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Heitor Freire

Experiência na Unimed

Fins de 1972, início de 73. Eu acabava de constituir uma empresa de vendas com o meu amigo e companheiro Raiman Félix. E pesquisávamos o mercado à procura de um produto. Ouvimos falar da intenção da Associação Médica de constituir uma cooperativa de prestação de serviços médicos, a Unimed. Procuramos o dr. Hélio Mandetta, seu presidente naquela época. Apresentamos a nossa empresa, e ele nos contratou. Começamos o trabalho que se desenvolvia em duas frentes: a venda de contratos de prestação de serviços médicos para empresas e a divulgação da Unimed entre os médicos para convidá-los a participar da sua fundação e corpo médico.
Contávamos com uma equipe assim constituída: Raiman, na retaguarda, Armando Ramos Mendes e Aloysio Franco de Oliveira nos contatos com os médicos inicialmente, e depois comigo na frente de venda para as empresas.
Era mais fácil vender o serviço para as empresas do que convencer os médicos a aderirem à cooperativa.
O Armando tinha uma experiência muito ativa nos contatos com os médicos, pois durante muitos anos foi representante da Parke Davis, a multinacional de produtos farmacêuticos. Isso veio de certa forma, facilitar o trabalho, embora a resistência decorresse da idéia de alguns médicos de que perderiam clientela, o que na realidade não aconteceria. Pelo contrário, abriria um leque muito maior para as oportunidades de atendimento.
O dr, Hélio nos colocou em contato com a Orplasa da cidade de Santos, uma empresa constituída pelo dr. Castilho – criador da Unimed nacional e seu principal mentor. Essa aproximação facilitou o nosso trabalho, pois a experiência dele com as dificuldades enfrentadas na implantação do negócio serviram como orientação para nós, que éramos novatos no ramo.
E seguimos todas as instruções recebidas, que também nos foram transmitidas pelo dr. Marcelo Gato, advogado da Orplasa, que veio a Campo Grande especialmente com essa finalidade. Ele depois se elegeria deputado federal por São Paulo.
No que se refere às empresas conveniadas obtivemos a adesão de imediato da Copagaz, do Banco Financial e da Cemat, todas com grande contingente de funcionários e credibilidade no mercado o que facilitou, e muito, a continuidade do nosso trabalho e a implantação do serviço.
Pouco depois, quando já contávamos com um bom número de médicos e de empresas contratadas, fomos informados pelo dr. Hélio de que havia  insatisfação de um grupo de médicos em relação a nós e que ele decidira convocar uma assembléia geral, nos convidando também para dar as explicações necessárias.
Comparecemos então, no dia e na hora aprazada, na sede da Associação Médica. Havia um número significativo de médicos. Até então, eram poucos médicos a comparecerem às reuniões. Mas dessa vez, tivemos casa cheia.
Ao abrir os trabalhos, o dr. Hélio me passou a palavra para que eu explicasse a metodologia do trabalho e o andamento geral da situação.
Fiz uma exposição detalhada da nossa prestação de serviços, com uma apresentação didática, seguindo a orientação da Orplasa. Após meu discurso, um dos presentes, mais exaltado, dirigiu-se a mim, dizendo; “Quer dizer que vocês estão recebendo dinheiro dos contratos?”. E eu respondi: “Como não houve entendimento do que falei, vou repetir a apresentação feita”. E novamente relatei a prática efetuada. Após isso, respondi diretamente ao médico que me interpelara: “Sim. Nós estamos recebendo a comissão que nos cabe, dentro da distribuição determinada pela Orplasa, e estamos prestando contas permanentemente à diretoria, conforme o contrato assinado com a Unimed”. Fato confirmado pelo dr. Hélio. A partir daí houve um desanuviamento da reunião. E como passaram a tratar de outros assuntos, pedimos permissão para nos retirar.
Assim, não houve mais desconfiança por parte dos médicos e pudemos continuar com o nosso trabalho. Havíamos desatado o “nó górdio”.
A instalação da Unimed foi facilitada e muito pela dedicação, competência e liderança do dr. Hélio Mandetta, secundado sempre pelo dr. Fauzi Adri. Foram os grandes comandantes dessa verdadeira batalha. E venceram.
A semente que foi plantada era de origem sadia, que foi muito bem regada e cujo crescimento e frutos aí estão à vista de todos, como resultado de um idealismo encarnado pelo Dr. Hélio e pelo Dr. Fauzi. Tenho consciência que alguns tijolos dessa construção, tem o meu nome juntamente com o do Raiman, do Armando e do Aloysio..
Quando optei pelo trabalho no mercado imobiliário, desliguei-me da nossa empresa de vendas e em conseqüência, da Unimed, que continuou com o Raiman. Logo depois foi contratado o João Batista de Carvalho, que lá está até hoje.
Não posso deixar de mencionar o trabalho anônimo e muito produtivo da nossa então secretária Cleuza Olimpio Cortez, que de tão eficiente lá permaneceu até sua aposentadoria, há pouco tempo.

Heitor Freire

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