grande e haverá dificuldade para abrir o próximo chacra, que é o do coração. A pessoa tem muito fogo, muita força de realização, mas não abre o coração, o que traria compaixão, paz, capacidade de pausar entre as realizações, traria o amor ao próximo. Assim, ela ficará presa em si mesma”. O oposto também pode ocorrer. A baixa energética no terceiro chacra impacta na autoconfiança, resultando em timidez, vergonha e vitimização. Ou seja, a busca da harmonia nos proporcionará equilíbrio emocional e libertação da influência negativa do ego, esse ditador que nos compete eliminar.

Descobrir e estudar o umbigo está se constituindo para mim num processo que enriquece o meu autoconhecimento. O mistério que envolve o umbigo o torna um enigma a ser decifrado. É como se fosse minha esfinge pessoal. É o meu nó górdio que foi cortado, mas tenho que desatar cosmicamente.

Amor mais inteligência = sabedoria. A unidade se alcança no silêncio. A busca da unidade, deve ser uma constante em nossa vida, porque dela decorre a energia que se irradia em todo nosso ser. União do nosso umbigo, do nosso coração e da nossa mente.

O umbigo é como se fosse a nossa impressão cósmica de uma relação transcendente, nossa marca individual, espiritual, com a nossa matriz, mãe, que nos nutriu e manteve durante todo o período da gestação, e cuja relação nos uniu de forma definitiva em nossa encarnação. É um registro indelével de que primordialmente estivemos conectados a outra pessoa e totalmente dependente dela.

Alimentação, sono, vibração, alegria e paz, são as chaves do chakra umbilical. A ascensão não é um processo de iluminação mais à frente, e sim, a fusão de nosso ser livre de tóxicos de todo tipo com a energia do ser solar.

É ele, o chakra umbilical, que transforma as forças do prana e dos corpos sutis – , prana é a energia orgânica que compõe as correntes do corpo sutil. O corpo sutil é nosso corpo não-físico, que inclui a força vital do corpo, o intelecto, a mente e o ego – em frequências de energia que vão se relacionar com o corpo físico e certas qualidades da mente que são essenciais para a saúde mental. O chakra do umbigo é bem conhecido como o centro do bem-estar físico. 

O que se observa de tudo isso é o quanto é fascinante o corpo humano, e que devemos estudá-lo para conhecê-lo e utilizá-lo de forma consciente e verdadeira.

Quando olhamos para o próprio umbigo, metafórica e empiricamente, enxergamos ali a memória fendida de um vínculo que nos remete a outro alguém. Vislumbramos, em outras palavras, a saudade de uma conexão carnal, real e absoluta, capaz de nos nutrir não apenas das substâncias imprescindíveis para o corpo, mas também para a alma, capaz de nos acalentar, de nos aconchegar, de nos proteger – e, sem dúvidas, sentimos muita falta disso.

Nosso êxito não depende somente de nossas habilidades e treinamento pessoal, senão também de nossa decisão de aproveitar as oportunidades que se apresentam. Elas não vem por acaso. Surgem em nosso caminho, criadas por nós mesmos e da percepção delas, a tempo e hora, usando da nossa unidade e da vontade moldamos nossas vidas e  nosso futuro. Somos os únicos responsáveis pelo nosso destino.

É no silêncio que o Cósmico, o Ser Divino, torna-se manifesto à nossa consciência. Para que ouçamos a orientação divina, para termos lampejos de intuição, devemos aprender a silenciar a voz subjetiva do nosso pensamento. Quanto mais falamos mais nos enfraquecemos porque usamos a energia da fala de maneira inconsequente.

Será muito salutar para todos os que se dispuserem ao teste do silêncio – a regularidade na sua observação por alguns minutos todos os dias, de preferência no mesmo horário o que concorre para ativar a memória e a atenção concentrada, tendo como consequência o enriquecimento natural que se obterá com essa prática.

A disciplina do silêncio constitui poder; ela nos permite manter dentro de nós um influxo de vitalidade que palavras inúteis desperdiçam. O silêncio ajuda a subir mais um degrau na escada da espiritualidade. É no silêncio que encontramos o poder que existe dentro de cada um.

É necessário experimentar o silêncio, porque essa ação fará a conexão com o hoje, respeitando o passado, e libertando a ansiedade sobre o futuro. Há uma dignidade majestosa no silêncio, que se manifesta de forma soberana quando silenciamos nossa mente.

O silêncio evita palavras precipitadas, aumenta a capacidade de reflexão, garante a paz, é tão necessário quanto as palavras sábias, ensina a arte de ouvir, a arte da paciência, evita brigas, livra de decisões erradas, pode ser a melhor resposta a um aliado na existência.

Na jornada da vida é preciso entender rápido o valor do silêncio…

Silenciar é sempre preciso…

Até que aprendamos a ouvir bem, a refletir com excelência e a falar sem precipitações.

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