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Heitor Freire

Das Mulheres Bíblicas IV

A rainha Vasti era mulher de Assuero, rei da Assíria, que dominava um vasto império, desde a Índia até a Etiópia, composto por 127 províncias.
Vasti era uma mulher de  beleza invulgar.
Naquela época, no terceiro ano do seu reinado,  o rei Assuero decidiu oferecer um banquete a todos os seus oficiais e servos: chefes do exército da Pérsia e da Média, nobres e governadores das províncias.
Ele queria lhes mostrar a riqueza e a glória de seu reino, e o banquete se estendeu por 180 dias.
Também a rainha Vasti ofereceu um banquete para as mulheres no palácio real de Assuero. No sétimo dia, estando já alegre o coração do rei por causa do vinho, ele ordenou aos sete eunucos que serviam na sua presença que trouxessem a rainha Vasti com o diadema real, para exibi-la ao povo e a seus oficiais e convidados.
Vasti já conhecendo o rei, e sabendo o que iria acontecer, e não querendo se tornar objeto de cobiça e adoração, simplesmente se recusou a obedecer à ordem do marido – demonstrando assim uma coragem inaudita,  pois naquela época o poder absoluto de um rei não admitia ser contrariado. A recusa de Vasti foi feita de forma pública,  ostensiva e comunicada ao rei perante os seus mais altos e graduados oficiais e os governadores das províncias.
O rei enfureceu-se; consultou os especialistas na ciência das leis, que o aconselharam a baixar um decreto real determinando que a rainha Vasti não mais se apresentasse à sua presença, com a perda da condição real, pois a sua conduta poderia estimular outras mulheres a agir da mesma maneira. Em conseqüência, ficou vago o trono da rainha.
O rei Assuero então expediu um édito real, procurando uma nova rainha, e determinou que todas as jovens virgens se apresentassem ao eunuco real Egeu, que as selecionaria e prepararia para serem apresentadas ao rei.
Ester, hebréia, sobrinha de Mardoqueu, era muito bonita, e também foi encaminhada ao eunuco real. Ela recebeu uma instrução de seu tio, para que em nenhum momento declarasse sua condição de hebréia.
Ester agradou a Egeu e recebeu a proteção dele. Ao ser apresentada ao rei Assuero, ele a escolheu e lhe impôs o diadema real sobre a cabeça, tornando-a a rainha no lugar de Vasti.
Estando Mardoqueu comissionado à Porta Real, ouviu dois eunucos reais –  Bagatã e Tares – tramarem a morte do rei. Transmitiu este fato a Ester que, por sua vez, comunicou ao rei, em nome de Mardoqueu. Investigado o fato, confirmou-se a traição o que causou o enforcamento dos dois eunucos.
Amã, um amalecita – povo historicamente inimigo dos hebreus – tinha uma grande projeção junto ao rei. Todos os servos do rei se ajoelhavam e se prostravam à sua passagem, pois esta era a ordem  real.  Todos, menos Mardoqueu, o que deixava Amã enfurecido.
Ao identificar Mardoqueu como hebreu, Amã, usou o seu prestígio perante o rei, conseguindo deste a edição de um decreto real determinando a total extinção do povo hebreu. A ordem era de matar a todos, homens, mulheres e crianças, em data que foi marcada: dia 13 do décimo segundo mês, que é Adar.
Para punir Mardoqueu, Amã, aconselhado pela sua mulher e por assessores, mandou construir uma forca com 50 metros de altura para nela enforcá-lo.
Mardoqueu, ao tomar conhecimento do decreto real de eliminação dos hebreus,  enviou uma mensagem a Ester, relatando-lhe os fatos e pedindo sua intercessão junto ao rei. Ela, inicialmente vacilou, mas depois de receber uma exortação de seu tio, assumiu o compromisso de falar ao rei.
E assim ela fez, oportunidade em que informou ao rei sua condição de hebréia e pertencente ao povo que seria dizimado. O rei, já com o coração agradecido a Mardoqueu pelo seu ato e também apaixonado por Ester, decidiu revogar o seu próprio decreto.
O rei havia relido as crônicas do reino, onde estava registrada a ação de Mardoqueu livrando-o da trama dos eunucos contra a sua vida. Esse registro lembrou ao rei que nada havia sido feito para reconhecer o ato de fidelidade demonstrado por Mardoqueu.
O rei, então, chamou Amã e perguntou-lhe o que deveria fazer para reconhecer e destacar o ato de um súdito que merecesse toda sua gratidão e reconhecimento. Amã, pensando que o rei se referia a ele, disse: “Que se lhe vista a veste real, e que seja colocado num cavalo da cavalariça real, também todo paramentado, e desfilasse pelas ruas e praças da capital do reino, tendo o cavalo puxado por um nobre de alta linhagem, proclamando: assim se faz a um súdito que o rei quer honrar”.
Disse-lhe então o rei: “Este súdito é Mardoqueu, e assim determino que se cumpra o que você falou, e é você quem vai puxar o cavalo cumprindo exatamente tudo o que você  disse”. E assim foi feito, com um profundo constrangimento de Amã.
A rainha convidou Amã para um jantar junto com o rei. Nessa oportunidade contou ao rei que o autor do decreto de extinção do seu povo era Amã, que se ajoelhou pedindo clemência. O rei então determinou que Amã fosse enforcado na forca que mandara construir para Mardoqueu.
Registra-se a coragem de Ester de dirigir-se à câmara real, à qual ninguém tinha acesso sem ser chamado pelo rei. O seu ato foi considerado uma ação verdadeira de libertação do povo hebreu, que assim deixou de ser exterminado e    passou a exterminar  seus inimigos. Para comemorar este fato, foi instituído o Dia dos Purim, em memória desses fatos.

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