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Heitor Freire

Da velhice

O ser humano nasce, cresce, se desenvolve, envelhece e morre. Certo? Errado.
A composição da encarnação de cada um é muito complexa: temos espírito, mente e corpo constituído de milhares de células – que se renovam constantemente até o desencarne –, motivo pelo qual o envelhecimento tido e havido como inevitável é uma falácia.
O que acontece é que o ser humano não se conhece, e por isso, acaba incorrendo em erro de conhecimento e de avaliação do que é na realidade. Há dois elementos que são fundamentais na vida: o ar e a água. E o ser humano não sabe utilizá-los de forma inteligente e verdadeira. Respira de qualquer jeito. E não se alimenta da água como deveria.
O que se observa é que todos vivem muito apressados, correndo, sem parar, sem entender o tempo e sem utilizá-lo de forma coerente e satisfatória. E como diz o povo: “Apressado come cru”.
A maioria das pessoas procura a sua realização financeira, para a qual dedica a grande maioria dos seus atos e pensamentos, e quando “chega lá”, sente uma grande frustração porque nessa caminhada acabou esquecendo de amar, de ser, atropelando tudo  na busca insensata pelo ter.  
Agora mesmo observamos o comportamento dos políticos na corrida desenfreada pelas eleições: descumprem compromissos assumidos, elegem prioridades que só são válidas se os levarem ao cimo e assim, agem de forma totalmente egoísta, focam toda a sua atenção e todos os seus atos no objetivo eleitoral, não medindo consequências para obter a vitória.
Falta uma ação consciente e verdadeira. Falta o conhecimento de si mesmo. “ Conhece-te a ti mesmo”, já enunciava o frontispício do Templo de Apolo na ilha de Delfos. Que foi também a base do ensinamento de Sócrates.
O que acontece é que o que não se usa se deteriora. Ou se é mal-usado, não realiza, não cumpre a sua finalidade. Vindo quase sempre a causar prejuízos quando poderia proporcionar benefícios. É o caso específico da respiração.
Quando bem orientada e consciente a respiração é fonte permanente de ativação das células, proporcionando um bem-estar permanente, estimulando a mente, educando o corpo, elevando o espírito. Pela respiração recebemos a energia vital, processando a oxigenação do sangue, que por sua vez, fornecerá a todas as células do organismo o alimento necessário a suas funções.
A água, que constitui a maior parte do nosso planeta e também do nosso corpo, muitas vezes é relegada a um plano secundário, deixando de proporcionar ao ser humano a fonte de renovação e elevação, parte da sua ação transformadora. Os idosos, às vezes, se esquecem de beber água, o que acaba causando perda de memória e de discernimento. A recomendação é que se tome, no mínimo, um litro de água por dia. Eu tomo mais um pouco.
A sequência da existência humana em nosso planeta, enunciada no primeiro parágrafo deste artigo,  não é uma equação matemática que vai se desenvolver de uma forma automática.
Pelo contrário, quando a encarnação é desenvolvida de forma consciente e ativa, acaba proporcionando uma verdadeira revolução em nós mesmos.
De acordo com os ancestrais de diferentes partes de nosso mundo, nosso corpo sente e pensa.  
Por exemplo, nas tribos australianas, quando uma pessoa se fere ou adoece, a tribo se reúne ao redor do enfermo e canta pedindo perdão à ferida ou parte afetada. E esta começa naturalmente a dar sinais de melhora causando curas milagrosas.
O mesmo acontece nas assombrosas curas dos kahunas ou médicos magos havaianos. Eles entram em oração direta com a parte afetada pedindo-lhe perdão. Esse ato de oração envolve os magos, o paciente e todas as vidas durante as quais eles possam ter se encontrado e se envolvido com essa pessoa. E também causam curas consideradas prodigiosas.
No conhecimento ancestral inca, tudo é reciprocidade; quando alguém adoece ou se enche de energia pesada ou hucha, por ter atitudes egoístas, não deixa fluir o sami ou energia leve. Por isso nas curas se pede para aquela parte do corpo se harmonizar com pachamama – o tempo que cura as dores –  permitindo que o bloqueio se reequilibre. E a pessoa se cura.
No caso dos indios Lakota (que significa sentimento amigável, unidos, aliados), na América do Norte, eles falam com o corpo para informar-lhe que existe uma medicina que vai curá-lo. E naturalmente as pessoas se curam. Touro Sentado foi um chefe Lakota.
A sabedoria do corpo é um bom ponto de acesso às dimensões ocultas da vida: é totalmente invisível, mas inegável. Os investigadores médicos começaram a aceitar este fato em meados dos anos oitenta. Há dez anos parecia absurdo falar de inteligência nos intestinos.
Sabia-se que o revestimento do trato digestivo possui milhares de terminações nervosas, mas que eram consideradas simples extensões do sistema nervoso, um meio para manter a insossa tarefa de extrair substâncias nutritivas da alimentação.
Hoje sabemos que, depois de tudo, os intestinos não são tão insossos. Estas células nervosas que se estendem pelo trato digestivo formam um fino sistema que reage a acontecimentos externos: um comentário perturbador no trabalho, um perigo iminente, a morte de um familiar.
Ou seja,  à medida que desenvolvermos o nosso autoconhecimento iremos descobrindo um potencial inimaginável em nosso corpo, e que irá gradativamente libertar-nos de todos os dogmas, medos, receios. Depende de cada um.

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