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Heitor Freire

Das Mulheres Bíblicas II

Na continuidade da saga das mulheres bíblicas, destacamos Mirian, irmã de Moisés – eles viveram em torno do século XV a.C., no Egito. Na época do nascimento de Moisés havia um decreto do Faraó determinando que os filhos varões dos judeus deveriam ser sacrificados.
Quando Moisés nasceu, sua mãe – temerosa do cumprimento do decreto real –  o colocou numa cesta e o fez descer pelo rio onde se banhava a irmã do rei, que era solteira. Esta acolheu o recém-nascido como uma dádiva dos deuses.
Mirian, a irmã do bebê, que escondida acompanhava o episódio, ofereceu  sua mãe como babá do bebê – e, assim, a verdadeira mãe passou a amamentar o próprio filho. Moisés teve uma educação real, como filho da irmã do Faraó.
Moisés, já com quarenta anos, ao assistir a um soldado egípcio  agredir um judeu, matou o soldado e fugiu,  refugiando-se na região de Madiã.
Ao chegar a essa região procurou um poço para matar sua sede, e  foi servido de água por Séfora – a quem havia salvado junto com as suas irmãs, de alguns agressores. Ela era filha de Jetro, um sacerdote de Deus, que ofereceu a  filha como esposa a Moisés.
De acordo com o historiador Flávio Josefo, a conquista de Sabá ( na região da Etiópia), teria trazido grande fama a um príncipe egípcio, Moisés.
Ele viveu quarenta anos com Séfora, em Madiã,  seguindo a orientação religiosa de Jetro. Após receber o Senhor que lhe apareceu na sarça ardente, Moisés voltou para o Egito para o cumprimento da missão religiosa que recebera de Deus.
Séfora foi  mulher de Moisés até a morte, sendo  um fator de amparo e de fidelidade que deu ao grande líder hebreu a força e a serenidade para enfrentar e vencer todos os desafios. É por isso que se diz: “atrás de um grande homem há, sempre, uma grande mulher”.
Mirian acompanhou seus irmãos Aarão e Moisés na jornada por todo o deserto.
Há uma controvérsia, quanto a uma possível segunda mulher de Moisés, pelo episódio da mulher cuchita – tudo leva a crer que era Séfora mesmo –,  em que Mirian rebelou-se juntamente com Aarão porque Moisés casara-se com uma mulher que não era hebréia, e foi punida por Javé com  a lepra, da qual só se livrou pela intercessão do próprio Moisés.  
Logo depois que os hebreus entraram na Terra Prometida, tiveram como dirigentes juízes que eram suscitados dentre o povo para dirigi-los.
Dentre os juízes, quem tem ligação histórica com as mulheres é Sansão – possuidor de uma força descomunal, citada no Antigo Testamento como um dom divino.
Primeiro Sansão casou-se com uma mulher filistéia, cujo nome não foi registrado pela história, com a qual não se entendia e acabou deixando-a. Quando quis voltar para reatar a relação, os pais dela não deixaram e ele para se vingar, capturou  trezentas raposas, preparou tochas e, amarrando cauda com cauda de cada duas raposas, prendeu nelas as tochas. Então acendeu as tochas e soltou as raposas nas searas dos filisteus, acabando com tudo o que estava plantado e até as vinhas e oliveiras.
Após esse episódio, Sansão apaixonou-se por Dalila, uma mulher do vale de Sorec.
Sansão parecia ter tendência a ser traído: por três vezes, questionado por Dalila, escondeu a verdadeira  origem de sua força, até que não agüentando mais a pressão, acabou dizendo a verdade – sua força extraordinária estava nos cabelos.
Dalila o havia embriagado para conseguir essa confissão e enquanto ele dormia, ela cortou-lhe os cabelos. Em conseqüência, Sansão perdendo a força, foi acorrentado, preso e teve os olhos vazados.
Depois de um tempo encarcerado, com os cabelos novamente crescidos, Sansão foi colocado como um troféu em exposição entre as colunas do templo, derrubando-o com sua força, o que levou à  morte todos os que lá estavam, inclusive  ele mesmo.
Davi é outro personagem de grande importância, que teve envolvimento com mulheres que marcaram a história contada na Bíblia.
Antes de seu reinado, Davi teve muitas disputas com os vizinhos de seu povo, e por isso  vivia em lutas constantes. Numa dessas ocasiões, tentou obter comida para os seus soldados com Nabal, rico proprietário de terras, a quem protegera anteriormente.
Este se negou a atendê-lo e, assim, Davi partiu com sua tropa para eliminá-lo. Abigail, mulher de Nabal, era muito linda, astuta  e inteligente. Ao saber da intenção de Davi, ela adiantou-se e ofereceu-lhe os mantimentos de que necessitava –  o que muito agradou a Davi que, por isso, deixou de perseguir  Nabal.
Quando Nabal voltou para  casa, ofereceu uma grande festa e embriagou-se. Ele era muito violento,  assim Abigail deixou para contar-lhe o sucedido no dia seguinte após a carraspana. Ao acordar e ser informado do acontecido teve uma síncope, da qual veio a morrer.
Ao saber disso, Davi, foi visitar a viúva e pediu-a em casamento. Ela aceitou, tornando-se, assim, sua primeira mulher.
Outra mulher de destaque na vida de Davi, já rei de Israel, foi Betsabé, mulher de Urias – general de seu exército –,  por quem ele se apaixonou e a engravidou.
Ao saber da gravidez de sua amada Betsabé, e para escondê-la, Davi mandou trazer Urias do campo de batalha onde se encontrava, e deu-lhe uma folga para que dormisse com  sua esposa, mas Urias, muito disciplinado, recusou a oferta, dizendo que não poderia coabitar com sua mulher enquanto seus soldados estavam em guerra. E assim, dormiu junto com os guardas do palácio.
Não satisfeito, Davi ofereceu-lhe um banquete e o embriagou, para ver se conseguia que  ele fosse deitar com Betsabé. Nem assim, Urias foi. Preferiu dormir outra vez com os guardas.
Vendo que não conseguia o seu intento, Davi mandou uma carta – pelo próprio Urias – a Joab, seu comandante em chefe, ordenando que colocasse Urias no ponto mais perigoso da batalha e aí o abandonasse, para que fosse morto. E foi exatamente o que aconteceu. Assim Betsabé ficou viúva. Depois se casou com Davi e foi mãe de Salomão, que viria a ser o famoso rei Salomão.

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